O ministro da Defesa Nacional anunciou hoje que celebrou, conjuntamente com o Ministro da Economia, um acordo com a GD European Land Systems GmbH, que vai permitir ao Exército receber “22 viaturas PANDUR, sem qualquer custo adicional para o estado português”.
José Pedro Aguiar-Branco afirmou, em declarações à margem de uma visita à frente de trabalhos de engenharia do Exército, no Município de Mira, que este “é um acordo altamente vantajoso para Portugal e para o Exército em particular”.
O ministro da Defesa Nacional acrescentou que este acordo vai resolver um problema “quer do ponto de vista financeiro, quer do ponto de vista operacional” e vai “possibilitar que a força militar em causa tenha a coerência necessária para poder cumprir e bem as missões a que se destinam”.
Aguiar-Branco defendeu ainda que quando este Governo tomou posse este era um problema “de difícil resolução, mas que hoje tem um fim feliz para o erário público, para Portugal e para o Exército em particular".
Um comunicado conjunto do Ministério da Defesa Nacional e do Ministério da Economia, informa que o acordo que põe fim ao litígio arbitral garante a Portugal 55,4 milhões de euros "resultantes da execução das garantias bancárias" à altura da resolução do contrato.
No comunicado conjunto dos ministros José Pedro Aguiar-Branco e António Pires de Lima, lê-se ainda que o Estado recebe 82,4 milhões de euros em contrapartidas prestadas pela GD, "nomeadamente aquelas que se prendem com a capacidade de operação e manutenção das viaturas já recebidas".
A GD entrega também garantias bancárias de 25 por cento sobre o contrato de contrapartidas e fornecimento de 22 Pandur e terá que cumprir o contrato de fornecimento de peças sobressalentes para esses blindados. (Defesa)
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27 de setembro de 2014
26 de setembro de 2014
Ministério da Defesa Nacional e Ministério da Economia | Comunicado 26 Setembro 2014
O Ministério da Defesa Nacional e o Ministério da Economia informam que foi assinado, hoje, o acordo que põe fim ao processo arbitral, entre GD European Land Systems GmbH (“GD”) e o Estado Português.
Em causa estava o litígio, entre as partes, referente à execução do “Programa Relativo à Aquisição de Viaturas Blindadas com Rodas 8x8 (viaturas Pandur)”.
Assim, e nos termos do acordo alcançado, o Estado Português garante:
1. 22 viaturas Pandur, entregues pela GD ao Estado Português, sem necessidade de efectuar qualquer pagamento;
2. € 55.458.481,18 resultantes da execução das garantias bancárias aquando da resolução do contrato de fornecimento referente a 85 viaturas, em Outubro de 2012;
3. € 82.480.990,58 de contrapartidas remanescentes, prestadas pela GD, nomeadamente aquelas que se prendem com a capacidade de operação e manutenção das viaturas já recebidas;
4. Garantias bancárias entregues pela GD, que se mantêm nos 25% sobre o valor em causa referentes ao contrato de contrapartidas e de fornecimento de 22 viaturas;
5. Manutenção do contrato de sobressalentes para as viaturas recebidas pelo Estado Português.
Este acordo põe fim ao Litígio Arbitral, chegando a soluções compatíveis com os interesses do Estado Português, nomeadamente quanto ao fornecimento de viaturas Pandur e o cumprimento das contrapartidas associadas, tendo tido a intervenção do Exército Português e da Direcção Geral das Actividades Económicas.
O Gabinete do Ministro da Defesa Nacional
O Gabinete do Ministro da Economia
Lisboa, 26 de Setembro de 2014 (Fonte: Defesa.PT)
Em causa estava o litígio, entre as partes, referente à execução do “Programa Relativo à Aquisição de Viaturas Blindadas com Rodas 8x8 (viaturas Pandur)”.
