26 de janeiro de 2016

Ministro da Defesa admite reforçar "capacidade de atracção" das Forças Armadas

"O fazer leis não resolve dificuldades da vida real. O quadro legislativo actual tem é que ser olhado com muita atenção e passar por medidas concretas, que permitam reforçar a capacidade de atracção", afirmou Azeredo Lopes.

O ministro, que falava na comissão parlamentar de Defesa Nacional, foi confrontado por deputados do CDS-PP, PCP e PS com as dificuldades que os três ramos das Forças Armadas atravessam para conseguir atingir os objectivos do recrutamento.

Admitindo que uma das razões para essa situação tem sido "as questões orçamentais", José Alberto Azeredo Lopes rejeitou que a solução passe por aumentar as condições remuneratórias da carreira militar como forma de atrair mais interessados, sublinhando que há outras vias.

A este propósito, e frisando não querer dar a sua opinião pessoal, Azeredo Lopes disse que está a ser feito um debate público em vários países sobre o serviço militar obrigatório.

"Não é seguramente estapafúrdio um processo que está a varrer o debate público sobre esta matéria, não com certeza com a noção que era atribuída à conscrição tradicional mas com uma noção mais moderna", disse.

No final da audição, o ministro afirmou aos jornalistas que o reforço da capacidade de atracção não significa acções de "propaganda ou cosmética" mas sim "uma comunicação mais profissional, mais do século XXI", sobre o que representam as Forças Armadas e sobre a carreira militar e deu o exemplo da eficácia de uma comunicação que recorra às redes sociais.

Perante os deputados, o ministro defendeu que é necessário reforçar a "componente de atracção, de apresentação das armas, da carreira" no Dia da Defesa Nacional e sugeriu ainda a necessidade de aumentar o conhecimento que os jovens têm, do ponto de vista cívico, das Forças Armadas e da Defesa Nacional.

"Da mesma maneira, que a GNR e as forças de segurança vão às escolas, não vejo por que não hão de ir elementos das Forças Armadas com conteúdos educativos validados que sejam transmitidos numa ideia cívica para representar de forma mais sustentada, e não meramente proclamada, sobre as Forças Armadas e a Defesa Nacional", disse.

Na audição, o deputado do PSD Matos Correia considerou que o ministro está "politicamente em contradição" com o governo que íntegra, referindo-se às garantias de Azeredo Lopes de que não pretendia "mudar por mudar" o que o anterior executivo fez no sector.

Matos Correia confrontou ainda o ministro com as posições oficiais do PCP e do BE, partidos que apoiam o Governo, dizendo que "são contra a Aliança Atlântica".

Na sua exposição inicial, o ministro da Defesa tinha afirmado quatro prioridades para o seu mandato, a começar pela "valorização dos recursos humanos e materiais", o reforço das Forças Nacionais Destacadas, em particular dando primazia às acções no âmbito da ONU, e a salvaguarda de uma componente "nacional, relevante" na indústria de Defesa.

O ministro defendeu ainda concordar que a saúde e o ensino militar "podem ser comuns" aos três ramos. Quanto à acção social, Azeredo Lopes adiantou que pediu um relatório sobre o património do Instituto de Acção Social das Forças Armadas, e não se comprometeu com medidas que requeressem mais investimento.

Questionado pelos jornalistas no final da audição, Azeredo Lopes recusou antecipar qual vai ser a dotação para o ministério da Defesa no Orçamento do Estado para 2016, frisando que o objectivo global do OE é "ter contas limpas, orçamento factível e de recuperação de direitos".

"Não pode agora esperar-se que em 2016 tenha descoberto uma árvore das patacas que até agora ninguém descobriu", disse, admitindo apenas que uma das áreas reforçadas é a das Forças Nacionais Destacadas. (NM)