10 de dezembro de 2016

Novo chefe da Marinha admite que esquadra precisa de mais manutenção

O novo chefe da Marinha, o almirante António da Silva Ribeiro, admite que a esquadra precisa de outros níveis de manutenção, mas frisa que trabalhará para "encontrar soluções" com os recursos disponíveis porque o ramo "não é excepção" às dificuldades do país.

"O que se passa é que, de facto, as circunstâncias em que as esquadra se encontra suscitam a reflexão e sobretudo a reflexão séria de quem tem o comando da Marinha e no fundo foi isso que o senhor almirante Fragoso disse, que a esquadra carece de outros níveis de manutenção", afirmou.

O almirante António da Silva Ribeiro, que este sábado tomou posse do cargo de chefe do Estado-Maior da Armada, no Palácio de Belém, respondia aos jornalistas sobre os alertas que o seu antecessor, Macieira Fragoso, fez, em entrevista à Lusa, sobre a falta de verbas para as manutenções programadas da frota e aos sucessivos "orçamentos abaixo das necessidades".

Dizendo não ver as afirmações do almirante Macieira Fragoso como "críticas" porque o seu antecessor "não faria uma coisa dessas", Silva Ribeiro frisou que a Marinha "tem de trabalhar com os orçamentos que o país disponibiliza" e que "a Marinha não é excepção no país".

"O país está em dificuldades e portanto a Marinha tem que cumprir a sua parte de responsabilidades", disse, prometendo, com os recursos disponíveis "encontrar soluções" para cumprir a missão, "sem parar".

Questionado sobre as críticas do seu antecessor e também do PSD e do CDS-PP à forma como decorreu o processo de substituição, o almirante Silva Ribeiro declarou apenas que não comenta "questões de natureza política".

O ex-CEMA admitiu, na entrevista à agência Lusa, que gostaria de ter sido avisado mais cedo de que seria substituído no cargo para ter mais serenidade e tranquilidade no processo de transição.

Silva Ribeiro foi hoje empossado como CEMA pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, minutos depois da condecoração do seu antecessor, Luís Macieira Fragoso, com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, uma cerimónia a que não assistiu.

António Manuel Fernandes da Silva Ribeiro ocupava os cargos de director-geral da Autoridade Marítima Nacional e de Comandante-Geral da Polícia Marítima. Antes, desempenhou as funções de Superintendente do Material, de director-geral do Instituto Hidrográfico, de subchefe do Estado-Maior da Armada, de Secretário do Conselho do Almirantado e de Vogal da Comissão Consultiva de Busca e Salvamento.

Professor catedrático convidado do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, o vice-almirante Silva Ribeiro, 59 anos, é também professor militar da Escola Naval, indica o currículo disponível na página do ISCSP.

Os chefes dos ramos militares e do Estado-Maior General das Forças Armadas são nomeados pelo Presidente da República, sob proposta do Governo, por um período de três anos, prorrogável por dois anos, sem prejuízo da possibilidade de exoneração a todo o tempo e da exoneração por limite de idade.

António da Silva Ribeiro foi nomeado para três anos, conforme prevê a lei, mas poderá não exercer essas funções até ao final do mandato, caso seja retomado o princípio da rotatividade dos ramos na chefia do Estado-Maior General das Forças Armadas quando o actual CEMGFA, Pina Monteiro, tiver de sair devido ao limite de idade. (RR)