16 de agosto de 2014

Portugal e a Grande Guerra, a questão militar

O regime republicano precisava de transformar o Exército, porque disso dependia a sua própria sobrevivência. Por isso, os seus responsáveis iniciaram desde muito cedo uma extensa mudança da estrutura militar herdada da Monarquia.

Logo a 2 de Março de 1911, o Governo Provisório publicou um decreto determinando profundas alterações no sistema de recrutamento militar, que passava a assentar em cinco princípios: impossibilidade de remissão a dinheiro do serviço militar obrigatório; substancial redução do tempo de serviço militar obrigatório; alteração dos conceitos de reserva; estabelecimento de períodos de preparação militar anteriores e posteriores ao tempo de serviço militar obrigatório; e desaparecimento da noção de exército profissional para dar lugar à de exército miliciano.

A transformação continuou, em lei de 25 de Maio de 1911, com a reorganização do Exército baseada na ideia de que “os exércitos permanentes fizeram o seu tempo, são instituições liquidadas”. Seguiu-se a definição de um sistema de instrução e treino das tropas, com a criação da Instrução Militar Preparatória, por decreto de 26 de Maio de 1911.

O dispositivo do Exército, constituído por unidades espalhadas por todo o território, continuava com um núcleo profissional que perdia importância, mas devia servir de base à Nação em armas, constituída por tropas de reserva, com um adequado sistema de recrutamento, instrução e mobilização adaptado à nova realidade.


Podemos dizer que a grande reforma republicana do Exército baseada no princípio do exército miliciano, sem os recursos necessários, com uma população maioritariamente analfabeta, contra a vontade do seu núcleo profissional, estava votada ao fracasso. De qualquer maneira, as incursões monárquicas primeiro e a Guerra logo a seguir aniquilaram a reforma.

Em 1914, quando a guerra na Europa começou, os quadros e os efectivos gerais do Exército tinham tido somente três curtos períodos de treino. O recrutamento e a mobilização fazia-se dentro da respectiva divisão ou comando militar, cabendo a cada unidade suprir as suas faltas em soldados ou graduados. Havia 35 regimentos de Infantaria, 8 de Artilharia, 11 de Cavalaria e 8 grupos de metralhadoras.

Em suma, a República, entre 1911 e 1914, construiu um exército mais orientado para a defesa do território nacional e para actuação interna, do que para qualquer tipo de intervenção além-fronteiras, mesmo nos territórios coloniais.

No que respeita ao equipamento militar, a República beneficiava de um conjunto de medidas levadas a efeito nos últimos anos da Monarquia, como resposta ao ambiente internacional que se vivia.

O Exército possuía peças de artilharia modernas e eficientes, embora de diversas qualidades. Quanto ao equipamento individual de infantaria foi necessário adquirir, logo em 1911, à casa inglesa Mills, 25.000 equipamentos de tela verde, inteiramente semelhantes aos adoptados em 1908 pela infantaria inglesa.

De uma forma geral pode considerar-se que Portugal, para o nível de ameaças que então se previam, possuía armamento credível, embora não estivesse tão bem equipado e armado como a grande maioria dos estados europeus. Mas foi a participação na Guerra, tanto nos campos africanos como europeu, que ditou o nível de equipamento das forças militares portuguesas, terrestres e marítimas.

Portugal, nem beligerante, nem neutral

Depois do início das hostilidades na Europa, nos primeiros dias de Agosto de 1914, o Governo inglês solicitou ao Governo português que se abstivesse "por agora de publicar qualquer declaração de neutralidade", tornando-se esta a posição oficial de Portugal — nem neutral, nem beligerante. Esta situação manter-se-ia até 16 de Março de 1916, dia em que, a seguir ao apresamento dos navios alemães surtos nos portos portugueses feito a pedido da Inglaterra, a Alemanha declarou guerra a Portugal.

Foram dois anos de profundas disputas internas e extensos conflitos que envolveram não só as forças políticas, como toda a sociedade, e que ultrapassarão a própria declaração de guerra, mantendo-se até à assinatura do armistício, e mesmo para além dele.