Assim, e nos termos do acordo alcançado, o Estado Português garante:
1. 22 viaturas Pandur, entregues pela GD ao Estado Português, sem necessidade de efectuar qualquer pagamento;
2. € 55.458.481,18 resultantes da execução das garantias bancárias aquando da resolução do contrato de fornecimento referente a 85 viaturas, em Outubro de 2012;
3. € 82.480.990,58 de contrapartidas remanescentes, prestadas pela GD, nomeadamente aquelas que se prendem com a capacidade de operação e manutenção das viaturas já recebidas;
4. Garantias bancárias entregues pela GD, que se mantêm nos 25% sobre o valor em causa referentes ao contrato de contrapartidas e de fornecimento de 22 viaturas;
5. Manutenção do contrato de sobressalentes para as viaturas recebidas pelo Estado Português.
Este acordo põe fim ao Litígio Arbitral, chegando a soluções compatíveis com os interesses do Estado Português, nomeadamente quanto ao fornecimento de viaturas Pandur e o cumprimento das contrapartidas associadas, tendo tido a intervenção do Exército Português e da Direcção Geral das Actividades Económicas.
O Gabinete do Ministro da Defesa Nacional
O Gabinete do Ministro da Economia
Lisboa, 26 de Setembro de 2014 (Fonte: Defesa.PT)
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11 de julho de 2014
CEME assume Pandur como necessárias apesar do “programa coxo”
A aquisição dos referidos equipamentos militares foi decidida em 2004 e posteriormente formalizada junto da empresa austríaca Steyr, entretanto comprada pela norte-americana General Dynamics
O Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) defendeu hoje a aquisição das viaturas blindadas Pandur II como necessária para reabilitar aquele ramo das Forças Armadas e substituir as antigas chaimites, embora admitindo que "o programa está coxo".
"Trabalho com o que tenho, mas o programa não está completo. Não consigo cumprir determinadas missões por faltar certa tipologia de viaturas. O programa está ‘coxo'. Entre ter um ‘coxo' e ter tudo... Não serve para todo o tipo de opções com as quais podemos vir a ser confrontados", admitiu o general Carlos Jerónimo na Comissão Parlamentar de Inquérito aos Programas Relativos à Aquisição de Equipamentos Militares (EH-101, P-3 Orion, C-295, torpedos, F-16, submarinos, Pandur II).
O responsável do exército português, perante questões dos grupos parlamentares da maioria PSD/CDS-PP e de PS, PCP e BE, afirmou que "a aquisição das Pandur veio multiplicar a capacidade operacional da brigada de intervenção, com um forte impacto de modernização do exército, colocando-o a par de outros países integrantes da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte), podendo participar em ambientes multinacionais, por exemplo, nas missões dos Balcãs".
"As chaimites já estavam ultrapassadas há muito, embora as continuemos a utilizar. Era tempo de renovar equipamentos. Estas viaturas garantem a proteção na movimentação de homens em teatros como o Afeganistão ou o Kosovo. Não podemos ir para o terreno sem meios. Já lá vai o tempo da espada. Em Aljubarrota fomos muito bons, mas já não vivemos aí. Se pertencemos a vários clubes - NATO, UE e ONU -, temos de pagar a nossa parte da factura da segurança. Não podemos querer tê-la e só os outros ficarem encarregados dela", justificou.
A aquisição dos referidos equipamentos militares foi decidida em 2004 e posteriormente formalizada junto da empresa austríaca Steyr, entretanto comprada pela norte-americana General Dynamics. O Estado português já pagou cerca de 230 milhões de euros, num negócio que incluiria os custos de manutenção dos equipamentos. O actual Governo veio a decidir depois denunciar o contrato, justificando com "atrasos no prazo da entrega", segundo Carlos Jerónimo.
"O programa PANDUR tinha inicialmente previstas 240 viaturas para o exército mais 20 para a Marinha. Até agora, o exército recebeu 166 e a Marinha ainda não recebeu nenhuma. Estamos a falar de 11 tipos de viatura", esclareceu o CEME, lamentando a falta dos veículos com especificações para "anti-carro, morteiros, engenharia e comunicações".
Segundo Carlos Jerónimo, o exército português está em vias de conseguir tornar-se autónomo relativamente à capacidade humana e material de levar a cabo a manutenção destas viaturas.
O coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo, reformulou o requerimento para a audição de antigos ministros da Economia, juntando aos nomes de Carlos Tavares e Álvaro Barreto os de Manuel Pinho e Vieira da Silva, além dos dois da actual maioria, Álvaro Santos Pereira e Pires de Lima. O pedido foi aprovado por unanimidade.
A comissão de inquérito vai voltar a reunir-se terça-feira para ouvir o chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Luís Macieira Fragoso, pelas 10:00, seguindo-se a vez do chefe do Estado-Maior da Força Aérea, general José Araújo Pinheiro. (I)
O Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) defendeu hoje a aquisição das viaturas blindadas Pandur II como necessária para reabilitar aquele ramo das Forças Armadas e substituir as antigas chaimites, embora admitindo que "o programa está coxo".
