O ministro da Defesa afirmou que Portugal está disponível para reforçar a missão da NATO no combate aos terroristas do auto denominado Estado Islâmico, no Iraque.
À margem de uma reunião da Aliança Atlântica, em Bruxelas, Azeredo Lopes admitiu deslocar para o terreno meios das Forças Armadas, em missões de formação e de apoio logístico.
O ministro sublinhou, contudo, a importância de a missão não colidir com as acções da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos, que tem bombardeado as posições do Estado Islâmico.
“Não vai ser uma missão que se confunda com aquilo que está a fazer a coligação anti-Estado islâmico. Não se devem devem confundir os dois planos. Será uma missão de projecção de estabilidade que poderá passar por actividades similares, por exemplo, aquelas que nós já desempenhamos com muitíssimo mérito - como tem sido publicamente reconhecido - no plano da formação, no plano do apoio logístico em Besmaya. Poderá vir a ocorrer ou reforçar-se esta missão”, descreveu.
A NATO anunciou que vai reforçar a luta contra o Estado Islâmico. Da reunião de ministros da Defesa da Aliança Atlântica sai a garantia de um combate ao terrorismo em várias frentes.
O secretário-geral da NATO promete uma intervenção da aliança consistente e persistente na luta contra o terrorismo. Agora, também com mais meios aéreos. Aos jornalistas anunciou o envio de aviões Awacs (Airborne Warning And Control System).
Jens Stoltenberg fez referência à pronta disponibilidade de alguns aliados em avançarem para o Iraque.
A NATO parece responder ao apelo de Portugal, Espanha, Itália e França para a necessidade de uma atenção maior ao flanco Sul. Um pedido que terá sensibilizado os outros membros da Aliança, que acordaram numa reconfiguração da presença de navios no mar Egeu e no Mediterrâneo para fazer à crise dos refugiados.
Da reunião ministerial de Bruxelas saiu ainda a grande novidade. A partir de agora, o ciberespaço é considerado como um domínio operacional, ou seja uma zona de guerra. Um ataque ao ciberespaço de um aliado ou estrutura da própria NATO pode levar a uma intervenção das forças da aliança, explicou o secretário-geral.
Os ataques no ciberespaço podem ser a vários níveis, mas segundo apurou a Renascença a grande preocupação prende-se com o sector das comunicações.
As decisões finais ficam para a cimeira de Julho, em Varsóvia, mas este encontro de dois dias em Bruxelas também ficou marcado pelos avisos à Rússia. A NATO vai enviar quatro batalhões robustos para a região do Báltico e promete intervir caso algum país aliado seja atacado. (RR)
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16 de junho de 2016
28 de março de 2016
Exército sírio reclama o controlo da cidade histórica de Palmira
Apoiado pela força aérea da Rússia, o exército sírio reclama o controlo da cidade histórica de Palmira. Esta informação foi confirmada às agências internacionais por observadores independentes que dão conta da retirada dos militantes do Daesh. (Sic)
23 de março de 2016
General Carlos Branco. ”O problema está dentro da Europa"
O Major-General Carlos Branco diz, em tom de alerta, que mais do que "lobos solitários", a Europa enfrenta já grupos insurgentes com o apoio de segmentos da população.
“Sem pretender lançar anátemas sobre grupos sociais”, o militar defende, em entrevista à Renascença, que este desenvolvimento tem de ser assumido “sem complexos pela elite política porque só assim se resolve o problema”.
Antigo responsável da Divisão de Cooperação e Segurança da NATO, foi porta-voz da ISAF no Afeganistão tendo uma vasta experiência internacional - ONU, Líbano, Balcãs antes de Dayton – o General Carlos Branco sustenta que o terrorismo não se derrota com “um debate esotérico desligado da realidade”.
“A Europa está em guerra” foi, de novo, uma frase ouvida da elite política europeia depois de Bruxelas. Concorda?
A grande questão é saber com quem estamos em guerra. É importante que as elites europeias identifiquem bem essa entidade. Acho que estamos em guerra. Estamos em várias guerras. Há guerras que são, obviamente, exteriores, mas acho que se começam a definir os contornos de uma guerra interior - uma guerra no interior das nossas fronteiras que emana de cidadãos e de segmentos da população europeia. Não sei se as elites europeias se estavam a referir exactamente ao mesmo. Exige-se que haja uma clarificação sobre a entidade a que nos estamos a referir.
Deduzo da sua resposta ser necessário que os vários países tenham a mesma percepção da ameaça, sem divisão nas elites políticas . É isso?
Isso é fundamental. Mas vejo com muita dificuldade um pensamento comum sobre essa matéria, porque há uma série de variáveis que tornam difícil essa interpretação. Vou ser mais concreto: obviamente que não quero lançar um estigma sobre determinados grupos da população europeia, mas é um facto a radicalização crescente em certos grupos com uma expressão demográfica cada vez mais significativa.
Aliás, o que aconteceu em Bruxelas só é surpresa por ter ocorrido só agora. A surpresa é que grandes segmentos da comunidade muçulmana belga - não toda, mas sobretudo em Bruxelas - estejam radicalizados. Há que perceber que todos estes incidentes que têm tido lugar na Europa - Bruxelas, Paris, e também outros não noticiados - têm uma origem comum. Não têm origem exterior, mas sim em cidadãos europeus que aqui nasceram, cá foram educados e, entretanto, foram radicalizados.
Na lista dos grandes atentados, temos Londres, Madrid, Paris e, agora, Bruxelas. O que falhou, consecutivamente, na percepção da ameaça?
Falhamos. Mas estamos a falhar há muito tempo. A questão tem muito a ver com a forma como foi feita a integração de determinados grupos nas nossas sociedades abertas. É esse o cerne da questão. A não-integração desses grupos é uma das causas directas do fenómeno que estamos a viver. Repito: levanto esta questão não a lançar estigmas sobre ninguém, mas estes factos terão de ser avaliados quando se procurar as causas dos problemas e, não menos importante, as soluções para os problemas.
Há barreiras ideológicas nas elites europeias a concorrer para a falta de eficácia no combate ao problema?
A questão encerra já a resposta. Há, de facto, barreiras. Chama-lhe “ideológicas”. Não me repugna a utilização da palavra, mas são barreiras que decorrem do “politicamente correcto” e que impedem a discussão da verdadeira dimensão dos problemas. Nesta questão da radicalização de segmentos importantes da população muçulmana, é importante apurar as causas. O fenómeno da radicalização assumiu já uma dimensão tal que terá de ser considerado sem que as elites políticas possam fazer vista grossa.
Por exemplo, em França uma sondagem tendo como alvo a população muçulmana, feita em Maio de 2015, apresentou dados preocupantes. Uma parte significativa de uma faixa etária consultada, jovens dos 18 aos 25 anos, via com bons olhos as acções do DAESH (ndr: terroristas do autodenominado estado islâmico). Aqui reside o problema. Não passa por exageros nas interpretações das acções de repressão.
A palavra “guerra” tem de ser medida com cuidado para não despertar reacções extremas xenófobas por parte da população, mas há um problema e esse problema tem de ser resolvido na sua origem.
Não vale a pena estarmos com a repetição "ad nauseam" de slogans e clichés, como dizer que se tem de resolver a questão fora da Europa, porque o grande problema está cá dentro, o problema não está lá fora. É isto que as elites europeias têm de compreender, aliás acho que já compreenderam, não querem é verbalizar.
E como se resolve? Desde logo exigindo maior grau de envolvimento dos líderes comunitários na detecção e prevenção de comportamentos desviantes?
A pergunta integra parte da resposta. É evidente que não há uma só solução. Há várias soluções e muitas não são de curto prazo. As de curto-prazo passam pelo que se está a fazer do ponto de vista repressivo, de actuação directa sobre elementos desviantes.
Mas uma questão fundamental é envolver neste processo os líderes destas comunidades. O envolvimento não passa só pelos líderes religiosos, mas sim de outras origens, porque estes grupos têm diferentes organizações e composições. Esse é um mecanismo de actuação mais há mais.
Outro é trazer para a equação a inclusão social, sendo certo que não se resolve de hoje para amanhã. Lembro os movimentos de imigração sobretudo na década de 60 num período de grande expansão económica. Milhares de pessoas vieram para a Europa que, entretanto, viu o crescimento abrandar, sendo mais difícil integrar estes segmentos socialmente mais frágeis.
Mas também temos o Médio Oriente a desencadear um efeito de desestabilização de dinâmicas sociais e políticas da própria Europa. A crise migratória é ‘o’ exemplo?
Temos de abordar o problema a partir de duas grelhas diferentes de análise. Desde logo distinguir a migração económica que não se pode confundir com refugiados de guerra. Opto pela questão dos refugiados porque está mais relacionada com os problemas actuais do Médio Oriente, em particular, na Síria.
É evidente que a reacção da Europa não está a ser homogénea face a um problema que afecta distintos países de forma diferente. Esta é a razão central da crise que se vive. Mas há outra causa: a questão da liderança. Aqui quando falo de Europa falo do Serviço Europeu para a Acção Externa (SEAE) (ndr: com funções de condução de política externa e de segurança europeia) de quem se esperava uma maior capacidade de mobilização.
É um facto que o SEAE está desaparecido, não tem estado presente nestes grandes debates. Mas não é caso único. A ausência da Alta Representante (NDR: Federica Mogherini) tem-se registado noutros momentos igualmente desafiadores da política externa europeia.
Exemplo?
O caso da Ucrânia em que a Alta Representante não teve uma atitude assertiva e criou espaço para que o problema tivesse de ser gerido por um directório de país em vez de ser dirimido nas instâncias europeias.
Esta Europa falha também por omissão no Médio Oriente?
Não há propriamente “uma Europa”. A Europa é, cada vez mais, uma expressão demográfica do que outra coisa. Nessas matérias há opiniões muito divergentes entre os diferentes países membros da União. Há países com leituras diametralmente opostas de outros parceiros. Não há um interesse comum. A ausência de objectivos partilhados agrava a dificuldade de unir esforços para debelar desafios.
Essa falta faz-se sentir na eficácia do âmbito operativo. Por exemplo, neste caso, a polícia belga poderia ter feito mais?
É muito difícil responder a essa questão. Penso que muito poucas pessoas se poderão pronunciar com rigor sobre a matéria. É extremamente difícil poder controlar este tipo de actos. O adversário tem a iniciativa e trabalha na clandestinidade.
Não tenho informação para fazer uma avaliação da qualidade da repetição da coordenação dos serviços de segurança. É fundamental que haja essa coordenação. Mas a questão aqui radica na essência de determinados actos que são completamente impossíveis de prever. Esse será o grande desafio das nossas sociedades. Vamos ter de lidar com este problema.
No horizonte imediato, temos uma mega manifestação desportiva, o Europeu de futebol, em França, no Verão. A sua eventual suspensão seria uma derrota face à ameaça terrorista?
Não realizar o Europeu de futebol seria claramente ceder ao medo, ceder aos objectivos dos terroristas. É exactamente isso que eles pretendem. Chama-lhe terrorista, mas acho estar na altura do debate se alargar e aludir a “acções terroristas”, será mais correcto e mais esclarecedor.
Nesta altura, estes grupos já não são só terroristas. São grupos insurgentes, adquirindo uma nova qualidade. São grupos com o apoio da população. O segmento da população que é potencialmente o seu santuário já tem uma dimensão apreciável.