Os republicanos dividiram-se quanto à intervenção militar de Portugal na Europa, sustentando uns a necessidade política e moral de intervir ao lado dos aliados e defendendo outros a utilização exclusiva das tropas portuguesas na defesa das colónias. As pequenas minorias radicais opuseram-se, de uma forma geral, à participação na guerra, assumindo as suas atitudes enorme agressividade, com apreciável influência na opinião pública nacional.

No interior da força armada, a maioria dos oficiais opunha-se à guerra, principalmente ao envio de tropas para o teatro europeu.

Machado Santos, o “herói da Rotunda”, o “revolucionário do 5 de Outubro”, o “pai da República” encabeçou um movimento, a partir de Tomar, para impedir a partida de tropas para França em 13 de Dezembro de 1916. Quando foi ouvido em auto de perguntas, declarou: “Que entrou na actividade política em 1907 para combater a ditadura do Sr. João Franco (…). Que foi a primeira vez que conspirou com o fim de então derrubar a Monarquia; voltou agora a conspirar pela segunda vez para derrubar um governo que, bem mais nefasto que o Sr. João Franco, ameaça derruir não só o regime, mas a própria Nacionalidade”.

Estas palavras revelam a profunda cisão que grassava na sociedade portuguesa e também entre os militares. Enquanto uns, mais próximos do Partido Democrático de Afonso Costa, pugnavam pela participação de Portugal na frente europeia, outros exigiam que as tropas fossem enviadas exclusivamente para África. Será este confronto, entre intervencionistas e não-intervencionistas, que marcará todo o período de participação das tropas portuguesas na frente europeia, entre 1916 (preparação) e 1919 (regresso).

Contudo, desde muito cedo, Portugal enfrentou dificuldades em Angola e Moçambique, territórios que tinham fronteiras com colónias alemãs. A situação levou o governo português a preparar expedições militares para as duas colónias, que saíram de Lisboa a 11 de Setembro, comandadas por Alves Roçadas a de Angola e por Massano de Amorim a de Moçambique.

O primeiro incidente de guerra ocorreu em Moçambique, quando a pequena guarnição portuguesa de Maziúa foi atacada por uma força alemã, ainda em Agosto de 1914.

Em Angola, o primeiro acto de guerra ocorreu em Naulila, onde em 19 de Outubro um incidente mal explicado conduziu à morte de alguns militares alemães, seguido pela acção alemã contra Cuangar a 30 do mesmo mês
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Reforçada a primeira expedição a Angola, e repetida uma acção inimiga sobre Naulila em 18 de Dezembro, a circunstância da rendição das tropas alemãs perante o avanço das tropas sul-africanas levou ao fim do conflito do exército português em Angola, embora persistisse a revolta dos povos locais.

Em Moçambique, a situação evoluiu de forma diferente. Ainda em 1914 foi organizada uma nova expedição, acompanhada desta vez pelo novo governador-geral da colónia, Álvaro de Castro. Verificou-se, contudo, que as tropas expedicionárias portuguesas, tal como acontecera na anterior expedição, enfermavam de graves deficiências: má instrução, deficiente equipamento e fraca acção de comando, situação que se manteria até ao fim.

Em relação ao teatro europeu, a acção do governo português visou sobretudo a preparação da intervenção portuguesa, tanto no sentido de definir as formas de apoio aliado, em especial da Inglaterra, como de preparar os contingentes militares e mobilizar a opinião pública. Na sequência de uma primeira experiência efectuada em 1914, com a concentração de uma Divisão Auxiliar em Tancos, que depois foi desmobilizada, procedeu-se à formação de uma Divisão de Instrução que se reuniu no mesmo campo militar, sob o comando do general Tamagnini de Abreu e Silva e impulsionada por um grupo de jovens oficiais colaboradores de Norton de Matos, entretanto nomeado ministro da Guerra.

Portugal, país beligerante

A partir da declaração de guerra da Alemanha, a 9 de Março de 1916, as medidas de mobilização foram aceleradas. Mas a concretização da mobilização pôs a nu as inúmeras dificuldades estruturais – em efectivos, em armamento, em equipamentos e, acima de tudo, em quadros.