"Trabalho com o que tenho, mas o programa não está completo. Não consigo cumprir determinadas missões por faltar certa tipologia de viaturas. O programa está ‘coxo'. Entre ter um ‘coxo' e ter tudo... Não serve para todo o tipo de opções com as quais podemos vir a ser confrontados", admitiu o general Carlos Jerónimo na Comissão Parlamentar de Inquérito aos Programas Relativos à Aquisição de Equipamentos Militares (EH-101, P-3 Orion, C-295, torpedos, F-16, submarinos, Pandur II).
O responsável do exército português, perante questões dos grupos parlamentares da maioria PSD/CDS-PP e de PS, PCP e BE, afirmou que "a aquisição das Pandur veio multiplicar a capacidade operacional da brigada de intervenção, com um forte impacto de modernização do exército, colocando-o a par de outros países integrantes da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte), podendo participar em ambientes multinacionais, por exemplo, nas missões dos Balcãs".
"As chaimites já estavam ultrapassadas há muito, embora as continuemos a utilizar. Era tempo de renovar equipamentos. Estas viaturas garantem a proteção na movimentação de homens em teatros como o Afeganistão ou o Kosovo. Não podemos ir para o terreno sem meios. Já lá vai o tempo da espada. Em Aljubarrota fomos muito bons, mas já não vivemos aí. Se pertencemos a vários clubes - NATO, UE e ONU -, temos de pagar a nossa parte da factura da segurança. Não podemos querer tê-la e só os outros ficarem encarregados dela", justificou.
A aquisição dos referidos equipamentos militares foi decidida em 2004 e posteriormente formalizada junto da empresa austríaca Steyr, entretanto comprada pela norte-americana General Dynamics. O Estado português já pagou cerca de 230 milhões de euros, num negócio que incluiria os custos de manutenção dos equipamentos. O actual Governo veio a decidir depois denunciar o contrato, justificando com "atrasos no prazo da entrega", segundo Carlos Jerónimo.
"O programa PANDUR tinha inicialmente previstas 240 viaturas para o exército mais 20 para a Marinha. Até agora, o exército recebeu 166 e a Marinha ainda não recebeu nenhuma. Estamos a falar de 11 tipos de viatura", esclareceu o CEME, lamentando a falta dos veículos com especificações para "anti-carro, morteiros, engenharia e comunicações".
Segundo Carlos Jerónimo, o exército português está em vias de conseguir tornar-se autónomo relativamente à capacidade humana e material de levar a cabo a manutenção destas viaturas.
O coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo, reformulou o requerimento para a audição de antigos ministros da Economia, juntando aos nomes de Carlos Tavares e Álvaro Barreto os de Manuel Pinho e Vieira da Silva, além dos dois da actual maioria, Álvaro Santos Pereira e Pires de Lima. O pedido foi aprovado por unanimidade.
A comissão de inquérito vai voltar a reunir-se terça-feira para ouvir o chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Luís Macieira Fragoso, pelas 10:00, seguindo-se a vez do chefe do Estado-Maior da Força Aérea, general José Araújo Pinheiro. (I)
16 de outubro de 2012
Ministério da Defesa denuncia contrato das Pandur
O Ministério da Defesa vai denunciar o contrato das viaturas Pandur para o Exército (que fica com 166) e Marinha (que não recebe nenhuma) e espera conseguir uma indemnização na ordem dos 55 milhões de euros da General Dynamics.
«Iremos apresentar no próximo Conselho de Ministros uma proposta que visa a rescisão do contrato das Pandur», afirmou o ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, durante uma audição na comissão parlamentar, numa citação da agência Lusa.
Segundo o Ministério da Defesa, a decisão é sustentada por pareceres jurídicos requeridos pela tutela e foi desenvolvida em articulação permanente com o ramo.
Aguiar-Branco referiu que a denúncia permite terminar com «um impasse que se mantinha desde 2010» com o fornecedor, a General Dynamics, devido a «sucessivos atrasos» na entrega de equipamentos e que na próxima revisão da Lei de Programação Militar irá tentar ser encontrada uma solução alternativa.
De acordo com a tutela, até ao momento foram pagos pouco mais de 233 milhões de euros pela entrega de 166 Pandur ao Exército, havendo 47 ainda a serem alvo de intervenção técnica.
