18 de setembro de 2014

Em 10 anos, ingressaram nas Forças Armadas 30% dos 130.600 candidatos

As Forças Armadas (FA) receberam em dez anos cerca de 130.600 candidaturas de jovens que se propuseram a prestar serviço militar, dos quais 30 por cento foram incorporados, segundo dados dos três ramos das FA.
Em média, 13.060 homens e mulheres candidatam-se todos os anos a prestar serviço militar nos três ramos das Forças Armadas, de acordo com dados obtidos pela Agência Lusa junto do ministério da Defesa Nacional.

O Exército é o que tradicionalmente abre mais vagas, captando 78.562 dos 130.623 candidatos registados em 10 anos de regime voluntário, após o fim do Serviço Militar Obrigatório (SMO), extinto em Setembro de 2004.

Com o fim do SMO, instituiu-se o Dia da Defesa Nacional, com iniciativas por todo o país que visam dar a conhecer as missões das Forças Armadas e o que significa a Defesa Nacional, ao qual os jovens são obrigados a comparecer.

Ao contrário da Marinha e da Força Aérea, que só tem o Regime de Contrato, o Exército tem duas vias de recrutamento, o Regime de Contrato, de dois a seis anos, e o Regime Voluntário, com a duração de um ano.

Em média, todos os anos se candidatam a prestar serviço militar voluntário no Exército 7.800 jovens. Desde 2005, este ramo contou com 78.562 candidatos. Deste total, 29.753 foram incorporados, o que representa uma percentagem de 37 por cento.

Em 2005, o primeiro ano do novo modelo, ingressaram nas fileiras do Exército 3.385 jovens, o que representou 52 por cento do total de candidaturas. Já em 2013 foram incorporados apenas 25 por cento, 1.548 jovens.

Quanto à distribuição por sexos, considerando um subtotal de 71 mil candidatos (faltam dados relativos a 2005), a esmagadora maioria são homens, 55.809, sendo 15.231 mulheres.

A formação dos candidatos tem aumentado de ano para ano. Em 2008, nenhum dos candidatos a vagas no Exército tinha o grau de mestrado, número que aumentou para 122 em 2013.

Como empregador, as Forças Armadas registam, em termos gerais, mais procura do que oferta, sendo certo que há especialidades que têm maior procura do que outras. As vagas são abertas em função das necessidades e também das disponibilidades orçamentais. Por exemplo, na Marinha, nos anos de 2011 e 2012 não foram abertas quaisquer vagas para este ramo, que entre 2005 e 2013 registou um total de 17.466 candidaturas entre 2005 e 2013, numa média anual de cerca de 2500.

Do total de candidaturas, foram incorporados 27,6 por cento, ou seja 4.819 jovens. Desde 2005 que todos os anos são incorporados acima de 600 candidatos. Em 2013 voltaram a abrir concursos mas ingressaram apenas 419 militares.

Quanto à distribuição por idades, nos candidatos à Marinha 70 por cento têm entre 20 e 22 anos. No total dos dez anos, 76 por cento dos candidatos são homens, 13.419, e 23 por cento são mulheres, cerca de quatro mil.

Na Força Aérea candidataram-se 34.595 jovens desde 2005 até hoje, uma média de 3459 por ano, dos 18 aos 27 anos, com o 9.º ano até à licenciatura.

Dos 34.592, 22.863 são homens e 11.729 são mulheres. Quanto às habilitações académicas, os praças têm entre o 9.º e o 12.º ano, os oficiais entre o 12.º ano e a licenciatura.

Apesar do número elevado de candidatos, a percentagem que é incorporada também é reduzida, verificando-se, à semelhança dos outros ramos, que vem diminuindo ao longo dos anos. No total dos dez anos, de 34.595 candidaturas, entraram 4701.

Os dados indicam que em 2005 foram incorporados 35 por cento dos total de 2568 que se candidataram, ou seja, 435 militares, enquanto em 2011 apenas 29 oficiais foram incorporados e em 2014, até Agosto, nenhum militar entrou para os quadros da FA.

O número de efectivos dos três ramos das Forças Armadas diminuiu de 37.632 militares em 2005 para cerca de 34 mil em 2013, segundo dados a que a Agência Lusa teve acesso. (Fonte : RTP)