Por exemplo, o diário Público deu uma notícia interessante, a propósito deste elemento detido há dias na Bélgica [Salah Abdeslam], revelando que contou com o apoio de vizinhos, teve a ajuda da população. Ou seja, não são só actos terroristas isolados ou por grupos sem ligações à população. Este caso concreto denuncia o envolvimento de uma comunidade. Mais uma vez, sem querer lançar anátemas sobre grupos sociais, temos de perceber que há uma nova qualidade neste tipo de acções.
Esse novo elemento tem de ser assumido, sem complexos, sem preconceitos, pelos responsáveis políticos porque só assim se consegue resolver o problema. Caso contrário, estaremos permanentemente a enterrar a cabeça na areia e com discursos que não abordam verdadeiramente o cerne na questão. Este dado tem de ser necessariamente introduzido na agenda e na equação
Os Estados Unidos assumiram um conjunto de medidas de excepção no pós-11 Setembro que têm sido criticadas, mas também terão evitado atentados. Nesta altura, vive-se o debate Apple/Justiça sobre acesso a dados de comunicações. Há lições a reter para a Europa?
A Europa tem de extrair ensinamentos dos Estados Unidos. Há lições a ter em conta para o bom e para o mau. Devemos evitar os erros e procurar beneficiar das conclusões positivas. Há uma fronteira ténue – um limbo - entre liberdade individual e segurança colectiva. Sei ser difícil de dirimir. Tendo a privilegiar a liberdade individual, mas o debate tem de ser aprofundado.
É chegado o momento dos europeus admitirem concessões na liberdade individual?
É chegado o momento do debate se aprofundar na Europa. É o dado indiscutível. O que vai sair desse debate, envolvendo os cidadãos e o que os especialistas perceberam ser o mais adequado, será o que se deverá ter em conta. As soluções europeias não têm necessariamente de ser as mesmas dos Estados Unidos.
O ‘filtro’ europeu para viagens ou comunicações pessoais, por exemplo, deve ser mais fino que o ‘filtro’ norte-americano?
O nosso filtro tem de se basear em diferentes paradigmas. Não contesto que a questão das comunicações deve ser avaliada, mas voltamos ao início da entrevista: perceber a origem do problema. Só adoptando as medidas adequadas para resolver o problema é que se dará o passo em frente. Não dando o passo em frente estaremos sempre a receitar medicamentos que não debelam a doença. A doença continua a alastrar-se, aumenta-se a dose de medicamentos não adequada e não se resolve problema algum. Por isso é fundamental travar este debate porque os problemas na Europa não são os mesmos nos Estados Unidos. As soluções não podem ser as mesmas. As causas – de ordem interna europeia - têm se ser discutidas. Algumas decorrem da falta de integração de certos grupos sociais. As soluções devem ser pensadas a partir desta base.
Não se pode ter um debate esotérico desligado da realidade. Tem de resultar da observação social, da análise de como estes grupos se interrelacionam e como agem com o conjunto da sociedade.
Para além das elites religiosas com quem importa ter uma relação privilegiada, há outro tipo de elites nesses grupos nomeadamente de natureza económica. Essas elites económicas desses grupos sociais devem também ser convocadas para esta batalha. Temos de aprofundar a análise e saber como resolver a questão. Estar a discutir restrições às liberdades individuais e ter por fazer todo o debate sobre as origens da ameaça é comprometer completamente qualquer possibilidade de se dar uma resposta eficaz. (RR)
“Sem pretender lançar anátemas sobre grupos sociais”, o militar defende, em entrevista à Renascença, que este desenvolvimento tem de ser assumido “sem complexos pela elite política porque só assim se resolve o problema”.
Antigo responsável da Divisão de Cooperação e Segurança da NATO, foi porta-voz da ISAF no Afeganistão tendo uma vasta experiência internacional - ONU, Líbano, Balcãs antes de Dayton – o General Carlos Branco sustenta que o terrorismo não se derrota com “um debate esotérico desligado da realidade”.
“A Europa está em guerra” foi, de novo, uma frase ouvida da elite política europeia depois de Bruxelas. Concorda?
A grande questão é saber com quem estamos em guerra. É importante que as elites europeias identifiquem bem essa entidade. Acho que estamos em guerra. Estamos em várias guerras. Há guerras que são, obviamente, exteriores, mas acho que se começam a definir os contornos de uma guerra interior - uma guerra no interior das nossas fronteiras que emana de cidadãos e de segmentos da população europeia. Não sei se as elites europeias se estavam a referir exactamente ao mesmo. Exige-se que haja uma clarificação sobre a entidade a que nos estamos a referir.
Deduzo da sua resposta ser necessário que os vários países tenham a mesma percepção da ameaça, sem divisão nas elites políticas . É isso?
Isso é fundamental. Mas vejo com muita dificuldade um pensamento comum sobre essa matéria, porque há uma série de variáveis que tornam difícil essa interpretação. Vou ser mais concreto: obviamente que não quero lançar um estigma sobre determinados grupos da população europeia, mas é um facto a radicalização crescente em certos grupos com uma expressão demográfica cada vez mais significativa.
Aliás, o que aconteceu em Bruxelas só é surpresa por ter ocorrido só agora. A surpresa é que grandes segmentos da comunidade muçulmana belga - não toda, mas sobretudo em Bruxelas - estejam radicalizados. Há que perceber que todos estes incidentes que têm tido lugar na Europa - Bruxelas, Paris, e também outros não noticiados - têm uma origem comum. Não têm origem exterior, mas sim em cidadãos europeus que aqui nasceram, cá foram educados e, entretanto, foram radicalizados.
Na lista dos grandes atentados, temos Londres, Madrid, Paris e, agora, Bruxelas. O que falhou, consecutivamente, na percepção da ameaça?
Falhamos. Mas estamos a falhar há muito tempo. A questão tem muito a ver com a forma como foi feita a integração de determinados grupos nas nossas sociedades abertas. É esse o cerne da questão. A não-integração desses grupos é uma das causas directas do fenómeno que estamos a viver. Repito: levanto esta questão não a lançar estigmas sobre ninguém, mas estes factos terão de ser avaliados quando se procurar as causas dos problemas e, não menos importante, as soluções para os problemas.
Há barreiras ideológicas nas elites europeias a concorrer para a falta de eficácia no combate ao problema?
A questão encerra já a resposta. Há, de facto, barreiras. Chama-lhe “ideológicas”. Não me repugna a utilização da palavra, mas são barreiras que decorrem do “politicamente correcto” e que impedem a discussão da verdadeira dimensão dos problemas. Nesta questão da radicalização de segmentos importantes da população muçulmana, é importante apurar as causas. O fenómeno da radicalização assumiu já uma dimensão tal que terá de ser considerado sem que as elites políticas possam fazer vista grossa.
Por exemplo, em França uma sondagem tendo como alvo a população muçulmana, feita em Maio de 2015, apresentou dados preocupantes. Uma parte significativa de uma faixa etária consultada, jovens dos 18 aos 25 anos, via com bons olhos as acções do DAESH (ndr: terroristas do autodenominado estado islâmico). Aqui reside o problema. Não passa por exageros nas interpretações das acções de repressão.
A palavra “guerra” tem de ser medida com cuidado para não despertar reacções extremas xenófobas por parte da população, mas há um problema e esse problema tem de ser resolvido na sua origem.
Não vale a pena estarmos com a repetição "ad nauseam" de slogans e clichés, como dizer que se tem de resolver a questão fora da Europa, porque o grande problema está cá dentro, o problema não está lá fora. É isto que as elites europeias têm de compreender, aliás acho que já compreenderam, não querem é verbalizar.
E como se resolve? Desde logo exigindo maior grau de envolvimento dos líderes comunitários na detecção e prevenção de comportamentos desviantes?
A pergunta integra parte da resposta. É evidente que não há uma só solução. Há várias soluções e muitas não são de curto prazo. As de curto-prazo passam pelo que se está a fazer do ponto de vista repressivo, de actuação directa sobre elementos desviantes.
Mas uma questão fundamental é envolver neste processo os líderes destas comunidades. O envolvimento não passa só pelos líderes religiosos, mas sim de outras origens, porque estes grupos têm diferentes organizações e composições. Esse é um mecanismo de actuação mais há mais.
Outro é trazer para a equação a inclusão social, sendo certo que não se resolve de hoje para amanhã. Lembro os movimentos de imigração sobretudo na década de 60 num período de grande expansão económica. Milhares de pessoas vieram para a Europa que, entretanto, viu o crescimento abrandar, sendo mais difícil integrar estes segmentos socialmente mais frágeis.
Mas também temos o Médio Oriente a desencadear um efeito de desestabilização de dinâmicas sociais e políticas da própria Europa. A crise migratória é ‘o’ exemplo?
Temos de abordar o problema a partir de duas grelhas diferentes de análise. Desde logo distinguir a migração económica que não se pode confundir com refugiados de guerra. Opto pela questão dos refugiados porque está mais relacionada com os problemas actuais do Médio Oriente, em particular, na Síria.
É evidente que a reacção da Europa não está a ser homogénea face a um problema que afecta distintos países de forma diferente. Esta é a razão central da crise que se vive. Mas há outra causa: a questão da liderança. Aqui quando falo de Europa falo do Serviço Europeu para a Acção Externa (SEAE) (ndr: com funções de condução de política externa e de segurança europeia) de quem se esperava uma maior capacidade de mobilização.
É um facto que o SEAE está desaparecido, não tem estado presente nestes grandes debates. Mas não é caso único. A ausência da Alta Representante (NDR: Federica Mogherini) tem-se registado noutros momentos igualmente desafiadores da política externa europeia.
Exemplo?
O caso da Ucrânia em que a Alta Representante não teve uma atitude assertiva e criou espaço para que o problema tivesse de ser gerido por um directório de país em vez de ser dirimido nas instâncias europeias.
Esta Europa falha também por omissão no Médio Oriente?
Não há propriamente “uma Europa”. A Europa é, cada vez mais, uma expressão demográfica do que outra coisa. Nessas matérias há opiniões muito divergentes entre os diferentes países membros da União. Há países com leituras diametralmente opostas de outros parceiros. Não há um interesse comum. A ausência de objectivos partilhados agrava a dificuldade de unir esforços para debelar desafios.
Essa falta faz-se sentir na eficácia do âmbito operativo. Por exemplo, neste caso, a polícia belga poderia ter feito mais?
É muito difícil responder a essa questão. Penso que muito poucas pessoas se poderão pronunciar com rigor sobre a matéria. É extremamente difícil poder controlar este tipo de actos. O adversário tem a iniciativa e trabalha na clandestinidade.
Não tenho informação para fazer uma avaliação da qualidade da repetição da coordenação dos serviços de segurança. É fundamental que haja essa coordenação. Mas a questão aqui radica na essência de determinados actos que são completamente impossíveis de prever. Esse será o grande desafio das nossas sociedades. Vamos ter de lidar com este problema.
No horizonte imediato, temos uma mega manifestação desportiva, o Europeu de futebol, em França, no Verão. A sua eventual suspensão seria uma derrota face à ameaça terrorista?
Não realizar o Europeu de futebol seria claramente ceder ao medo, ceder aos objectivos dos terroristas. É exactamente isso que eles pretendem. Chama-lhe terrorista, mas acho estar na altura do debate se alargar e aludir a “acções terroristas”, será mais correcto e mais esclarecedor.
Nesta altura, estes grupos já não são só terroristas. São grupos insurgentes, adquirindo uma nova qualidade. São grupos com o apoio da população. O segmento da população que é potencialmente o seu santuário já tem uma dimensão apreciável.