Com a resolução do contrato não haverá lugar ao pagamento dos cerca de 130 milhões de euros devidos pelas 94 Pandur que serão «canceladas» e a Marinha não receberá nenhuma das vinte viaturas anfíbias que estavam previstas.
O Estado português espera ainda poder receber uma indemnização «que poderá rondar os 55 milhões de euros» por parte da General Dynamics. (TVI)
12 de dezembro de 2011
Exército espera que programa das Pandur possa continuar em 2012
O chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) disse nesta segunda-feira ter “a expectativa” de que o programa das viaturas Pandur possa continuar a desenvolver-se em 2012 e que o ministério da Defesa prossiga as conversações com o fabricante.
“Eu não sei se a palavra correcta é congelamento, eu sei que o assunto está a ser debatido neste momento pelo ministério da Defesa, o senhor ministro está empenhado na discussão do projecto com a General Dynamics e com a Steyr, por forma a enquadrar o programa nas capacidades financeiras de que o país pode dispor nesta fase”, afirmou o general Luís Pinto Ramalho, no final de uma sessão de apresentação de um livro.
Há cerca de um mês, o ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, anunciou no Parlamento que os programas dos helicópteros NH90 e das viaturas Pandur não têm qualquer “encargo financeiro” previsto em 2012.
“Estamos na expectativa de que o programa se desenvolva, pode sofrer um atraso, uma dilação, mas a expectativa do Exército é uma expectativa positiva e de que o programa das Pandur seja concluído na sua plenitude”, afirmou hoje o general Pinto Ramalho.
O chefe do Exército adiantou ainda que “as 240 viaturas têm um processo normal de entrega” e que até agora “foram entregues 162”. (Público)
“Eu não sei se a palavra correcta é congelamento, eu sei que o assunto está a ser debatido neste momento pelo ministério da Defesa, o senhor ministro está empenhado na discussão do projecto com a General Dynamics e com a Steyr, por forma a enquadrar o programa nas capacidades financeiras de que o país pode dispor nesta fase”, afirmou o general Luís Pinto Ramalho, no final de uma sessão de apresentação de um livro.
Há cerca de um mês, o ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, anunciou no Parlamento que os programas dos helicópteros NH90 e das viaturas Pandur não têm qualquer “encargo financeiro” previsto em 2012.
“Estamos na expectativa de que o programa se desenvolva, pode sofrer um atraso, uma dilação, mas a expectativa do Exército é uma expectativa positiva e de que o programa das Pandur seja concluído na sua plenitude”, afirmou hoje o general Pinto Ramalho.
O chefe do Exército adiantou ainda que “as 240 viaturas têm um processo normal de entrega” e que até agora “foram entregues 162”. (Público)
19 de outubro de 2010
Blindados Pandur "Há um novo calendário de entregas e pagamentos"
O Governo chegou a acordo com a empresa fornecedora dos blindados de rodas Pandur quanto a «um novo calendário de entregas e pagamentos» dos equipamentos, que prevê a triplicação das penalizações a pagar pela Styer por incumprimento.
O novo plano, acordado na última sexta-feira, alarga o prazo de entrega das viaturas de 2011 para 2013 e de pagamento até 2013 (até 2014 para um pequeno grupo de viaturas de engenharia), explicou o ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, em declarações à Agência Lusa.
«É um entendimento que é favorável a este duplo interesse do Estado português: garante ao Exército que terá desenvolvido e completado num prazo razoável o programa de viaturas blindadas de rodas e que a sua brigada de intervenção terá as viaturas modernas de que precisa e o interesse de ter prazos de entrega e prazos de pagamento exequíveis e que nos coloquem a salvo de qualquer outras vias-sacras de incumprimentos sucessivos», apontou.
Augusto Santos Silva salientou que as penalizações contratuais aplicáveis por mora por atraso na entrega «triplicam de valor» à luz do entendimento alcançado.
«O que quer dizer que, se necessário, o Estado português passa a dispor de uma capacidade de penalizar o fornecedor que é tripla da actual», reforçou.
O titular da pasta da Defesa considerou, de resto, que os «sucessivos incumprimentos de prazos de entrega» das viaturas Pandur, que «estavam manifestamente a prejudicar todas as partes», tinham conduzido a situação a «um impasse» e à necessidade de um «planeamento exequível».