E enquanto se ultimavam os preparativos para a partida das tropas em direcção ao teatro europeu, foi necessário o envio de um novo contingente com destino a Moçambique, com cerca de 4000 homens sob o comando do general Ferreira Gil. Nesta colónia, onde logo a seguir à declaração de guerra as tropas portuguesas reocuparam o triângulo de Quionga, abandonado pelas tropas alemãs, esta terceira expedição levou a cabo as operações de maior fôlego, assinaladas pela travessia do Rovuma e por uma penetração em território alemão com a tomada de Nevala. Contudo, a situação criada com o avanço das tropas portuguesas não resistiria à contra-ofensiva alemã, sob o comando do general Von Lettow-Vorbeck.

Foi perante esta situação que em princípios de 1917 se organizou uma quarta expedição a Moçambique, sob o comando do coronel Sousa Rosa. Entretanto, a acção das tropas alemãs no interior de Moçambique vai prolongar-se até Setembro de 1918, tendo a sua penetração ficado às portas de Quelimane.

As tropas portuguesas, em cooperação com forças inglesas, opuseram-se aos movimentos inimigos tanto quanto lhes foi possível, travando alguns combates de maior relevância, como o de Negomano, da Serra Mecula e de Nhamacurra. Von Lettow, conduzindo a guerra conforme as circunstâncias melhor aconselhavam, com o fim, que foi sempre o seu, de fixar efectivos inimigos na região, acabou por abandonar Moçambique, ficando assim o território português livre da presença de tropas inimigas.

Continuavam, ao mesmo tempo, os preparativos para a partida das tropas portuguesas para a frente europeia, transformando-se a Divisão de Instrução em Corpo Expedicionário Português (CEP), que, composto inicialmente por uma Divisão e passando depois, por insistência portuguesa e aceitação inglesa, a ser constituído por duas Divisões, se organizou num Corpo de Exército.

O convite oficial do Governo britânico de 15 de Julho de 1916, para que Portugal tomasse parte activa nas operações militares dos aliados ainda conheceu oposições, como vimos, mas as tropas portuguesas constituintes do CEP iniciaram o embarque em finais de Janeiro de 1917.

O efectivo total do CEP nesta primeira mobilização foi de 1551 oficiais e 38.034 sargentos e praças. Estes números viriam a subir para mais de 50.000 embarcados, quando se constituiu a 2ª Divisão, que permitiu completar o Corpo de Exército, com que Portugal participou na frente europeia da guerra.

Em França, depois de um período de instrução e estágio nas linhas, foi atribuído ao CEP um sector na frente, situado na Flandres francesa, em frente da cidade de Lille, entre Armentières e Béthune. Na opinião dos comandos ingleses era um sector bastante calmo, onde não se previa a ocorrência de grandes acções de combate.

O CEP assumiu a responsabilidade total do sector português no dia 5 de Novembro de 1917, sob o comando do 1º Exército Britânico. Era uma zona plana, tinha a forma de um quadrilátero irregular, com cerca de 12 km de trincheiras. Foi aqui que até 9 de Abril de 1918 os soldados passaram por uma dura experiência de guerra, que marcou indelevelmente uma geração portuguesa.

As unidades portuguesas, antes do Corpo assumir em pleno o seu sector, tiveram 352 mortos em combate, entre Abril e Outubro de 1917.

Marinha de guerra

Em relação à marinha de guerra, pode dizer-se que, nos anos que precederam a guerra, houve uma substancial alteração de conceitos estratégicos relacionados com a guerra no mar, e também em Portugal se assistiu ao surgimento de novas orientações, com mais ou menos reflexos no pensamento naval e na organização e meios navais.

A ideia de uma permanente aliança com a Inglaterra é constante, embora se preveja a possibilidade de a marinha inglesa ficar demasiado ocupada para poder auxiliar Portugal. Mas outras componentes não deixam de reflectir-se na discussão interna, como a corrida naval, o crescente poder naval da Espanha e a transferência da esquadra britânica do Mediterrâneo para o Mar do Norte, na sequência dos acordos entre a França e a Inglaterra.