Por exemplo, o diário Público deu uma notícia interessante, a propósito deste elemento detido há dias na Bélgica [Salah Abdeslam], revelando que contou com o apoio de vizinhos, teve a ajuda da população. Ou seja, não são só actos terroristas isolados ou por grupos sem ligações à população. Este caso concreto denuncia o envolvimento de uma comunidade. Mais uma vez, sem querer lançar anátemas sobre grupos sociais, temos de perceber que há uma nova qualidade neste tipo de acções.
Esse novo elemento tem de ser assumido, sem complexos, sem preconceitos, pelos responsáveis políticos porque só assim se consegue resolver o problema. Caso contrário, estaremos permanentemente a enterrar a cabeça na areia e com discursos que não abordam verdadeiramente o cerne na questão. Este dado tem de ser necessariamente introduzido na agenda e na equação
Os Estados Unidos assumiram um conjunto de medidas de excepção no pós-11 Setembro que têm sido criticadas, mas também terão evitado atentados. Nesta altura, vive-se o debate Apple/Justiça sobre acesso a dados de comunicações. Há lições a reter para a Europa?
A Europa tem de extrair ensinamentos dos Estados Unidos. Há lições a ter em conta para o bom e para o mau. Devemos evitar os erros e procurar beneficiar das conclusões positivas. Há uma fronteira ténue – um limbo - entre liberdade individual e segurança colectiva. Sei ser difícil de dirimir. Tendo a privilegiar a liberdade individual, mas o debate tem de ser aprofundado.
É chegado o momento dos europeus admitirem concessões na liberdade individual?
É chegado o momento do debate se aprofundar na Europa. É o dado indiscutível. O que vai sair desse debate, envolvendo os cidadãos e o que os especialistas perceberam ser o mais adequado, será o que se deverá ter em conta. As soluções europeias não têm necessariamente de ser as mesmas dos Estados Unidos.
O ‘filtro’ europeu para viagens ou comunicações pessoais, por exemplo, deve ser mais fino que o ‘filtro’ norte-americano?
O nosso filtro tem de se basear em diferentes paradigmas. Não contesto que a questão das comunicações deve ser avaliada, mas voltamos ao início da entrevista: perceber a origem do problema. Só adoptando as medidas adequadas para resolver o problema é que se dará o passo em frente. Não dando o passo em frente estaremos sempre a receitar medicamentos que não debelam a doença. A doença continua a alastrar-se, aumenta-se a dose de medicamentos não adequada e não se resolve problema algum. Por isso é fundamental travar este debate porque os problemas na Europa não são os mesmos nos Estados Unidos. As soluções não podem ser as mesmas. As causas – de ordem interna europeia - têm se ser discutidas. Algumas decorrem da falta de integração de certos grupos sociais. As soluções devem ser pensadas a partir desta base.
Não se pode ter um debate esotérico desligado da realidade. Tem de resultar da observação social, da análise de como estes grupos se interrelacionam e como agem com o conjunto da sociedade.
Para além das elites religiosas com quem importa ter uma relação privilegiada, há outro tipo de elites nesses grupos nomeadamente de natureza económica. Essas elites económicas desses grupos sociais devem também ser convocadas para esta batalha. Temos de aprofundar a análise e saber como resolver a questão. Estar a discutir restrições às liberdades individuais e ter por fazer todo o debate sobre as origens da ameaça é comprometer completamente qualquer possibilidade de se dar uma resposta eficaz. (RR)
15 de fevereiro de 2016
Irão e Rússia avisam Arábia Saudita
Recados, avisos, ameaças. Estes têm sido os ingredientes das declarações trocadas nos últimos dias por altos responsáveis internacionais sobre o conflito sírio. Ontem, o regime iraniano advertiu os sauditas para uma eventual retaliação caso as suas tropas entrem por terra em território da Síria. E a Rússia alertou para o risco de uma guerra total e longa naquele país.
"Não permitiremos que a situação na Síria evolua de acordo com a vontade de "países rebeldes". Tomaremos decisões no momento certo", disse à televisão Al-Alam o adjunto do chefe do estado maior das Forças Armadas do Irão Massoud Jazayeri.
No mesmo dia um alto responsável militar da Arábia Saudita, o brigadeiro-general Ahmed Assiri, em declarações à televisão Al-Jazeera, confirmou o posicionamento de aviões sauditas na base aérea militar turca de Incirlik. "Os aviões da força aérea saudita estão presentes com as suas tripulações para intensificar as operações aéreas [contra o Estado Islâmico]", disse o militar, que foi o primeiro responsável a falar numa eventual ofensiva terrestre dos sauditas na Síria.
"A Arábia Saudita está agora a enviar aviões para a base de Incirlik. "É uma intenção, não há um plano. A Arábia Saudita está a enviar aviões e a dizer "Posso mandar soldados por terra caso seja necessário". Turquia e Arábia Saudita podem juntar-se numa operação terrestre", disse na véspera o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlut Cavusoglu, em entrevista ao jornal 'Yeni Safak' à margem da Conferência sobre Segurança de Munique.
No âmbito deste mesmo evento, o ministro dos Negócios Estrangeiros saudita, Adel al-Jubeir, admitiu, em declarações à televisão CNN, a possibilidade de derrubar pela força o presidente sírio Bashar al-Assad caso este se recuse a sair através da negociação política. "Acredito que Bashar al-Assad está acabado. Irá sair - não tenho dúvidas sobre isso. Ou sai através de um processo político ou será removido pela força", declarou o chefe da diplomacia do regime de Riade.
Arábia Saudita avisa Assad: "Ou sai pelo processo político ou pela força"
Frequentemente acusada de estar na origem do Estado Islâmico, a participar já nos bombardeamentos aéreos contra os terroristas, a Arábia Saudita assume agora a iniciativa de se disponibilizar para lançar uma ofensiva por terra. Ressalvando, porém, que tal só aconteceria com o aval e participação da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos. Ontem, o mesmo ministro saudita afirmou em conferência de imprensa que nem a Rússia poderá valer a Assad. "[Ele] tem procurado o apoio da Rússia mas Moscovo não vai conseguir salvá-lo", alertou Adel al-Jubeir, citado pelas agências internacionais.
Os EUA insistem na necessidade de os russos pararem os bombardeamentos aéreos contra grupos que combatem o regime de Assad (que além da Rússia é apoiado pelo Irão e o Hezbollah). Numa conversa telefónica que ontem teve com o presidente russo, o presidente norte-americano "enfatizou a importância de a Rússia ter um papel construtivo e aliviar os ataques aéreos contra as forças da oposição moderadas na Síria", referiu um comunicado da Casa Branca.
Do lado de Moscovo, segundo um comunicado do Kremlin, Vladimir Putin e Barack Obama acordaram uma maior cooperação para implementar o acordo de cessar-fogo para a Síria, que foi acordado na sexta-feira. "Em particular, foi manifestado apoio aos esforços em dois campos principais: o do cessar-fogo e o da ajuda humanitária", indicou o comunicado, realçando que os dois líderes acordaram a necessidade de estreitar os contactos entre os ministérios da Defesa da Rússia e dos EUA para "combater com êxito o Estado Islâmico e outras organizações terroristas".
Cessar fogo é vitória para Assad. Poucos acreditam na paz
Recorde-se que, na véspera, na conferência de Munique, o primeiro-ministro russo tinha garantido ser falso que o seu país esteja a bombardear civis na Síria. Dmitri Medvedev foi mais longe e declarou: "Para ser sincero, parece que estamos a mover-nos rapidamente para um período de nova Guerra Fria." Ontem, à Euronews TV, o governante russo avisou que qualquer ofensiva terrestre na Síria levará a uma guerra total e longa. "Ninguém está interessado numa nova guerra e uma operação terrestre conduzirá a uma guerra total e longa", disse, numa altura em que o conflito sírio (que vai entrar no seu quinto ano) já fez pelo menos 470 mil mortos.
Uma fonte militar da Síria citada pela agência Reuters afirmou que o exército sírio tenciona avançar sobre as posições controladas pelo Estado Islâmico em Raqqa. Um avanço sobre esta cidade tornaria mais difícil de justificar uma acção terrestre da Arábia Saudita. Entretanto, prossegue a ofensiva das tropas de Assad para tentar recuperar Aleppo, a maior cidade da Síria. Ontem surgiram ainda apelos por parte da França e dos EUA para que acabem os bombardeamentos aéreos das forças da Turquia, que aproveitaram já para atacar posições curdas em território sírio. Mas Ancara reafirmou que continuará a bombardear posições curdas. (DN)
"Não permitiremos que a situação na Síria evolua de acordo com a vontade de "países rebeldes". Tomaremos decisões no momento certo", disse à televisão Al-Alam o adjunto do chefe do estado maior das Forças Armadas do Irão Massoud Jazayeri.
No mesmo dia um alto responsável militar da Arábia Saudita, o brigadeiro-general Ahmed Assiri, em declarações à televisão Al-Jazeera, confirmou o posicionamento de aviões sauditas na base aérea militar turca de Incirlik. "Os aviões da força aérea saudita estão presentes com as suas tripulações para intensificar as operações aéreas [contra o Estado Islâmico]", disse o militar, que foi o primeiro responsável a falar numa eventual ofensiva terrestre dos sauditas na Síria.
"A Arábia Saudita está agora a enviar aviões para a base de Incirlik. "É uma intenção, não há um plano. A Arábia Saudita está a enviar aviões e a dizer "Posso mandar soldados por terra caso seja necessário". Turquia e Arábia Saudita podem juntar-se numa operação terrestre", disse na véspera o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlut Cavusoglu, em entrevista ao jornal 'Yeni Safak' à margem da Conferência sobre Segurança de Munique.
No âmbito deste mesmo evento, o ministro dos Negócios Estrangeiros saudita, Adel al-Jubeir, admitiu, em declarações à televisão CNN, a possibilidade de derrubar pela força o presidente sírio Bashar al-Assad caso este se recuse a sair através da negociação política. "Acredito que Bashar al-Assad está acabado. Irá sair - não tenho dúvidas sobre isso. Ou sai através de um processo político ou será removido pela força", declarou o chefe da diplomacia do regime de Riade.
Arábia Saudita avisa Assad: "Ou sai pelo processo político ou pela força"
Frequentemente acusada de estar na origem do Estado Islâmico, a participar já nos bombardeamentos aéreos contra os terroristas, a Arábia Saudita assume agora a iniciativa de se disponibilizar para lançar uma ofensiva por terra. Ressalvando, porém, que tal só aconteceria com o aval e participação da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos. Ontem, o mesmo ministro saudita afirmou em conferência de imprensa que nem a Rússia poderá valer a Assad. "[Ele] tem procurado o apoio da Rússia mas Moscovo não vai conseguir salvá-lo", alertou Adel al-Jubeir, citado pelas agências internacionais.
Os EUA insistem na necessidade de os russos pararem os bombardeamentos aéreos contra grupos que combatem o regime de Assad (que além da Rússia é apoiado pelo Irão e o Hezbollah). Numa conversa telefónica que ontem teve com o presidente russo, o presidente norte-americano "enfatizou a importância de a Rússia ter um papel construtivo e aliviar os ataques aéreos contra as forças da oposição moderadas na Síria", referiu um comunicado da Casa Branca.
Do lado de Moscovo, segundo um comunicado do Kremlin, Vladimir Putin e Barack Obama acordaram uma maior cooperação para implementar o acordo de cessar-fogo para a Síria, que foi acordado na sexta-feira. "Em particular, foi manifestado apoio aos esforços em dois campos principais: o do cessar-fogo e o da ajuda humanitária", indicou o comunicado, realçando que os dois líderes acordaram a necessidade de estreitar os contactos entre os ministérios da Defesa da Rússia e dos EUA para "combater com êxito o Estado Islâmico e outras organizações terroristas".
