A PSP assinala no sábado 144 anos de existência, numa altura em que a instituição atravessa dificuldades financeiras e que estão a pôr em causa, segundo os sindicatos, o normal funcionamento das esquadras.
A tradicional cerimónia policial na Praça do Império, em Lisboa, realiza-se hoje, tendo a direção nacional da Polícia de Segurança Pública (PSP) decidido “limitar ao mínimo indispensável os festejos”, restringindo a deslocação de polícias, combustíveis, viaturas e refeições à área geográfica de Lisboa.
O presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP/PSP), Paulo Rodrigues, disse á agência Lusa que esta cerimónia é importante para marcar a data, mas é sobretudo importante para o diretor nacional “expressar publicamente qual a realidade da PSP”.
“O director nacional deve transmitir aquilo que se está a passar na PSP não só em termos sócio profissionais, como também as condições financeiras”, afirmou o presidente do maior sindicato da PSP.
Segundo Paulo Rodrigues, o estado financeiro da PSP é “muito preocupante”, estando já “a prejudicar a qualidade do serviço”.
O sindicalista adiantou que estado financeiro da PSP “começa a roçar o limite para poder trabalhar”, referindo que a falta de dinheiro é visível no funcionamento das esquadras, reparação das viaturas e aquisição de material, além das ajudas de custo serem pagas com meses de atraso.
“A Polícia de Segurança Pública está tão mal, não só ao nível sócio profissional, que provoca uma grande desmotivação, como também ao nível de constrangimentos orçamentais, que põem em causa o normal funcionamento das esquadras e reduzem a qualidade e capacidade de reação da própria Polícia”, sustentou.
Recentemente, o director nacional da PSP disse que a Polícia tem feito “ginástica” para conjugar os problemas financeiros com as necessidades operacionais e administrativas, mas garantiu que neste momento a atividade policial “ainda” não está a ser afectada.
“No momento nacional actual compete à Polícia de Segurança Pública fazer ginástica, quase que engenharia de âmbito financeiro, para podermos conjugar os problemas financeiros com as necessidades operacionais e administrativas. É isso que temos feito”, disse o superintendente chefe Guilherme Guedes da Silva.
O director nacional da PSP adiantou que nas reuniões diárias é solicitado a todos os dirigentes e comandantes que façam “uso de toda a criatividade e imaginação” para se conseguir ultrapassar as dificuldades.
Sobre a cerimónia policial de hoje, uma outra estrutura sindical, o Sindicato Nacional da Polícia (SINAPOL), considerou-a um “esbanjar de dinheiro” em tempos de crise.
Para o SINAPOL, os 144 anos da PSP constituem “uma marca na história da instituição”, mas a data poderia ser assinalada “de uma forma simbólica, sem despesismos” acrescidos.
“Em tempos de crise financeira e social, o SINAPOL não partilha da visão dos actuais responsáveis da PSP, estando convicto de que há muito mais para fazer do que esbanjar dinheiro em festividades desmedidas”, critica.
O presidente da ASPP considerou importante assinalar a data, admitindo uma revisão do tipo de cerimónia, uma vez que a PSP não é uma força militar, mas sim civil. (Destak)
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