22 de dezembro de 2016

Reactivar a base de Tancos como alternativa à BA6

Aeródromo de Tancos - Serrano Rosa
Exigências operacionais de uso das aeronaves de transporte da Força Aérea e combate a incêndios tornam Tancos a escolha natural para sediar C-130 e C-295

A antiga base de Tancos (BA3), adaptada a partir de 1993 para receber helicópteros do Exército que não se compraram, será a solução natural para acolher as aeronaves de transporte da Força Aérea se este ramo deixar o Montijo por causa do novo aeroporto de Lisboa.

A escolha é admitida, embora sem estudos técnicos prévios, por fontes civis e militares ouvidas pelo DN, no quadro do debate sobre o futuro da base aérea do Montijo (BA6) e quanto às alternativas para a Força Aérea cumprir as missões que executa a partir daquela unidade na margem sul do rio Tejo.

Há pelo menos quatro condições de partida que justificam a opção de transferir, para Tancos, as esquadras de transporte militar dos C-295 e dos C-130, a primeira das quais decorre de ser ali - longe de núcleos urbanos - que se realizam os treinos de lançamento dos para-quedistas da Brigada de Reacção Rápida do Exército, bem como a projecção de várias Forças Nacionais Destacadas.

A existência de espaço livre e público no Polígono de Tancos (150 mil metros quadrados) para poder alargar o Aeródromo Militar de Tancos (AMT), construir hangares e infraestruturas aeroportuárias quando forem adquiridos os sucessores dos C-130 - que se prevê serem os KC-390 e mesmo no Montijo exigiriam estruturas de raiz - e, ainda, o facto de as novas aeronaves terem capacidade de combate aos incêndios aconselham "uma localização central no país" para instalar as esquadras de transporte, observaram duas das fontes.

As alternativas existentes também reforçam aquela solução e funcionam como quinto argumento a favor de Tancos: excluindo Sintra e Monte Real (sede dos caças de defesa aérea), resta a base de Beja - que está longe das unidades de para quedistas e das áreas de maior incidência dos fogos florestais, além de ter um terminal para a aviação civil.

"Não há infraestruturas noutras bases para a aviação de transporte. A Ota não é opção por causa das aproximações no espaço aéreo à Portela, Sintra idem aspas... Tancos é quase chave na mão, apenas exige remodelações", reconheceu um oficial superior da Força Aérea.

Sendo Tancos uma área sem restrições de sobrevoo e a partir da qual não há aeronaves a operar, será ainda favorecido o treino das aproximações por instrumentos e das tripulações, que a Força Aérea prevê serem impossibilitadas com o uso da BA6 pela aviação comercial.

Missões de treino noutras bases

Um dos constrangimentos identificados pela Força Aérea com a abertura da BA6 à aviação civil é o da redução, "seguramente mais de 50%" delas, das missões de treino e que "deverão ser executadas noutros aeródromos". E os restantes voos locais e de treino no Montijo, que não são prioritários face aos aviões comerciais, "terão de ser ajustados para não coincidirem com os picos do tráfego civil".

A Força Aérea prevê, porém, que "com o aumento do número de movimentos de aeronaves civis será, previsivelmente, incompatível manter a componente de voo local" no Montijo, "pelo que a totalidade das missões de treino será executada noutros aeródromos" - com o resultante aumento do número de horas de voo (traduzido em custos financeiros) só em trânsito da BA6 para essas unidades.

Além das aproximações das aeronaves por instrumentos, as missões de treino incluem a simulação de emergências, descolagens e aterragens, circuitos visuais para as pistas ou, entre outras, manobras no solo. Outro constrangimento referido pela Força Aérea é o dos "atrasos nos voos de experiência", em especial dos helicópteros EH101, que se realizam à vertical do aeródromo.

Relativamente fácil de concretizar em Tancos, no complexo quadro de mudanças associadas ao alargamento do aeroporto de Lisboa, seria a coexistência do Exército e da Força Aérea, desde logo porque seria uma demonstração da cultura de actuação conjunta de que há muito se fala nas Forças Armadas.

Tendo de retirar o comando e o Estado-Maior da Brigada de Reacção Rápida do AMT, a proximidade dos regimentos de Para-quedistas e Engenharia ou do Campo de Santa Margarida oferecem alternativas para reinstalação. O mesmo se diga quanto ao hospital de campanha do Exército (contentores e viaturas), que ocupa parte das instalações do aeródromo de Tancos. Em tempos foi equacionada a sua transferência para Abrantes, onde está o Regimento de Apoio Militar de Emergência, mas a ideia terá sido afastada devido à conveniência de estar junto a um aeródromo. (Fonte: DN)