Cessar fogo é vitória para Assad. Poucos acreditam na paz
Recorde-se que, na véspera, na conferência de Munique, o primeiro-ministro russo tinha garantido ser falso que o seu país esteja a bombardear civis na Síria. Dmitri Medvedev foi mais longe e declarou: "Para ser sincero, parece que estamos a mover-nos rapidamente para um período de nova Guerra Fria." Ontem, à Euronews TV, o governante russo avisou que qualquer ofensiva terrestre na Síria levará a uma guerra total e longa. "Ninguém está interessado numa nova guerra e uma operação terrestre conduzirá a uma guerra total e longa", disse, numa altura em que o conflito sírio (que vai entrar no seu quinto ano) já fez pelo menos 470 mil mortos.
Uma fonte militar da Síria citada pela agência Reuters afirmou que o exército sírio tenciona avançar sobre as posições controladas pelo Estado Islâmico em Raqqa. Um avanço sobre esta cidade tornaria mais difícil de justificar uma acção terrestre da Arábia Saudita. Entretanto, prossegue a ofensiva das tropas de Assad para tentar recuperar Aleppo, a maior cidade da Síria. Ontem surgiram ainda apelos por parte da França e dos EUA para que acabem os bombardeamentos aéreos das forças da Turquia, que aproveitaram já para atacar posições curdas em território sírio. Mas Ancara reafirmou que continuará a bombardear posições curdas. (DN)
10 de fevereiro de 2016
Ministro da Defesa na primeira cimeira NATO contra o Estado Islâmico
O Ministro da Defesa, José Azeredo Lopes, participa quarta e quinta-feira, em Bruxelas, na cimeira de ministros da Defesa Nacional da NATO, que inclui a primeira reunião específica da coligação contra o grupo extremista Estado Islâmico (EI).
Portugal, disse à agência Lusa fonte governamental, "está empenhado, à medida das suas capacidades, em apoiar os seus parceiros de aliança no combate às novas ameaças, designadamente à ameaça que hoje representa o 'Daesh'", o autoproclamado Estado Islâmico.
O encontro da NATO será oportunidade para o ministro transmitir a posição portuguesa no encontro especial de quinta-feira, pelas 15:30 (horas em Lisboa), promovido pelo secretário de Estado da Defesa norte-americano, Ash Carter, dedicado ao combate ao terrorismo transnacional do EI.
Entre quarta e quinta-feira, Azeredo Lopes vai reunir-se com os seus pares do Conselho do Atlântico Norte, além da Comissão NATO-Geórgia.
O responsável pela tutela tem afirmado que a estratégia de segurança da União Europeia (UE), adotada em 2003 e revista em 2008, "deixou de conseguir responder plenamente aos desafios geopolíticos em acelerada transformação", designadamente o terrorismo, as crises migratórias e a tensão a Leste.
A proposta de Orçamento do Estado para 2016 já prevê um aumento de 7,4% face à execução provisória de 2015 e dotações específicas para as Forças Nacionais Destacadas (FND) de mais seis milhões de euros e de mais 39 milhões de euros para a Lei de Programação Militar (LPM).
Para o ministro da Defesa Nacional, que esteve na passada semana na reunião informal da Defesa da UE, em Amesterdão, é urgente que a Europa estabeleça a sua própria estratégia assente em pilares de política externa e de segurança que sirvam "as suas premissas civilizacionais, sem subestimar a dimensão da Defesa na discussão da sua nova estratégia global", devendo Bruxelas adotar em junho uma forte componente daquele setor na sua estratégia global.
Por seu turno, no início do mês, o secretário-geral da NATO, o norueguês Jens Stoltenberg, saudou a proposta dos Estados Unidos de reforçar "de forma significativa" a sua presença militar na Europa.
A Aliança Atlântica aprovou a decisão do "Pentágono" de empregar cerca de 583 mil milhões de dólares (537 mil milhões de euros) no seu orçamento para 2017 para o combate ao grupo 'jihadista' Estado Islâmico e na estratégia norte-americana no "Velho Continente". (Expresso)
Portugal, disse à agência Lusa fonte governamental, "está empenhado, à medida das suas capacidades, em apoiar os seus parceiros de aliança no combate às novas ameaças, designadamente à ameaça que hoje representa o 'Daesh'", o autoproclamado Estado Islâmico.
O encontro da NATO será oportunidade para o ministro transmitir a posição portuguesa no encontro especial de quinta-feira, pelas 15:30 (horas em Lisboa), promovido pelo secretário de Estado da Defesa norte-americano, Ash Carter, dedicado ao combate ao terrorismo transnacional do EI.
Entre quarta e quinta-feira, Azeredo Lopes vai reunir-se com os seus pares do Conselho do Atlântico Norte, além da Comissão NATO-Geórgia.
O responsável pela tutela tem afirmado que a estratégia de segurança da União Europeia (UE), adotada em 2003 e revista em 2008, "deixou de conseguir responder plenamente aos desafios geopolíticos em acelerada transformação", designadamente o terrorismo, as crises migratórias e a tensão a Leste.
A proposta de Orçamento do Estado para 2016 já prevê um aumento de 7,4% face à execução provisória de 2015 e dotações específicas para as Forças Nacionais Destacadas (FND) de mais seis milhões de euros e de mais 39 milhões de euros para a Lei de Programação Militar (LPM).
Para o ministro da Defesa Nacional, que esteve na passada semana na reunião informal da Defesa da UE, em Amesterdão, é urgente que a Europa estabeleça a sua própria estratégia assente em pilares de política externa e de segurança que sirvam "as suas premissas civilizacionais, sem subestimar a dimensão da Defesa na discussão da sua nova estratégia global", devendo Bruxelas adotar em junho uma forte componente daquele setor na sua estratégia global.
Por seu turno, no início do mês, o secretário-geral da NATO, o norueguês Jens Stoltenberg, saudou a proposta dos Estados Unidos de reforçar "de forma significativa" a sua presença militar na Europa.
A Aliança Atlântica aprovou a decisão do "Pentágono" de empregar cerca de 583 mil milhões de dólares (537 mil milhões de euros) no seu orçamento para 2017 para o combate ao grupo 'jihadista' Estado Islâmico e na estratégia norte-americana no "Velho Continente". (Expresso)
28 de dezembro de 2015
Ramadi foi ou não conquistada?
Notícias contraditórias chegavam na noite passada sobre o avanço das tropas iraquianas sobre a cidade estratégica de Ramadi, no centro do Iraque e a cerca de 100 quilómetros de Bagdade.
A Reuters e a Agence-France Presse citavam o porta-voz das forças antiterroristas de elite, Sabah al Numani, que afirmava que o exército de Bagdade tinha tomado o complexo governamental da cidade. “Todos os combatentes do Daesh [acrónimo para Estado Islâmico, que o grupo rejeita] partiram. Não há qualquer resistência”, anunciou. Esta versão era acompanhada pela BBC, que citava uma fonte anónima que explicava que a conquista “significa a derrota do EI na cidade”, apesar de admitir que ainda existam “bolsas de resistentes”.
Mas a Associated Press, sensivelmente à mesma hora, dizia que o Estado Islâmico estava a oferecer grande resistência na cidade, atrasando o avanço das tropas iraquianas. Citava um alto responsável do exército, o general Ismail al-Mahlawi, chefe das operações militares na província Anbar ( cuja capital é Ramadi). Este elemento disse à AP que “o avanço está a ser dificultado por bombistas suicidas, snipers e armadilhas”.
O exército “irá precisar de dias” até chegar ao complexo governamental central, acrescentou o militar, adiantando que ontem as tropas estavam a cerca de um quilómetro do alvo.
Não negou, mas também não confirmou, as notícias avançadas por meios de comunicação social de que os combatentes tinham retirado do complexo ao anoitecer de domingo. Apenas adiantou informações dadas pelos residentes na área de que os terroristas tinham retirado do bairro de Albu Alwan, adjacente ao complexo.
Uma declaração feita na noite de ontem pelo comando conjunto iraquiano, também citada pela AP, anunciava que a operação em Anbar estava a decorrer como programado e que as forças iraquianas continuavam a cercar o complexo governamental em Ramadi, não mencionando qualquer retirada de militantes do EI na área.
A capital da província foi capturada pelo Estado islâmico em Maio, infligindo um rude golpe às forças do país.
Entretanto, também ontem, a Al Jazzera noticiava que as forças curdas no Iraque tinham lançado um raid contra o EI na cidade de Hawija, a norte. O ataque terá decorrido com a ajuda de forças especiais norte-americanas e teve o objectivo de libertar elementos do exército curdo, os peshmerga. (I)
A Reuters e a Agence-France Presse citavam o porta-voz das forças antiterroristas de elite, Sabah al Numani, que afirmava que o exército de Bagdade tinha tomado o complexo governamental da cidade. “Todos os combatentes do Daesh [acrónimo para Estado Islâmico, que o grupo rejeita] partiram. Não há qualquer resistência”, anunciou. Esta versão era acompanhada pela BBC, que citava uma fonte anónima que explicava que a conquista “significa a derrota do EI na cidade”, apesar de admitir que ainda existam “bolsas de resistentes”.
Mas a Associated Press, sensivelmente à mesma hora, dizia que o Estado Islâmico estava a oferecer grande resistência na cidade, atrasando o avanço das tropas iraquianas. Citava um alto responsável do exército, o general Ismail al-Mahlawi, chefe das operações militares na província Anbar ( cuja capital é Ramadi). Este elemento disse à AP que “o avanço está a ser dificultado por bombistas suicidas, snipers e armadilhas”.
O exército “irá precisar de dias” até chegar ao complexo governamental central, acrescentou o militar, adiantando que ontem as tropas estavam a cerca de um quilómetro do alvo.
Não negou, mas também não confirmou, as notícias avançadas por meios de comunicação social de que os combatentes tinham retirado do complexo ao anoitecer de domingo. Apenas adiantou informações dadas pelos residentes na área de que os terroristas tinham retirado do bairro de Albu Alwan, adjacente ao complexo.
Uma declaração feita na noite de ontem pelo comando conjunto iraquiano, também citada pela AP, anunciava que a operação em Anbar estava a decorrer como programado e que as forças iraquianas continuavam a cercar o complexo governamental em Ramadi, não mencionando qualquer retirada de militantes do EI na área.
A capital da província foi capturada pelo Estado islâmico em Maio, infligindo um rude golpe às forças do país.
Entretanto, também ontem, a Al Jazzera noticiava que as forças curdas no Iraque tinham lançado um raid contra o EI na cidade de Hawija, a norte. O ataque terá decorrido com a ajuda de forças especiais norte-americanas e teve o objectivo de libertar elementos do exército curdo, os peshmerga. (I)
18 de dezembro de 2015
Portugal não vai participar em operações militares na Síria
O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, fez saber esta quarta-feira que Portugal poderá ser chamado a intervir em operações militares ao redor do globo, isto numa altura em que estão a decorrer conversações com a França.
O pedido foi feito após os atentados em Paris, no dia 13 de Novembro, terem causado a morte a mais de 100 pessoas.
Descartado está a hipótese de Portugal participa em missões na Síria, onde a Rússia, Reino Unido, França ou Estados Unidos têm levado a cabo bombardeamentos.