«Tínhamos chegado ao ponto em que não estava a ser cumprido o quinto calendário estabelecido entre as partes. E por isso mesmo recorremos a uma figura que a lei permite, dirigindo à empresa fornecedora tantas interpelações admonitórias quanto os veículos por entregar e que à luz do contrato já deveriam ter sido entregues (...) a primeira não foi cumprida pela empresa (...) chamámos a atenção da empresa para as consequências que poderiam decorrer», lembrou.
Seguiram-se reuniões «ao mais alto nível» com representantes da empresa fornecedora, nas quais foi transmitida a ideia de que «o interesse do Estado português é que a Brigada de Intervenção do Exército português tenha as viaturas de que precisa», mas que o programa «se realize», que os prazos «sejam cumpridos» e que «as viaturas estejam em condições».(Iol)
O novo plano, acordado na última sexta-feira, alarga o prazo de entrega das viaturas de 2011 para 2013 e de pagamento até 2013 (até 2014 para um pequeno grupo de viaturas de engenharia), explicou o ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, em declarações à Agência Lusa.
«É um entendimento que é favorável a este duplo interesse do Estado português: garante ao Exército que terá desenvolvido e completado num prazo razoável o programa de viaturas blindadas de rodas e que a sua brigada de intervenção terá as viaturas modernas de que precisa e o interesse de ter prazos de entrega e prazos de pagamento exequíveis e que nos coloquem a salvo de qualquer outras vias-sacras de incumprimentos sucessivos», apontou.
Augusto Santos Silva salientou que as penalizações contratuais aplicáveis por mora por atraso na entrega «triplicam de valor» à luz do entendimento alcançado.
«O que quer dizer que, se necessário, o Estado português passa a dispor de uma capacidade de penalizar o fornecedor que é tripla da actual», reforçou.
O titular da pasta da Defesa considerou, de resto, que os «sucessivos incumprimentos de prazos de entrega» das viaturas Pandur, que «estavam manifestamente a prejudicar todas as partes», tinham conduzido a situação a «um impasse» e à necessidade de um «planeamento exequível».
«Tínhamos chegado ao ponto em que não estava a ser cumprido o quinto calendário estabelecido entre as partes. E por isso mesmo recorremos a uma figura que a lei permite, dirigindo à empresa fornecedora tantas interpelações admonitórias quanto os veículos por entregar e que à luz do contrato já deveriam ter sido entregues (...) a primeira não foi cumprida pela empresa (...) chamámos a atenção da empresa para as consequências que poderiam decorrer», lembrou.
Seguiram-se reuniões «ao mais alto nível» com representantes da empresa fornecedora, nas quais foi transmitida a ideia de que «o interesse do Estado português é que a Brigada de Intervenção do Exército português tenha as viaturas de que precisa», mas que o programa «se realize», que os prazos «sejam cumpridos» e que «as viaturas estejam em condições».(Iol)
15 de setembro de 2010
Ministro da Defesa cobra 15 milhões por contrato das 'Pandur'
Comissão de Contrapartidas avisou General Dynamics por escrito que se prepara para cobrar multa por incumprimentos
O ministro da Defesa chamou a Lisboa o presidente europeu do fabricante das viaturas Pandur, John Ulrich, para uma reunião a realizar em breve, soube ontem o DN.
O encontro ocorre a cerca de três semanas do fim do prazo dado à Steyr - agora integrada na divisão europeia da multinacional norte-americana General Dynamics (GD), de que John Ulrich também é vice-presidente - para cumprir o contrato de entrega de um segundo conjunto das Pandur (num total de 260).
"O que podemos dizer nesta altura é que estão a decorrer contactos com a GD", informou o Ministério.
Na mesa está também o incumprimento do contrato de contrapartidas. Segundo as fontes, a Comissão Permanente de Contrapartidas já avisou que se prepara para exigir uma multa "na ordem dos 15 milhões de euros".
Em relação ao programa, pelas quais o Estado deveria pagar este ano algumas dezenas de milhões de euros, a dúvida reside em saber qual a opção do Governo perante o repetido incumprimento da Steyr/GD (partido-se do princípio que não pode ficar de braços cruzados num caso de reiterado incumprimento contratual).