O conceito essencial evoluiu para a necessidade de uma esquadra com capacidade oceânica, à dimensão das possibilidades nacionais, que impedisse o bloqueio dos portos portugueses e assegurasse a ligação entre Lisboa e os Açores e, em consequência, a relação com as colónias.

O programa naval da República absorveu este conceito geral, embora na prática os objectivos fixados fossem impossíveis de atingir, dado o alto custo da opção. Mas o ambicioso plano republicano para a marinha de guerra acabou por ficar apenas no papel, até ao início das operações na Europa.

Contudo, alguma coisa foi mudando na Marinha Portuguesa. Tal como os programas navais de outros países, também em Portugal se pensou no papel dos contratorpedeiros que, apesar das polémicas suscitadas, começam a ser construídos no Arsenal em 1910, acabando Portugal por lançar três navios desta classe, antes da beligerância portuguesa, em 1916.

Também os submarinos viriam a fazer parte das preocupações dos responsáveis portugueses, sendo encomendada a primeira unidade a Itália, em 1910, recebida em Lisboa em 1913, com o nome de Espadarte. Portugal virá a receber ainda mais três submarinos em 1917, formando as quatro unidades a primeira esquadrilha de submarinos portugueses, como principal elemento da defesa naval de Lisboa, a partir do início de 1918. Era, apesar de tudo, um avanço significativo.

Quando a guerra se inicia, a Marinha não está preparada para enfrentar as ameaças que se desenham. As principais preocupações, defesa dos portos contra ameaças de superfície e protecção das tropas expedicionárias para as colónias, dificilmente podiam ser asseguradas pelos meios da marinha portuguesa. Contudo, os navios existentes são utilizados para enfrentar os problemas de defesa e navegação, especialmente na protecção dos portos de Lisboa e Leixões, dos Açores e da Madeira, das comunicações, da navegação para as colónias e do apoio possível às operações em Moçambique.

Do Sidonismo a La Lys

Entretanto, com o agravamento da situação interna, a oposição à guerra não conheceu tréguas, tudo se conjugando para criar um clima social propício ao desenvolvimento de projectos conspirativos e violentos.

Foi neste ambiente que, em 5 de Dezembro, uma revolta militar saiu à rua, chefiada por Sidónio Pais, major de Artilharia e ministro de Portugal em Berlim até à declaração de guerra da Alemanha. Em menos de três dias, os revoltosos conquistaram o poder e assumiram a direcção política do país.

A nova situação, a que os seus dirigentes chamaram República Nova, não chegou a pôr em causa a continuação do empenhamento militar ao lado dos aliados, tanto na Europa como em Moçambique, mas é sintomático da nova disposição dos dirigentes portugueses o facto de se não terem efectuado as rendições de efectivos normais (também pela escassez de meios de transporte marítimos) e de um número significativo de mobilizados, temporariamente regressados a Portugal para tratamento ou de licença, não regressar à frente, apesar dos contínuos apelos dos comandos militares do CEP.

As tropas portuguesas viram-se assim envolvidas num conflito que dificilmente compreendiam. A retaguarda era débil, as condições de emprego como força militar em operações extremamente fraca, o moral foi sempre baixo, mas no início de 1918 desceu a níveis insuportáveis. As unidades tinham falta de oficiais, a instrução tinha sido deficiente, o apoio não estava ao nível do de outras unidades do mesmo escalão. Os soldados não gozavam férias, estavam muito longe da sua terra, muitos nunca chegaram a compreender porque estavam naquela guerra.

A actividade militar na zona intensificou-se de forma gradual mas constantemente. O mês de Março foi extremamente penoso para as unidades portuguesas.