«Não lhe vou dizer quais são as três opções principais que temos perante nós, [mas] o teatro de operações envolvido não diz directamente respeito à Síria», referiu Azeredo Lopes, no fim da sessão solene de abertura do ano académico do Instituto da Defesa Nacional, em Lisboa. (Abola)
O pedido foi feito após os atentados em Paris, no dia 13 de Novembro, terem causado a morte a mais de 100 pessoas.
Descartado está a hipótese de Portugal participa em missões na Síria, onde a Rússia, Reino Unido, França ou Estados Unidos têm levado a cabo bombardeamentos.
«Não lhe vou dizer quais são as três opções principais que temos perante nós, [mas] o teatro de operações envolvido não diz directamente respeito à Síria», referiu Azeredo Lopes, no fim da sessão solene de abertura do ano académico do Instituto da Defesa Nacional, em Lisboa. (Abola)
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7 de dezembro de 2015
Iraque avisa Turquia para retirar forças militares
O Governo iraquiano avisou esta segunda-feira a Turquia de que se está a esgotar o prazo para retirar as forças que enviou para o norte do Iraque sem permissão, mas Ancara respondeu que é improvável que as retire.
O primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, disse que "já só faltam 24 horas" das 48 que Bagdad deu ao Governo turco para retirar tanques e soldados enviados para uma base perto de Mossul.
Abadi visitou a sede da Força Aérea do país e declarou: "Temos de estar preparados e prontos para defender o Iraque e a sua soberania", indicou o seu gabinete.
"A Força Aérea tem a capacidade de proteger o Iraque e as suas fronteiras de qualquer ameaça que enfrente", acrescentou o chefe do executivo iraquiano.
Mas apesar das duras declarações de Abadi, que está a lutar para manter a soberania do Iraque enquanto recebe ajuda estrangeira para combater o grupo extremista Daesh, a Força Aérea de Bagdad está em clara desvantagem em relação à Turquia em matéria de armamento, e a sua grande arma é apenas a diplomacia.
Um alto responsável turco disse esta segunda-feira que é improvável que Ancara retire as suas forças, que são entre 150 e 300 soldados apoiados por 20 tanques, que foram enviados para uma base na zona de Bashiqa, perto de Mossul, bastião do grupo 'jihadista'.
"Esperamos que fiquem", disse o responsável turco, embora acrescentando que "isso dependerá de negociações".
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraquiano, Ibrahim al-Jaafari, esclareceu esta segunda-feira que o pedido de retirada se aplica apenas ao mais recente destacamento de tropas e equipamento militar turco, e não aos formadores turcos que estão a treinar forças no norte do país há algum tempo.
"O pedido iraquiano [de retirada] diz apenas respeito à violação registada com a presença de forças armadas turcas sem coordenação com o Iraque", disse Jaafari numa conferência de imprensa conjunta com o homólogo alemão, Frank-Walter Steinmeier.
"Os conselheiros são outro assunto; há conselheiros de vários países, e nós aceitámos a presença de conselheiros, mas não a entrada de forças terrestres em território iraquiano", frisou Jaafari.
O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, tentou minimizar o recente envio de tropas, classificando-o como "actividade de rotação rotineira" associada à missão de treino e como "um reforço contra riscos de segurança" (cm)
1 de dezembro de 2015
Como está Portugal a combater o Estado Islâmico?
Portugal comprometeu-se com a Coligação Internacional, liderada pelos Estados Unidos, a dar formação durante um ano às Forças Armadas iraquianas que combatem o auto proclamado Estado Islâmico (Daesh). E está a cumprir o prometido desde maio deste ano, tendo destacado para o campo de treino de Besmayah, a cerca de 50 quilómetros por estrada da capital, Bagdade, uma força de 30 militares do Exército.
A comandar o primeiro destacamento de seis meses, entretanto rendido, esteve o major de infantaria Paulo Lourenço. Em entrevista concedida ao Expresso já no Centro de Tropas Comandos, na Carregueira, passou em revista uma missão cumprida sobre duríssimas condições climatéricas - "Às duas da manhã estão 40 graus e às duas da tarde estão 56" -, num campo expedicionário, edificado por Espanha numa zona desértica, a que chamaram “Base Gran Capitán”, onde pernoitaram em tendas durante três meses. “Dormimos pouco mas assim o tempo passa muito rápido”, atira o oficial português em jeito de brincadeira.
Nada disto, garante o major Lourenço, impediu a formação de centenas de militares iraquianos, preparando-os para detectar e abater os snipers do Daesh; para combater, rua a rua, casa a casa; para disparar morteiros M-60, M-81, M-120; e para inactivar os omnipresentes e muito temidos engenhos explosivos improvisados, conhecidos como IED. “Cumprimos a missão com enorme sorriso porque achamos mesmo piada aquilo.”
Quando chegou a Besmayah, a 12 e maio, qual foi a sua primeira impressão?
Todas as forças que chegam àquela base têm mais ou menos a mesma percepção. Chegamos de noite, em helicópteros Chinook escoltados por Apaches, todos norte-americanos, com um pó imenso, um calor terrível. Nos comandos, dois terços dos militares que são enviados para missões já tem experiência noutros teatros - Afeganistão a maioria deles -, e um terço são militares que nunca tinham estado num teatro de operações. Esta estratégia tem dado frutos, no sentido em que as expectativas vão sendo geridas pelos militares com mais experiência.
É o seu caso. Esteve no Afeganistão.
Duas vezes.
O clima no Iraque é muito diferente?
Na primeira missão em que estive no Afeganistão fomos destacados durante um mês e meio de Kabul para Farah. As temperaturas em Farah são similares às do Iraque. Às duas da manhã estão 40 graus e às duas da tarde estão 56. Mas no Iraque temos zero por cento de humidade e um índice de ultravioleta de 11%, quando o máximo recomendado é de 9%. Por isso andávamos sempre de mangas para baixo, luvas, golas puxadas para cima e colocávamos protector solar.
Como é que era um dia típico de trabalho em Besmayah?
Ao longo dos seis meses do nosso destacamento nunca tivemos o mesmo horário. Normalmente a alvorada era às 5h, e às seis começávamos o treino, até à uma da tarde. No período do Ramadão [mês sagrado durante o qual os muçulmanos têm de permanecer em jejum da alvorada ao crepúsculo] teve de ser antecipado. A nossa alvorada era às 3h30 e às cinco horas já estávamos a dar treino.
As forças iraquianas estão em rotação?
Sim. Os militares que chegavam para formação pertenciam a unidades que tinham sofrido baixas e precisavam de ser substituídas por outras na linha da frente. Vinham então para um campo de treino onde recebem reforços humanos, materiais e instrução, para depois voltarem novamente para a linha da frente.
Quando chegaram começaram a dar formação à 92.ª brigada do Exército iraquiano.
Demos formação a dois batalhões da Brigada 92. Um logo no início, seis semanas, mais duas depois de receberem o equipamento, material americano. Depois demos três cursos de atirador especial, que foi concebido por nós, e passamos o programa à coligação. Os espanhóis agarram-no porque estava a ter alguma visibilidade e deixamos de dar o curso. Paralelamente, como levámos dois artilheiros, estivemos sempre a dar cursos de morteiros M-60, M-81, M-120. Os militares que frequentaram os cursos de atirador especial e de morteiros provinham do BOC - Bagdad Operational Command, uma força constituída por 87 batalhões que dependem directamente do Governo e estão à parte do Exército Iraquiano. São duas entidades diferentes: os militares que estão a defender Bagdade, o BOC, dependem directamente do Governo, a Brigada 92 pertence ao Exército Iraquiano.
O que eles faziam era retirar de cada um dos 87 batalhões um determinado grupo de elementos para fazerem estes cursos. Porquê? Porque o Daesh colocava IED - Improvised Explosive Device (Engenhos Explosivos Improvisados) no terreno e para abater aqueles que tentavam neutralizá-los posicionava snipers. Então os batalhões de Bagdade decidiram dar formação extra a atiradores para fazer luta anti-sniper. E foi isso que esteve a ser feito.
Quem tentava detectar e desarmadilhar esse tipo de explosivos era abatido?
Exactamente. Inicialmente tínhamos um militar de engenharia que também estava em Besmayah, a dar cursos de formação de detecção e inactivação de engenhos. Vimos que era importante e sugerimos a Portugal o reforço da equipa de engenharia. E vieram mais dois engenheiros. No campo de Besmayah está a melhor escola de contra-IED do Iraque. Chega ali toda a informação proveniente dos elementos que sobreviveram na frente de batalha e é passada aos formandos seguintes. Está lá tudo o que é engenhos encontrados no terreno, aos quais foram retiradas as cargas explosivas, para poderem ser usados na instrução.
Como é que era o relacionamento com os iraquianos?
Muito bom. As pessoas que vinham para treino, até os tradutores, numa fase inicial, manifestaram algum receio - o que é que estes vêm cá fazer? - mas essa barreira, connosco, foi logo diluída. Criou-se um bom espírito com os tradutores, que são a nossa arma principal neste tipo de combate, já que toda a formação era feita em inglês. Posso saber muito, mas se não tiver um bom tradutor para passar a informação, nada feito. E os que estiveram a trabalhar connosco - um médico e um advogado - eram bastante bons.
Estamos a falar da formação de forças para combater sobretudo em meio urbano. Tinham as condições necessárias para preparar os homens para este tipo de combate?
Aquele campo tem 25 carreiras de tiro. Dá para fazer tiro de tudo: aviões, helicópteros, tanques, pistolas, armas sniper, morteiros. Tem nove edifícios onde dá para fazer tiro dentro dos compartimentos.
O que me está a dizer é que eles saíam bem preparados para este combate rua a rua, casa a casa.
Tinham condições e nós fazíamos esse esforço. A questão é o tempo. Não consigo pôr uma pequena unidade de cinco militares a combater dentro de um compartimento sem uma preparação prévia. É preciso fazer treino de tiro, treino técnico de limpeza de compartimentos, para chegarem aqui e executarem este tipo de exercícios sem se matarem uns aos outros. Seis semanas seriam suficientes para se fazer isto, se fizessem só isto, mas eles não faziam só isto. Além disso, precisam de equipamento adequado. Sem rádios para comunicarem entre eles, para sincronizarem as atividades, não resulta. E eles tinham poucos rádios.
Por isso é que eles tinham grandes dificuldades nos teatros de operações. Pelo menos era essa a informação que eu tinha, porque não fui com eles para a frente de batalha, infelizmente, mas conduzimos o treino como se fôssemos. Se Portugal nos quisesse enviar para advise and assist [coordenação das forças no terreno], esta unidade tinha essa capacidade. Os Five Eyes [Austrália, Canadá, Estados Unidos, Nova Zelândia, Reino Unido] estão a fazê-lo. Não quer dizer que estejam na linha da frente, mas estão em determinados locais com as unidades que estão a combater.
Partilha a ideia, já muito veiculada na imprensa, segundo a qual ainda vai levar muito tempo até o Iraque voltar a ter um Exército?
Sim, vai.
Estamos a falar de dez anos?
Sim. No mínimo, e após terminar a questão do Daesh. Sem terminar vai ser muito difícil. A velocidade com que isto anda ou deixa de andar tem que ver com pressões internacionais. Isto esteve algum tempo parado, mas desde de que a Rússia entrou na Síria a coligação acelerou. Sentiu-se pressionada para apresentar resultados. E a coligação em vez de o fazer com mais tempo e de uma forma mais segura teve de apressar o passo para, de alguma maneira, responder à chegada dos russos.
Os militares que formaram foram enviados para combater em que regiões?
A Brigada 92 em Ramadi, a noroeste de Bagdade [130 quilómetros por estrada].