Se denunciar o contrato, poupa milhões de euros (mais os que poderia receber das contrapartidas) - mas afectaria o reequipamento das Forças Armadas numa área crítica (protecção blindada) do emprego operacional das tropas e, ainda, poderia acarretar o desemprego de trabalhadores da Fabrequipa (empresa do Barreiro encarregue de fabricar e manter as Pandur).
Outra hipótese, segundo algumas fontes, passará pela redução no número de viaturas a adquirir e respectiva diminuição das verbas a pagar - e subsequente recalendarização.
Outra alternativa é manter o total das Pandur mas adiar o pagamento das que estão por pagar - uma vez que as primeiras dezenas de viaturas (defeituosas) foram "pagas adiantadamente".
No caso do Exército, foram já entregues centena e meia de viaturas blindadas (num total de 240), das quais só duas dezenas e meia foram aceites em definitivo devido aos problemas de fabrico das restantes. Isso levou a propor a entrega da reparação de 60 das Pandur às Oficinas Gerais de Material do Exército, que o Ministério equaciona e a que se opõe a Fabrequipa - perde alguns milhões de euros e corre o risco de, a prazo, ficar sem o vultuoso e prolongado negócio da manutenção. (DN)
O ministro da Defesa chamou a Lisboa o presidente europeu do fabricante das viaturas Pandur, John Ulrich, para uma reunião a realizar em breve, soube ontem o DN.
O encontro ocorre a cerca de três semanas do fim do prazo dado à Steyr - agora integrada na divisão europeia da multinacional norte-americana General Dynamics (GD), de que John Ulrich também é vice-presidente - para cumprir o contrato de entrega de um segundo conjunto das Pandur (num total de 260).
"O que podemos dizer nesta altura é que estão a decorrer contactos com a GD", informou o Ministério.
Na mesa está também o incumprimento do contrato de contrapartidas. Segundo as fontes, a Comissão Permanente de Contrapartidas já avisou que se prepara para exigir uma multa "na ordem dos 15 milhões de euros".
Em relação ao programa, pelas quais o Estado deveria pagar este ano algumas dezenas de milhões de euros, a dúvida reside em saber qual a opção do Governo perante o repetido incumprimento da Steyr/GD (partido-se do princípio que não pode ficar de braços cruzados num caso de reiterado incumprimento contratual).
Se denunciar o contrato, poupa milhões de euros (mais os que poderia receber das contrapartidas) - mas afectaria o reequipamento das Forças Armadas numa área crítica (protecção blindada) do emprego operacional das tropas e, ainda, poderia acarretar o desemprego de trabalhadores da Fabrequipa (empresa do Barreiro encarregue de fabricar e manter as Pandur).
Outra hipótese, segundo algumas fontes, passará pela redução no número de viaturas a adquirir e respectiva diminuição das verbas a pagar - e subsequente recalendarização.
Outra alternativa é manter o total das Pandur mas adiar o pagamento das que estão por pagar - uma vez que as primeiras dezenas de viaturas (defeituosas) foram "pagas adiantadamente".
No caso do Exército, foram já entregues centena e meia de viaturas blindadas (num total de 240), das quais só duas dezenas e meia foram aceites em definitivo devido aos problemas de fabrico das restantes. Isso levou a propor a entrega da reparação de 60 das Pandur às Oficinas Gerais de Material do Exército, que o Ministério equaciona e a que se opõe a Fabrequipa - perde alguns milhões de euros e corre o risco de, a prazo, ficar sem o vultuoso e prolongado negócio da manutenção. (DN)
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1 de setembro de 2010
Pandur - Ministro da Defesa Nacional ignora presidente da GD Europa
O prazo estabelecido pelo ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, para que a Steyr Daimler Puch cumprisse o contrato de 364 milhões de euros e entregasse as viaturas blindadas de rodas (VBR 8x8) em atraso terminou ontem. O Estado ameaçou o fornecedor com a denúncia do contrato se a empresa austríaca, que integra o universo da General Dynamics (GD), não cumprisse o calendário de entrega dos equipamentos militares. Mas ontem, no dia D, o governo entrou em blackout total. O i sabe, porém, que a General Dynamics chegou a fazer uma proposta de recalendarização para a entrega das viaturas em falta. Essa proposta acabou por ser "chumbada" no Ministério da Defesa Nacional.