Os comandos portugueses aperceberam-se desta situação, mas o comando britânico manteve a ideia de que o ataque principal que as forças alemãs preparavam não seria na região de Armentières. No entanto, em 6 de Abril as tropas portuguesas receberam ordens para manterem na linha da frente apenas a 2ª Divisão, comandada por Gomes da Costa, passando para o comando do XI Corpo de Exército britânico. Na prática, porém, a extensão da linha da frente manteve-se nos 12 km anteriores, sendo retirado um batalhão. Ou seja, a frente ficou com menos densidade de forças. O tempo também foi curto para consolidar as inevitáveis mudanças tácticas resultantes desta decisão unilateral do comando britânico.

Mas o pior estava para vir. As visitas a 6 e 7 de Abril do comandante do XI Corpo, general Hacking, ao comando da 2ª Divisão coincidiram com as notícias dos preparativos alemães e a constatação do nível moral e do estado físico das tropas portuguesas, o que levou o comando britânico à decisão lógica, que uma prudente análise de situação já deveria ter aconselhado há bastante tempo. A 8 de Abril foi dada ordem para a substituição da 2ª Divisão por uma divisão inglesa, movimento que deveria iniciar-se a 9 de Abril. Era tarde e a decisão tardia desmoronou o moral das primeiras linhas portuguesas. Se a vontade de lutar e a disposição anímica era já extremamente baixa, a perspectiva de sair da frente anulou toda a capacidade de resistência e de comando. A situação só poderia conduzir a um desastre, se o ataque se realizasse nesse dia. Foi o que aconteceu.

O ataque alemão de 9 de Abril inseriu-se na estratégia de rotura da frente em sectores estreitos, com grande superioridade de meios. Os comandos alemães sabiam que seria uma das últimas oportunidades de o conseguirem. O ataque foi bem planeado, bem preparado e executado de forma eficaz. A preparação da artilharia foi longa e intensa. Os gases de combate foram usados da forma habitual. O assalto fez-se de acordo com os princípios tácticos consolidados pela longa guerra de trincheiras – preparação de fogos, ataque frontal, envolvimentos, contrabateria, ataques profundos, consolidação do terreno conquistado.

A defesa do sector português, e de certa forma dos sectores vizinhos, não pôde organizar-se de forma consistente. A capacidade de combate dos portugueses estava diminuída pelas condições do terreno, pelo desequilíbrio dos meios de combate e principalmente pela disposição psicológica das tropas.

Houve resistências, mas os confrontos foram pontuais e não duraram mais que escassas horas, o tempo necessário ao avanço das tropas alemãs. Em seis horas ruiu toda a resistência das primeiras linhas; ao fim do dia estava conquistado todo o sector português e consolidada a penetração alemã. Só em Lacouture um pequeno núcleo anglo-português resistiu até ao dia seguinte.

Como “Batalha de La Lys”, “9 de Abril”, “La Lys – a Batalha Portuguesa” ou outro título semelhante, os combates da manhã de 9 de Abril de 1918 na frente ocupada pelo CEP encontram-se descritos e analisados em múltiplos textos.

Depois de La Lys, o que restou das tropas portuguesas foi distribuído por unidades inglesas, sendo os militares utilizados, de uma forma geral, em trabalhos braçais, como a construção de trincheiras. Tanto o general Tamagnini, enquanto manteve o comando, como o general Garcia Rosado, que o substituiu a partir de Agosto, procuraram junto do governo português e do governo inglês, mas também junto do comando britânico, devolver alguma dignidade ao período final da presença das tropas portuguesas na frente ocidental.

Este esforço permitiu que fossem constituídos três batalhões que de novo foram integrados na frente, onde se mantiveram, juntamente com outras unidades de apoio e de serviços, até à assinatura do Armistício a 11 de Novembro de 1918.

Foi assim que o Exército Português, mais por iniciativa no terreno de alguns dos seus comandos do que por empenho do governo de Lisboa, conseguiu ultrapassar com um resto de dignidade as contingências da sua presença na frente europeia, o que lhe permitiu desfilar em Paris, em nome de Portugal, quando ali se comemorou a vitória, em 14 de Julho de 1919, e dar suporte político à participação do país, ao lado das outras potências aliadas, na Conferência de Paz. (ANICETO AFONSO/Público)