A 22 de Julho receberam a visita do general Pina Monteiro. Sei que o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA) ficou surpreendido com as duríssimas condições de trabalho em Besmayah. Que mensagem é que o general lhes deixou? Foi importante esta visita?
Sim. Para mim e para o resto dos militares. É muito importante, na medida que os generais, que têm de tomar decisões e já estiveram noutras missões, percebam que não há duas missões iguais. Esta tem particularidades muito específicas, como o rigor do clima e o campo de treino. Os espanhóis construíram um campo expedicionário porque estavam a contar ficar três anos.
Nós dormimos em tendas durante três meses, com 56 graus. Uma pessoa dorme. As tendas têm ar condicionado mas por vezes faltava a electricidade, produzida com geradores, durante três ou quatro horas. Não havendo electricidade não há água nas casas de banho para tomar duche e quando havia não se podia engolir água nos chuveiros. Agora já há um sistema de filtragem, mas inicialmente tomávamos banho com água do rio. E só se pode beber água engarrafada. Entre as seis da manhã e as 13h, um militar ingeria seis a oito litros de líquidos. Quase todos os militares perderam peso. Cerca de dez quilos, em média.
Dormir pouco para nós é o normal, enfrentar condições de rusticidade também. Em Portugal conseguimos criá-las em frio extremo, no Iraque em calor extremo. Mas o nosso organismo tem uma capacidade de adaptação incrível. Para os nossos militares, que têm preparação física e psicológica para enfrentar estes ambientes, não deixa de ser um desafio pessoal viver em condições extremas. Por isso é que, tal como o CEMGFA pôde testemunhar, cumprimos a missão com um enorme sorriso, porque achamos mesmo piada aquilo. Foi mais um desafio para superar. (Expresso)
A comandar o primeiro destacamento de seis meses, entretanto rendido, esteve o major de infantaria Paulo Lourenço. Em entrevista concedida ao Expresso já no Centro de Tropas Comandos, na Carregueira, passou em revista uma missão cumprida sobre duríssimas condições climatéricas - "Às duas da manhã estão 40 graus e às duas da tarde estão 56" -, num campo expedicionário, edificado por Espanha numa zona desértica, a que chamaram “Base Gran Capitán”, onde pernoitaram em tendas durante três meses. “Dormimos pouco mas assim o tempo passa muito rápido”, atira o oficial português em jeito de brincadeira.
Nada disto, garante o major Lourenço, impediu a formação de centenas de militares iraquianos, preparando-os para detectar e abater os snipers do Daesh; para combater, rua a rua, casa a casa; para disparar morteiros M-60, M-81, M-120; e para inactivar os omnipresentes e muito temidos engenhos explosivos improvisados, conhecidos como IED. “Cumprimos a missão com enorme sorriso porque achamos mesmo piada aquilo.”
Todas as forças que chegam àquela base têm mais ou menos a mesma percepção. Chegamos de noite, em helicópteros Chinook escoltados por Apaches, todos norte-americanos, com um pó imenso, um calor terrível. Nos comandos, dois terços dos militares que são enviados para missões já tem experiência noutros teatros - Afeganistão a maioria deles -, e um terço são militares que nunca tinham estado num teatro de operações. Esta estratégia tem dado frutos, no sentido em que as expectativas vão sendo geridas pelos militares com mais experiência.
É o seu caso. Esteve no Afeganistão.
Duas vezes.
O clima no Iraque é muito diferente?
Na primeira missão em que estive no Afeganistão fomos destacados durante um mês e meio de Kabul para Farah. As temperaturas em Farah são similares às do Iraque. Às duas da manhã estão 40 graus e às duas da tarde estão 56. Mas no Iraque temos zero por cento de humidade e um índice de ultravioleta de 11%, quando o máximo recomendado é de 9%. Por isso andávamos sempre de mangas para baixo, luvas, golas puxadas para cima e colocávamos protector solar.
Como é que era um dia típico de trabalho em Besmayah?
Ao longo dos seis meses do nosso destacamento nunca tivemos o mesmo horário. Normalmente a alvorada era às 5h, e às seis começávamos o treino, até à uma da tarde. No período do Ramadão [mês sagrado durante o qual os muçulmanos têm de permanecer em jejum da alvorada ao crepúsculo] teve de ser antecipado. A nossa alvorada era às 3h30 e às cinco horas já estávamos a dar treino.
As forças iraquianas estão em rotação?
Sim. Os militares que chegavam para formação pertenciam a unidades que tinham sofrido baixas e precisavam de ser substituídas por outras na linha da frente. Vinham então para um campo de treino onde recebem reforços humanos, materiais e instrução, para depois voltarem novamente para a linha da frente.
Quando chegaram começaram a dar formação à 92.ª brigada do Exército iraquiano.
Demos formação a dois batalhões da Brigada 92. Um logo no início, seis semanas, mais duas depois de receberem o equipamento, material americano. Depois demos três cursos de atirador especial, que foi concebido por nós, e passamos o programa à coligação. Os espanhóis agarram-no porque estava a ter alguma visibilidade e deixamos de dar o curso. Paralelamente, como levámos dois artilheiros, estivemos sempre a dar cursos de morteiros M-60, M-81, M-120. Os militares que frequentaram os cursos de atirador especial e de morteiros provinham do BOC - Bagdad Operational Command, uma força constituída por 87 batalhões que dependem directamente do Governo e estão à parte do Exército Iraquiano. São duas entidades diferentes: os militares que estão a defender Bagdade, o BOC, dependem directamente do Governo, a Brigada 92 pertence ao Exército Iraquiano.
O que eles faziam era retirar de cada um dos 87 batalhões um determinado grupo de elementos para fazerem estes cursos. Porquê? Porque o Daesh colocava IED - Improvised Explosive Device (Engenhos Explosivos Improvisados) no terreno e para abater aqueles que tentavam neutralizá-los posicionava snipers. Então os batalhões de Bagdade decidiram dar formação extra a atiradores para fazer luta anti-sniper. E foi isso que esteve a ser feito.
Quem tentava detectar e desarmadilhar esse tipo de explosivos era abatido?
Exactamente. Inicialmente tínhamos um militar de engenharia que também estava em Besmayah, a dar cursos de formação de detecção e inactivação de engenhos. Vimos que era importante e sugerimos a Portugal o reforço da equipa de engenharia. E vieram mais dois engenheiros. No campo de Besmayah está a melhor escola de contra-IED do Iraque. Chega ali toda a informação proveniente dos elementos que sobreviveram na frente de batalha e é passada aos formandos seguintes. Está lá tudo o que é engenhos encontrados no terreno, aos quais foram retiradas as cargas explosivas, para poderem ser usados na instrução.
Muito bom. As pessoas que vinham para treino, até os tradutores, numa fase inicial, manifestaram algum receio - o que é que estes vêm cá fazer? - mas essa barreira, connosco, foi logo diluída. Criou-se um bom espírito com os tradutores, que são a nossa arma principal neste tipo de combate, já que toda a formação era feita em inglês. Posso saber muito, mas se não tiver um bom tradutor para passar a informação, nada feito. E os que estiveram a trabalhar connosco - um médico e um advogado - eram bastante bons.
Estamos a falar da formação de forças para combater sobretudo em meio urbano. Tinham as condições necessárias para preparar os homens para este tipo de combate?
Aquele campo tem 25 carreiras de tiro. Dá para fazer tiro de tudo: aviões, helicópteros, tanques, pistolas, armas sniper, morteiros. Tem nove edifícios onde dá para fazer tiro dentro dos compartimentos.
O que me está a dizer é que eles saíam bem preparados para este combate rua a rua, casa a casa.
Tinham condições e nós fazíamos esse esforço. A questão é o tempo. Não consigo pôr uma pequena unidade de cinco militares a combater dentro de um compartimento sem uma preparação prévia. É preciso fazer treino de tiro, treino técnico de limpeza de compartimentos, para chegarem aqui e executarem este tipo de exercícios sem se matarem uns aos outros. Seis semanas seriam suficientes para se fazer isto, se fizessem só isto, mas eles não faziam só isto. Além disso, precisam de equipamento adequado. Sem rádios para comunicarem entre eles, para sincronizarem as atividades, não resulta. E eles tinham poucos rádios.
Por isso é que eles tinham grandes dificuldades nos teatros de operações. Pelo menos era essa a informação que eu tinha, porque não fui com eles para a frente de batalha, infelizmente, mas conduzimos o treino como se fôssemos. Se Portugal nos quisesse enviar para advise and assist [coordenação das forças no terreno], esta unidade tinha essa capacidade. Os Five Eyes [Austrália, Canadá, Estados Unidos, Nova Zelândia, Reino Unido] estão a fazê-lo. Não quer dizer que estejam na linha da frente, mas estão em determinados locais com as unidades que estão a combater.
Sim, vai.
Estamos a falar de dez anos?
Sim. No mínimo, e após terminar a questão do Daesh. Sem terminar vai ser muito difícil. A velocidade com que isto anda ou deixa de andar tem que ver com pressões internacionais. Isto esteve algum tempo parado, mas desde de que a Rússia entrou na Síria a coligação acelerou. Sentiu-se pressionada para apresentar resultados. E a coligação em vez de o fazer com mais tempo e de uma forma mais segura teve de apressar o passo para, de alguma maneira, responder à chegada dos russos.
Os militares que formaram foram enviados para combater em que regiões?
A Brigada 92 em Ramadi, a noroeste de Bagdade [130 quilómetros por estrada].
A 22 de Julho receberam a visita do general Pina Monteiro. Sei que o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA) ficou surpreendido com as duríssimas condições de trabalho em Besmayah. Que mensagem é que o general lhes deixou? Foi importante esta visita?
Sim. Para mim e para o resto dos militares. É muito importante, na medida que os generais, que têm de tomar decisões e já estiveram noutras missões, percebam que não há duas missões iguais. Esta tem particularidades muito específicas, como o rigor do clima e o campo de treino. Os espanhóis construíram um campo expedicionário porque estavam a contar ficar três anos.
Nós dormimos em tendas durante três meses, com 56 graus. Uma pessoa dorme. As tendas têm ar condicionado mas por vezes faltava a electricidade, produzida com geradores, durante três ou quatro horas. Não havendo electricidade não há água nas casas de banho para tomar duche e quando havia não se podia engolir água nos chuveiros. Agora já há um sistema de filtragem, mas inicialmente tomávamos banho com água do rio. E só se pode beber água engarrafada. Entre as seis da manhã e as 13h, um militar ingeria seis a oito litros de líquidos. Quase todos os militares perderam peso. Cerca de dez quilos, em média.
Dormir pouco para nós é o normal, enfrentar condições de rusticidade também. Em Portugal conseguimos criá-las em frio extremo, no Iraque em calor extremo. Mas o nosso organismo tem uma capacidade de adaptação incrível. Para os nossos militares, que têm preparação física e psicológica para enfrentar estes ambientes, não deixa de ser um desafio pessoal viver em condições extremas. Por isso é que, tal como o CEMGFA pôde testemunhar, cumprimos a missão com um enorme sorriso, porque achamos mesmo piada aquilo. Foi mais um desafio para superar. (Expresso)
23 de novembro de 2015
Força aérea russa bombardeia centenas de alvos na Síria
A força aérea russa realizou pelo menos 141 voos militares sobre a Síria e alvejou 472 alvos de grupos jihadistas durante o fim de semana.
As missões foram realizadas nas províncias de Damasco, Idlib, Latakia, Hama, Raqqa, Homs, e Deir ez-Zor.