A iniciativa do fornecedor ocorreu após o ultimato de 26 de Maio de 2010 assinado pelo vice-almirante Viegas Filipe: "O Estado português entende que é chegada a hora de dar a V. Ex.as uma última oportunidade para cumprir todas as obrigações contratuais que se encontram em mora, o que, não acontecendo, terá como efeito transformar a actual situação de mora em incumprimento definitivo do contrato", escreveu o director- -geral de Armamento e Infra-Estruturas de Defesa na carta que enviou à Steyr.
Fontes do Ministério da Defesa garantem ao i que, desde esta última proposta da Steyr para redefinir o calendário de entrega, as negociações não avançaram um milímetro. E a relação entre o Estado português e a General Dynamics (proprietária da Steyr) azedou.
Antes de enviar a carta à Steyr, o vice--almirante recebeu em Lisboa Alfonso Ramonet, o chief operational officer (COO) da GD Europa, e não lhe disse uma palavra sobre os atrasos na execução do contrato das Pandur. Entretanto, e já depois do ultimato de Maio, houve duas reuniões entre Viegas Filipe e Clive Vacher, o vice-presidente da GD Europa. Fontes da própria General Dynamics garantem ao i que "essas reuniões não correram nada bem".
O presidente da GD Europa, John Ulrich, chegou mesmo a solicitar uma reunião com o ministro da Defesa Nacional, Augusto Santos Silva, para tratar da questão das Pandur. Mas nunca recebeu resposta ao seu pedido.
Fontes militares disseram ao i que não foram entregues ao Exército nem à Marinha mais viaturas Pandur, apesar de a empresa portuguesa que as produz, a Fabrequipa, ter garantido que existem 30 blindados prontos para serem inspeccionados pelo Exército.
Os objectivos contratuais definem que já deviam ter sido entregues 166 viaturas. Oficialmente, o Exército recebeu apenas 21 dos 240 blindados. E a Marinha não recebeu nenhuma das 20 viaturas blindadas anfíbias. Ao Exército foram entregues 99 Pandur com anomalias. Na prática, é como se estas não tivessem sido oficialmente recebidas.
A possível denuncia do contrato já foi objecto de estudo por parte dos escritórios de advogados que apoiam o Estado, soube o i. O "DN" noticiou na semana passada que um documento assinado pelo então ministro da Defesa, Paulo Portas, define que o cumprimento do contrato decorre com a entrega de viatura a viatura - o que colocaria em causa a rescisão global do contrato com a Steyr.
Sucede que, segundo fontes militares conhecedoras do clausulado e de acordo com especialistas em direito contactados pelo i, do contrato constam prazos a cumprir e penalidades aplicáveis. Se o Estado se sente lesado pode mesmo accionar a resolução do contrato. Resta saber se quer mesmo fazê-lo, ou se a ameaça dirigida à Steyr não foi mais do que um tiro de pólvora seca.(I)
A iniciativa do fornecedor ocorreu após o ultimato de 26 de Maio de 2010 assinado pelo vice-almirante Viegas Filipe: "O Estado português entende que é chegada a hora de dar a V. Ex.as uma última oportunidade para cumprir todas as obrigações contratuais que se encontram em mora, o que, não acontecendo, terá como efeito transformar a actual situação de mora em incumprimento definitivo do contrato", escreveu o director- -geral de Armamento e Infra-Estruturas de Defesa na carta que enviou à Steyr.
Fontes do Ministério da Defesa garantem ao i que, desde esta última proposta da Steyr para redefinir o calendário de entrega, as negociações não avançaram um milímetro. E a relação entre o Estado português e a General Dynamics (proprietária da Steyr) azedou.
Antes de enviar a carta à Steyr, o vice--almirante recebeu em Lisboa Alfonso Ramonet, o chief operational officer (COO) da GD Europa, e não lhe disse uma palavra sobre os atrasos na execução do contrato das Pandur. Entretanto, e já depois do ultimato de Maio, houve duas reuniões entre Viegas Filipe e Clive Vacher, o vice-presidente da GD Europa. Fontes da própria General Dynamics garantem ao i que "essas reuniões não correram nada bem".
O presidente da GD Europa, John Ulrich, chegou mesmo a solicitar uma reunião com o ministro da Defesa Nacional, Augusto Santos Silva, para tratar da questão das Pandur. Mas nunca recebeu resposta ao seu pedido.
Fontes militares disseram ao i que não foram entregues ao Exército nem à Marinha mais viaturas Pandur, apesar de a empresa portuguesa que as produz, a Fabrequipa, ter garantido que existem 30 blindados prontos para serem inspeccionados pelo Exército.
