O primeiro curso de operadores de drones da Força Aérea descolou no dia 15 de Dezembro na Base Aérea nº1. O curso estruturado pela Academia da Força Aérea está actualmente a leccionar os primeiros módulos das 450 horas de aulas teóricas. O plano de formação deverá ter uma duração de cinco meses. Além da formação da primeira leva de operadores, os planos da Força contemplam ainda a constituição da primeira esquadra de drones nos próximos dois anos.
Apesar de não serem pilotos, mas sim operadores, os formandos terão de dominar grande parte dos conhecimentos que costumam ser leccionados juntos dos candidatos dos tradicionais brevês. No currículo do novo curso, figuram manuais e temas relacionados com Legislação Aérea, Meteorologia, Navegação, Performance ou Sistemas de Aeronaves. O plano de estudos segue de perto as referências que a NATO, as autoridades aeronáuticas inglesa e canadiana, e Força Aérea Norte-Americana já começaram a pôr em prática.
Marco Casquilho, membro da Direcção de Instrução da Academia da Força Aérea, explica, em declarações ao Público, descreve a formação como «muito equivalente à que é ministrada aos pilotos da Força Aérea».
Depois dos módulos teóricos, os oito formandos poderão finalmente assumir o comando dos veículos aéreos não tripulados durante os treinos previstos para um total de 50 missões da Base da Ota, que hoje é usada em exclusivo para testes dos drones desenvolvidos ou adquiridos pela Academia da Força Aérea.
O curso foi desenhado para garantir os primeiros operadores das máquinas desenvolvidas na Ota, mas abrange igualmente conhecimentos e tecnologias de outras proveniências. Os responsáveis da Academia da Força Aérea admitem, futuramente, abrir o curso a civis, caso haja procura.
Nos últimos anos, a Academia da Força Aérea tem intensificado esforços no desenvolvimento e fabrico de drones. No âmbito do programa conhecido como PITVANT, foram desenvolvidos drones como o Sharky-Fidelidade e o UAS30(com cerca de 25 quilos).
Dentro de dois anos, a Força Aérea conta já poder cruzar os céus com os primeiros veículos aéreos não tripulados de cerca de 600 quilos. Estas máquinas de maiores dimensões podem representar um incremento não só no que toca aos equipamentos e sensores que podem transportar, como também quanto à autonomia energética, que poderá ser especialmente útil em missões de patrulha na Zona Económica Exclusiva. (Exame)
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23 de dezembro de 2014
29 de novembro de 2014
Força Aérea vai estrear esquadra de drones dentro de dois anos
Hoje, a FAP usa aviões tripulados para as diferentes missões de patrulhamento e monitorização da Zona Económica Exclusiva ou da Extensão da Plataforma Continental – dentro de dois anos, a mesma FAP poderá vir a usar também veículos aéreos não tripulados para cobrir a extensa área marítima portuguesa. «Ainda não sabemos quantos veículos aéreos não tripulados vai ter a nova esquadra. Através de vários testes, vamos tentar perceber quantos veículos serão necessários para garantir a monitorização do espaço marítimo», refere José Morgado, Director do Centro de Investigação da Academia da Força Aérea, à margem do 8º Congresso do Comité Português da Organização Internacional da Ciências da Rádio.
Nos planos da Academia da Força Aérea figura o desenvolvimento de drones com pesos entre 500 e 600 kg e uma autonomia energética para 24 horas de voo. Os veículos estarão aptos a executar autonomamente missões predefinidas, mas não deverão estar equipados com armas.
«Estes veículos servem apenas para monitorização do espaço marítimo, e vão ser usados como complemento às aeronaves tripuladas e não como substitutos», responde José Morgado, recordando que os veículos não tripulados podem executar missões de monitorização com custos inferiores aos das aeronaves tripuladas.
Nos tempos mais próximos, a Academia da Força Aérea deverá começar a testar modelos entre os 150 e os 200 kg para, gradualmente, ganhar competências para o desenvolvimento de drones que terão dimensões recordistas face aos modelos que a FAP (até à data a Academia da Força Aérea não tinha ido além dos 150 kg).
Com o desenvolvimento de modelos de maiores dimensões, a FAP pode garantir maior autonomia de voo e passa a poder usar sensores de maiores dimensões – entre eles, o radar, que poderá revelar-se especialmente útil para a monitorização de grandes áreas, como aquelas que constituem o espaço marítimo nacional. A FAP vai desenhar o novo drone, mas o fabrico deverá ser entregue a parceiros comerciais e industriais que vão ser seleccionados nos tempos mais próximos.
Em Março e 2015, a dois anos de estrear o drone de 600 quilos, a FAP vai dar a conhecer o UAS30 (nas fotos inseridas nesta página), um drone de 25 quilos que descola com o apoio de uma catapulta e aterra com o apoio de uma rede. O projecto arranco há cerca de ano e meio, com um desafio lançado pela EDP, que pretendia testar o uso de drones de pequenas dimensões para a inspecção de linhas eléctricas.
O UAS30 foi desenvolvido em parceria com o CEIIA (Centro para a Excelência e Inovação da Indústria Automóvel, em Matosinhos) para dar resposta ao desafio da EDP e também para dar resposta a muitas outras áreas que poderão tirar partido do uso de drones. «Pode ser para patrulhar determinadas áreas, para missões da Marinha ou prevenção de fogos. A partir de Março contamos ter o UAS30 operacional e com uma missão específica já atribuída», explica José Morgado.
O UAS30 já foi testado em missões com velocidade de 50 km/h. Para alcançar esta velocidade, propositadamente baixa para garantir a captação de imagens nas melhores condições, os investigadores da Academia da Força Aérea recorreram a asas de maiores dimensões. José Morgado lembra que também é possível incorporar asas de menores dimensões para missões em que é necessária maior velocidade.
O UAS30 não será um exclusivo da FAP. O novo drone também será comercializado para entidades e empresas que pretendam tirar partido do uso de drones. (Exame)
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