De acordo com o comando russo, bombardeiros SU-34 destruíram uma refinaria do auto proclamado Estado Islâmico a cerca de 50 quilómetros no sul de Raqqa. O petróleo é um das principais fontes de financiamento da organização também conhecida como Daesh.
Por seu lado, a força aérea francesa conta a partir desta segunda-feira com o porta-aviões Charle de Gaulle no mediterrâneo, que deverá multiplicar por três o poder de ataque da aviação gaulesa na Síria (EN)
As missões foram realizadas nas províncias de Damasco, Idlib, Latakia, Hama, Raqqa, Homs, e Deir ez-Zor.
De acordo com o comando russo, bombardeiros SU-34 destruíram uma refinaria do auto proclamado Estado Islâmico a cerca de 50 quilómetros no sul de Raqqa. O petróleo é um das principais fontes de financiamento da organização também conhecida como Daesh.
Por seu lado, a força aérea francesa conta a partir desta segunda-feira com o porta-aviões Charle de Gaulle no mediterrâneo, que deverá multiplicar por três o poder de ataque da aviação gaulesa na Síria (EN)
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27 de outubro de 2015
Forças especiais portuguesas ajudam a combater o Estado Islâmico
Partiu esta manhã para o Iraque o 2º contingente composto por 31 militares do exército português que, durante os próximos seis meses, vai treinar o exército iraquiano em técnicas de combate que ajudem a combater o Estado Islâmico.
A partilha de conhecimentos está em marcha desde 13 de maio, altura em que Portugal se juntou à Espanha, como parte de uma missão internacional liderada pelos Estados Unidos da América, com nome de código " OPERATION INHERENT RESOLVE", para neutralizar e destruir o auto-proclamado Estados Islâmico do Iraque e do Levante.
Os militares portugueses estão sediados no aquartelamento “Gran Capitan”, gerido pelo contingente espanhol e localizado em Besmayah, a cerca de 35 quilómetros da capital iraquiana, Bagdade.
O objectivo da operação “INHERENT RESOLVE" não é o de combater directamente o Estado Islâmico, mas dar ao exército iraquiano o treino e as armas para fazer frente ao avanço deste grupo terrorista no Iraque. (tvi24)
A partilha de conhecimentos está em marcha desde 13 de maio, altura em que Portugal se juntou à Espanha, como parte de uma missão internacional liderada pelos Estados Unidos da América, com nome de código " OPERATION INHERENT RESOLVE", para neutralizar e destruir o auto-proclamado Estados Islâmico do Iraque e do Levante.
Os militares portugueses estão sediados no aquartelamento “Gran Capitan”, gerido pelo contingente espanhol e localizado em Besmayah, a cerca de 35 quilómetros da capital iraquiana, Bagdade.
O objectivo da operação “INHERENT RESOLVE" não é o de combater directamente o Estado Islâmico, mas dar ao exército iraquiano o treino e as armas para fazer frente ao avanço deste grupo terrorista no Iraque. (tvi24)
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14 de outubro de 2015
Exército sírio recupera cidades estratégicas
Depois dos caças russos, chega o exército sírio. O governo de Damasco anunciou ontem ter tomado várias cidades estratégicas. O exército sírio, com auxílio das milícias xiitas do Hezbollah, reconquistou a localidade estratégica de Kafer Nabuda, que faz fronteira entre as províncias sírias de Hama e Idlin. O controlo deste ponto permite ao exército do regime de Bashar al-Assad atacar posições de forças rebeldes na estratégica estrada M5, que vai desde a fronteira jordana até à cidade de Alepo.
O exército sírio comunicou também ter reconquistado mais quatro localidades na província de Hama e a cidade de Jub al Ahmar na província de Lakatia. É nesta última região, de maioria alauita, a mesma confissão religiosa que o presidente Al -Assad, que os russos têm a sua principal base, que lhes permite o acesso ao Mediterrâneo no porto de Tartus.
A conquista desta localidade abre caminho para que as tropas de Damasco possam aceder e dominar a fértil planície de Ghab, essencial para a sobrevivência do governo sírio.
No entanto, segundo o Observatório dos Direitos Humanos, organização ligada à oposição, nestas localidades ainda se verificam combates entre rebeldes e tropas governamentais.
O governo dos EUA, por seu turno, garante que já conseguiu lançar 50 toneladas de armamento para grupos “moderados” que se opõem ao governo sírio e combatem o Estado Islâmico. “Foi um êxito o lançamento”, garantiu um porta-voz do Departamento de Estado, que garantiu que esses grupos foram cuidadosamente seleccionados por não terem laços com o EI.
Diferente é a opinião do ministro dos Negócios Estrangeiros russos, Sergey Lavrov, que acusou ontem, em conferência de imprensa, os EUA de estarem na prática a armar o Estado Islâmico. “Os Estados Unidos informaram que tinham mudado o seu conceito de apoio à oposição ao governo sírio. Em vez de formação, enviam-lhes armas e munições a partir do ar. Lançaram mais de 50 toneladas de armas e munições”, disse Lavrov, acrescentando que a maior parte desse apoio está a cair nas mãos do Estado Islâmico.
O ministro russo lamentou que o governo de Obama se recuse a coordenar esforços com a Rússia na luta contra o EI. E afirma esperar que os EUA proporcionem dados sobre o Exército Livre da Síria a Moscovo, para decidir que atitude as forças russas terão com eles. (I)
O exército sírio comunicou também ter reconquistado mais quatro localidades na província de Hama e a cidade de Jub al Ahmar na província de Lakatia. É nesta última região, de maioria alauita, a mesma confissão religiosa que o presidente Al -Assad, que os russos têm a sua principal base, que lhes permite o acesso ao Mediterrâneo no porto de Tartus.
A conquista desta localidade abre caminho para que as tropas de Damasco possam aceder e dominar a fértil planície de Ghab, essencial para a sobrevivência do governo sírio.
No entanto, segundo o Observatório dos Direitos Humanos, organização ligada à oposição, nestas localidades ainda se verificam combates entre rebeldes e tropas governamentais.
O governo dos EUA, por seu turno, garante que já conseguiu lançar 50 toneladas de armamento para grupos “moderados” que se opõem ao governo sírio e combatem o Estado Islâmico. “Foi um êxito o lançamento”, garantiu um porta-voz do Departamento de Estado, que garantiu que esses grupos foram cuidadosamente seleccionados por não terem laços com o EI.
Diferente é a opinião do ministro dos Negócios Estrangeiros russos, Sergey Lavrov, que acusou ontem, em conferência de imprensa, os EUA de estarem na prática a armar o Estado Islâmico. “Os Estados Unidos informaram que tinham mudado o seu conceito de apoio à oposição ao governo sírio. Em vez de formação, enviam-lhes armas e munições a partir do ar. Lançaram mais de 50 toneladas de armas e munições”, disse Lavrov, acrescentando que a maior parte desse apoio está a cair nas mãos do Estado Islâmico.
O ministro russo lamentou que o governo de Obama se recuse a coordenar esforços com a Rússia na luta contra o EI. E afirma esperar que os EUA proporcionem dados sobre o Exército Livre da Síria a Moscovo, para decidir que atitude as forças russas terão com eles. (I)
13 de outubro de 2015
França lança segundo ataque ao estado islâmico na Síria
A França fez o segundo ataque aéreo contra o grupo estado islâmico na Síria durante a noite de quinta-feira e a madrugada de hoje, anunciou o ministro da Defesa francês, Jean-Yves Le Drian.
"Dois [aviões] Rafale lançaram bombas sobre um campo de treino [do estado islâmico]. Os objectivos foram cumpridos", declarou Drian à rádio Europe 1, acrescentando que outras operações se seguirão.
O primeiro bombardeamento francês na Síria aconteceu no final de Setembro. (Económico)
"Dois [aviões] Rafale lançaram bombas sobre um campo de treino [do estado islâmico]. Os objectivos foram cumpridos", declarou Drian à rádio Europe 1, acrescentando que outras operações se seguirão.
O primeiro bombardeamento francês na Síria aconteceu no final de Setembro. (Económico)
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8 de outubro de 2015
Nato pronta para enviar tropas para Turquia após violações aéreas russas
A NATO «está pronta para defender todos os aliados e enviar tropas para defender a Turquia contra «qualquer tipo de ameaça», advertiu hoje o secretário-geral da Aliança Atlântica, Jens Stoltenberg, após a reunião dos ministros da Defesa em Bruxelas.
As afirmações de Stoltenberg surgem depois de a Rússia ter violado repetidamente o espaço aéreo turco, o que a NATO considerou «inaceitável» e um «comportamento irresponsável».
Jens Stoltenberg disse ainda que existe uma «escalada das actividades militares russas na Síria preocupante» e que é preciso avaliar as implicações que esta iniciativa tem na segurança da aliança.
«A NATO está a responder aumentando a nossa capacidade e o nosso estado de preparação para enviar forças para o sul, incluindo a Turquia», disse, referindo-se não só ao seu aliado turco, mas também à cada vez mais tensa situação na Síria. «Estamos a implementar o maior reforço na nossa defesa colectiva desde o fim da Guerra Fria. Também demos aprovação final ao conceito militar para reforço da Força de Resposta da NATO, no sentido de a tornar maior, mais rápida e com maior capacidade», disse.
A Turquia tem-se queixado de que o respectivo espaço aéreo tem sido repetidamente violado pela Rússia, que iniciou uma campanha aérea na Síria contra o Estado Islâmico.
O presidente turco, o islamita Recep Tayyip Erdogan, ameaçou já suspender a cooperação com a Rússia no sector de gás e nuclear devido às recentes tensões no espaço aéreo turco.
Em conferência de imprensa durante o voo rumo ao Japão, onde fará uma visita oficial, Erdogan disse que a Rússia deve considerar o impacto das suas acções sobre as relações com a Turquia, um país com o qual tem um volume de negócios de cerca de 40 mil milhões de dólares (cerca de 35,53 mil milhões de euros) por ano.
Na quarta-feira, a Rússia também disparou pela primeira vez mísseis de cruzeiros sobre o Mar Cáspio, tendo como alvo objectivos do Estado Islâmico na Síria. Segundo o ministro da Defesa russo, quatro navios de guerra lançaram 26 rockets que passaram por cima do Iraque e do Irão.
No entanto, tanto os Estados Unidos como outros países ocidentais, além de grupos rebeldes moderados sírios, afirmam que 90% dos ataques militares russos na Síria não têm tido como alvo o Estado Islâmico ou afiliados terroristas da al-Qaeda, mas sim os grupos que combatem o regime de Assad.
O embaixador norte-americano da NATO, Douglas Lute, afirmou ontem que o Kremlin está aparentemente a tentar criar uma nova contra-aliança ao eixo ocidental do Golfo, juntando russos, iranianos, iraquianos e o Hezbollah, movimento xiita libanês aliado do regime sírio. (Diário Digital)
As afirmações de Stoltenberg surgem depois de a Rússia ter violado repetidamente o espaço aéreo turco, o que a NATO considerou «inaceitável» e um «comportamento irresponsável».
Jens Stoltenberg disse ainda que existe uma «escalada das actividades militares russas na Síria preocupante» e que é preciso avaliar as implicações que esta iniciativa tem na segurança da aliança.
«A NATO está a responder aumentando a nossa capacidade e o nosso estado de preparação para enviar forças para o sul, incluindo a Turquia», disse, referindo-se não só ao seu aliado turco, mas também à cada vez mais tensa situação na Síria. «Estamos a implementar o maior reforço na nossa defesa colectiva desde o fim da Guerra Fria. Também demos aprovação final ao conceito militar para reforço da Força de Resposta da NATO, no sentido de a tornar maior, mais rápida e com maior capacidade», disse.
