16 de novembro de 2016

Taxa de eficácia no salvamento é de quase 100% em Portugal

Em 2015, foram salvas 501 pessoas e o número mantém-se elevado este ano. “Há muito mais navegação de recreio nas nossas águas”, diz o comandante Pedro Carvalho Pinto, do Centro de Busca e Salvamento Marítimo de Lisboa, que recebeu o prémio HERO.

O mar é uma das maiores fontes de recursos de Portugal, que tem também a maior a área de busca e salvamento da Europa. O desafio é grande, mas a taxa de sucesso em resgates marítimos também.

“Temos uma taxa de eficácia no ano passado de cerca de 97% e com os números deste ano, que já são maiores, a taxa está a aumentar para a ordem dos 98%”, afirma à Renascença o comandante Pedro Carvalho Pinto, director do Centro de Busca e Salvamento Marítimo de Lisboa, que na terça-feira recebeu o prémio HERO (Honouring Excellence in Rescue Operations) da Federação Internacional de Busca e Salvamento.

“É o corolário de um excelente trabalho que o Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo tem feito”, reconhece.

A distinção respeita a 2015, mas, segundo Pedro Carvalho Pinto, este ano já foram registados “mais casos de situações de busca e salvamento, que se traduziram num número também muito elevado de pessoas salvas”.

Pelo contrário, “o número de mortos depois de terem sido dados os alarmes, e mesmo de pessoas desaparecidas, tem vindo a diminuir bastante”.

Mas a que se devem tantos casos? “Numas situações poderá ser considerado falta de cuidado, mas temos sempre de ter a noção de que há muito mais navios no mar e muito mais navegação de recreio a praticar as nossas águas, nomeadamente nos seis meses de Primavera/Verão”, refere o comandante do Centro de Busca e Salvamento Marítimo de Lisboa.

Nestas embarcações, há “muitas vezes pessoas que não estão tão bem preparadas”, destaca, se bem que o número total de casos registados tanto digam respeito a “casos muito graves como assistências normais, mais tranquilas, no mar”.

E como se consegue uma taxa de eficácia tão elevada numa área de patrulha tão grande?

São “365 dias por ano, sete dias por semana e 24 horas por dia” no mar. O Centro de Busca e Salvamento Marítimo de Lisboa é complementado por “um centro paralelo a este em Ponta Delgada, mais reduzido, e um outro na Madeira”.

“Estes três centros coordenam todas as acções de busca e salvamento na nossa área de responsabilidade e a Marinha tem, permanentemente, oito unidades navais, de guerra, dedicadas a estas operações”, explica o comandante Pedro Carvalho Pinto, entrevistado no programa Carla Rocha – Manhã da Renascença.

“Esses navios estão distribuídos ao longo de Portugal continental: dois no Norte, um na área de Lisboa, duas lanchas no Algarve, um navio maior, de patrulha oceânico, ao longo de toda a costa portuguesa e temos um navio na Madeira e outro nos Açores”.

Numa área de busca e salvamento tão grande, a ajuda dos parceiros é fundamental. É o caso da Autoridade Marítima Nacional, “que tem meios também ao longo de toda a costa portuguesa e nas ilhas, através das 28 capitanias que existem em Portugal”. Isto, além da colaboração, “muito importante, da Força Aérea Portuguesa”.

Obrigado “pelos bons serviços prestados”

Do lado de quem é salvo a gratidão é grande. “As pessoas expressam a sua gratidão e temos de perceber que estar numa situação no meio do mar em pleno Verão é uma coisa, estar numa situação de um problema quando estamos a navegar de Inverno, com mau tempo, longe de tudo, é muito difícil de ter apoio”, refere o director do Centro de Busca e Salvamento Marítimo de Lisboa.

Pedro Carvalho Pinto recorda um caso que ocorreu “há cerca de um ano e meio, a cerca de dois mil quilómetros a sul dos Açores, de Inverno”.

“Um veleiro com três pessoas de nacionalidade francesa teve um problema: o ‘skipper’ caiu e ficou sem hipótese de controlar a embarcação. Foi um navio da Marinha Portuguesa que foi buscar o ‘skipper’, depois transportou-o para Norte, em direcção à ilha, e posteriormente passou-o para o helicóptero da Força Aérea Portuguesa e foi transportado para o hospital”.

Na sequência desse salvamento, “a Marinha, o Estado nacional, recebeu uma carta de agradecimento pelos bons serviços prestados”. (RR)