A Turquia tem-se queixado de que o respectivo espaço aéreo tem sido repetidamente violado pela Rússia, que iniciou uma campanha aérea na Síria contra o Estado Islâmico.
O presidente turco, o islamita Recep Tayyip Erdogan, ameaçou já suspender a cooperação com a Rússia no sector de gás e nuclear devido às recentes tensões no espaço aéreo turco.
Em conferência de imprensa durante o voo rumo ao Japão, onde fará uma visita oficial, Erdogan disse que a Rússia deve considerar o impacto das suas acções sobre as relações com a Turquia, um país com o qual tem um volume de negócios de cerca de 40 mil milhões de dólares (cerca de 35,53 mil milhões de euros) por ano.
Na quarta-feira, a Rússia também disparou pela primeira vez mísseis de cruzeiros sobre o Mar Cáspio, tendo como alvo objectivos do Estado Islâmico na Síria. Segundo o ministro da Defesa russo, quatro navios de guerra lançaram 26 rockets que passaram por cima do Iraque e do Irão.
No entanto, tanto os Estados Unidos como outros países ocidentais, além de grupos rebeldes moderados sírios, afirmam que 90% dos ataques militares russos na Síria não têm tido como alvo o Estado Islâmico ou afiliados terroristas da al-Qaeda, mas sim os grupos que combatem o regime de Assad.
O embaixador norte-americano da NATO, Douglas Lute, afirmou ontem que o Kremlin está aparentemente a tentar criar uma nova contra-aliança ao eixo ocidental do Golfo, juntando russos, iranianos, iraquianos e o Hezbollah, movimento xiita libanês aliado do regime sírio. (Diário Digital)
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3 de outubro de 2015
Rússia vai intensificar ataques na Síria
"Não só iremos continuar os ataques como vamos aumentar a sua intensidade", afirmou Andreï Kartapolov, da chefia do Estado Maior General das Forças Armadas da Rússia, citado pela agência de notícias RIA.
O general afirmou também que os bombardeamentos russos na Síria lançaram o "pânico" entre as forças do grupo Estado Islâmico (EI), forçando 600 dos seus membros a abandonarem as suas posições.
"Conseguimos reduzir significativamente o potencial militar dos terroristas," disse Kartapolov.
"O pânico e a deserção começaram nas suas fileiras", acrescentou, estimando que "cerca de 600 militantes" do EI "abandonaram as suas posições e tentam fugir para a Europa".
O Presidente norte-americano apelou a Rússia a cessar os seus bombardeamentos, afirmando que vão levar a uma escalada no conflito e a uma radicalização.
Os russos têm sido acusados de atingir sobretudo alvos das forças rebeldes que combatem o Governo do Presidente Bashar al-Assad, assim como populações civis.
O Kremlin garante que o seu alvo são "terroristas" e afirma que a sua força aérea está apoiar o avanço das forças sírias leais a Assad no terreno, após semanas de perdas sucessivas para os grupos rebeldes, sobretudo na província de Idlib. (RTP)
O general afirmou também que os bombardeamentos russos na Síria lançaram o "pânico" entre as forças do grupo Estado Islâmico (EI), forçando 600 dos seus membros a abandonarem as suas posições.
"Conseguimos reduzir significativamente o potencial militar dos terroristas," disse Kartapolov.
"O pânico e a deserção começaram nas suas fileiras", acrescentou, estimando que "cerca de 600 militantes" do EI "abandonaram as suas posições e tentam fugir para a Europa".
O Presidente norte-americano apelou a Rússia a cessar os seus bombardeamentos, afirmando que vão levar a uma escalada no conflito e a uma radicalização.
Os russos têm sido acusados de atingir sobretudo alvos das forças rebeldes que combatem o Governo do Presidente Bashar al-Assad, assim como populações civis.
O Kremlin garante que o seu alvo são "terroristas" e afirma que a sua força aérea está apoiar o avanço das forças sírias leais a Assad no terreno, após semanas de perdas sucessivas para os grupos rebeldes, sobretudo na província de Idlib. (RTP)
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30 de setembro de 2015
Parlamento russo autoriza uso de força militar na Síria
O presidente Vladimir Putin recebeu esta terça-feira a autorização da Câmara Alta do Parlamento da Rússia para a utilização da Força Aérea Russa na Síria. Moscovo quer também que Washington retire os aviões americanos do espaço aéreo sírio. (RTP)
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24 de julho de 2015
Primeiro ataque turco contra jihadistas do Estado Islâmico na Síria
Três caças F-16 da força aérea turca bombardearam esta madrugada várias posições do grupo estado islâmico em território sírio, depois de um confronto entre o exército turco e os ‘jihadistas’ na fronteira, anunciou o gabinete do primeiro-ministro turco.
Os aviões turcos atacaram entre as 3h40 e 3h53 locais (1h40 e 1h53 em Lisboa) “dois quartéis e um posto de reunião” dos combatentes do estado islâmico com mísseis, antes de voltarem para a base de Diyarbakir (sudeste), acrescenta o comunicado publicado pelos serviços de Ahmet Davutoglu.
Esta foi a primeira intervenção aérea de Ankara contra a milícia ‘jihadista’, refere a agência Efe.
Segundo a agência Dogan, os alvos foram localizados perto da localidade de Havar, no sul do país.
“A República da Turquia está determinada a tomar todas as medidas necessárias para defender a segurança nacional”, informa o comunicado, precisando que os ataques foram decididos durante uma reunião de segurança na quinta-feira com o chefe do governo.
Na quinta-feira combatentes ‘jihadistas’ abriram fogo a partir da Síria contra um posto fronteiriço do exército turco na região de Kilis, matando um militar e ferindo dois outros soldados, segundo o estado-maior.
A Turquia autoriza os Estados Unidos a usar bases aéreas do país, entre as quais a de Incirlik, no sul do território, como ponto de apoio nos ataques ao grupo auto proclamado Estado Islâmico (EI), comunicaram na quinta-feira as autoridades norte-americanas.
O anúncio da cooperação entre as forças turcas e norte-americanas surge três dias após o atentado suicida, atribuído ao grupo extremista, contra os activistas pró-curdos em Suruç, no sul da Turquia, perto da fronteira síria, que fez 32 mortos e uma centena de feridos. (Observador)
Os aviões turcos atacaram entre as 3h40 e 3h53 locais (1h40 e 1h53 em Lisboa) “dois quartéis e um posto de reunião” dos combatentes do estado islâmico com mísseis, antes de voltarem para a base de Diyarbakir (sudeste), acrescenta o comunicado publicado pelos serviços de Ahmet Davutoglu.
Esta foi a primeira intervenção aérea de Ankara contra a milícia ‘jihadista’, refere a agência Efe.
Segundo a agência Dogan, os alvos foram localizados perto da localidade de Havar, no sul do país.
“A República da Turquia está determinada a tomar todas as medidas necessárias para defender a segurança nacional”, informa o comunicado, precisando que os ataques foram decididos durante uma reunião de segurança na quinta-feira com o chefe do governo.
Na quinta-feira combatentes ‘jihadistas’ abriram fogo a partir da Síria contra um posto fronteiriço do exército turco na região de Kilis, matando um militar e ferindo dois outros soldados, segundo o estado-maior.
A Turquia autoriza os Estados Unidos a usar bases aéreas do país, entre as quais a de Incirlik, no sul do território, como ponto de apoio nos ataques ao grupo auto proclamado Estado Islâmico (EI), comunicaram na quinta-feira as autoridades norte-americanas.
O anúncio da cooperação entre as forças turcas e norte-americanas surge três dias após o atentado suicida, atribuído ao grupo extremista, contra os activistas pró-curdos em Suruç, no sul da Turquia, perto da fronteira síria, que fez 32 mortos e uma centena de feridos. (Observador)
17 de julho de 2015
Estado Islâmico ataca navio da marinha egípcia
O grupo terrorista do Estado Islâmico (EI) reivindicou hoje um ataque contra um navio da marinha egípcia ao largo da península do Sinai.
Os combatentes do EI «atacaram com um míssil teleguiado uma fragata» da marinha egípcia no mar Mediterrâneo, a norte de Rafah, na fronteira com a faixa de Gaza.
O exército tinha anunciado anteriormente que um navio da marinha se incendiou na sequência de confrontos entre `jihadistas` e militares. (A Bola)
Os combatentes do EI «atacaram com um míssil teleguiado uma fragata» da marinha egípcia no mar Mediterrâneo, a norte de Rafah, na fronteira com a faixa de Gaza.
O exército tinha anunciado anteriormente que um navio da marinha se incendiou na sequência de confrontos entre `jihadistas` e militares. (A Bola)
6 de julho de 2015
Caça iraquiano bombardeia Bagdad devido a um problema técnico
Pelo menos sete pessoas morreram hoje e 11 ficaram feridas quando um avião do exército iraquiano bombardeou por engano uma zona residencial, na zona sudeste da capital do Iraque, Bagdad.
"Uma das bombas ficou presa devido a um problema técnico, e durante o regresso do avião à base caiu sobre três casas", disse o general Saad Maan, porta-voz dos serviços de segurança.
O caça regressava de um ataque aéreo quando o acidente ocorreu, acrescentou.
No ano passado, o Iraque recebeu caças "Sukhoi Su-25" russos e iranianos para combater o grupo extremista "Estado Islâmico" (EI), que domina grandes zonas do país.
Os "Su-25", aparelhos de dois motores e um piloto, foram desenhados para missões de ataque no solo. A frota iraquiana é composta por aviões envelhecidos que desempenham missões recorrentes na batalha das forças iraquianas contra o EI.
Os Estados Unidos concordaram vender ao Iraque 36 caças "F-16", mas até agora não entregaram nenhum. A primeira encomenda de caças foi enviada para o Arizona, onde decorrem os treinos dos pilotos iraquianos. DN
"Uma das bombas ficou presa devido a um problema técnico, e durante o regresso do avião à base caiu sobre três casas", disse o general Saad Maan, porta-voz dos serviços de segurança.
O caça regressava de um ataque aéreo quando o acidente ocorreu, acrescentou.
No ano passado, o Iraque recebeu caças "Sukhoi Su-25" russos e iranianos para combater o grupo extremista "Estado Islâmico" (EI), que domina grandes zonas do país.
Os "Su-25", aparelhos de dois motores e um piloto, foram desenhados para missões de ataque no solo. A frota iraquiana é composta por aviões envelhecidos que desempenham missões recorrentes na batalha das forças iraquianas contra o EI.
Os Estados Unidos concordaram vender ao Iraque 36 caças "F-16", mas até agora não entregaram nenhum. A primeira encomenda de caças foi enviada para o Arizona, onde decorrem os treinos dos pilotos iraquianos. DN
1 de junho de 2015
Estado Islâmico cada vez mais perto da Turquia
De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, as forças do grupo Estado Islâmico capturaram várias localidades nos últimos dias.
A estrada que faz a ligação entre o norte da Síria e a Turquia já é controlada pelos extremistas.
Nos últimos dias, a força aérea norte-americana intensificou os ataques a várias cidades controladas pelo grupo terrorista. (RTP)
A estrada que faz a ligação entre o norte da Síria e a Turquia já é controlada pelos extremistas.
Nos últimos dias, a força aérea norte-americana intensificou os ataques a várias cidades controladas pelo grupo terrorista. (RTP)
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