Os objectivos contratuais definem que já deviam ter sido entregues 166 viaturas. Oficialmente, o Exército recebeu apenas 21 dos 240 blindados. E a Marinha não recebeu nenhuma das 20 viaturas blindadas anfíbias. Ao Exército foram entregues 99 Pandur com anomalias. Na prática, é como se estas não tivessem sido oficialmente recebidas.
A possível denuncia do contrato já foi objecto de estudo por parte dos escritórios de advogados que apoiam o Estado, soube o i. O "DN" noticiou na semana passada que um documento assinado pelo então ministro da Defesa, Paulo Portas, define que o cumprimento do contrato decorre com a entrega de viatura a viatura - o que colocaria em causa a rescisão global do contrato com a Steyr.
Sucede que, segundo fontes militares conhecedoras do clausulado e de acordo com especialistas em direito contactados pelo i, do contrato constam prazos a cumprir e penalidades aplicáveis. Se o Estado se sente lesado pode mesmo accionar a resolução do contrato. Resta saber se quer mesmo fazê-lo, ou se a ameaça dirigida à Steyr não foi mais do que um tiro de pólvora seca.(I)
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6 de agosto de 2010
Fabrequipa fecha se governo rasgar contrato dos blindados Pandur
Ao assinar o contrato de compra de 260 veículos blindados Pandur à Steyr-Daimler-Puch, em 2005, o governo exigiu que a General Dynamics (GD) transferisse para Portugal o know-how associado à produção do modelo. Para esse efeito foi criada uma fábrica em Portugal, a Fabrequipa. A mesma que, com a ruptura do contrato em cima da mesa do Ministério da Defesa, enfrenta um cenário de falência pelas mesmas mãos de quem pensou a sua existência. Há 250 postos de trabalho em risco.
"Quando o senhor secretário de Estado diz que a Fabrequipa tem de pedir responsabilidades à General Dynamics, esquece-se que foi o Estado que exigiu - nos contratos de fornecimento e contrapartidas - que a GD transferisse para uma empresa portuguesa o know-how tecnológico e os direitos associados à produção dos Pandur. Foi uma exigência do Estado português. Agora é ele mesmo a querer mandar tudo para o lixo?" explica ao i a advogada da Fabrequipa, Paula Lourenço, em resposta às declarações do secretário de Estado da Defesa, Marcos Perestrello.
Ontem, e perante a notícia avançada pelo i de que o Estado português estaria a preparar-se para rasgar o contrato de fornecimento das Pandur arriscando uma guerra jurídica com um dos maiores fabricantes mundiais de armamento, o governante assumiu que a relação com a unidade austríaca de sistemas terrestres da GD tem sido marcada por "incumprimentos". No entanto, negou que o governo tenha alguma responsabilidade sobre o futuro da unidade do Barreiro. "O Estado português não tem nenhum contrato com a empresa portuguesa que está a fazer as viaturas Pandur. Esse contrato é entre o fornecedor austríaco, a Steyr, e uma empresa portuguesa."
A pouco menos de um mês - como o próprio Marcos Perestrello reconhece - de se ultrapassar o deadline imposto pelo Ministério da Defesa para que a construtora austríaca regularize a entrega dos Pandur, o governo tem todas as opções contratuais em aberto, incluindo a denúncia do acordo. "A relação contratual com a Steyr tem sido marcada por alguns incumprimentos por parte do fornecedor. O Estado português, na defesa dos interesses do país, usará todas as prerrogativas, quer contratuais, quer legais, para chegar a esse objectivo."
Fontes militares contactadas pelo i olham para a posição do governo como um esticar de corda que serve uma estratégia com um duplo objectivo: conquistar tempo, margem de manobra e flexibilidade orçamental num período em que os cofres nacionais não suportariam a acumulação simultânea de facturas de submarinos e blindados. Também nos círculos militares, ninguém acredita que as exigências feitas por Lisboa numa carta enviada à Steyr (ver texto ao lado) pelo director-geral de Armamento e Infra-estruturas, vice-almirante Viegas Filipe, possam ser cumpridas. Versão ontem confirmada à TSF por Francisco Pitta, proprietário da Fabrequipa, o parceiro nacional da Styer responsável pela construção de 220 Pandur em solo nacional. "As exigências feitas na carta pelo senhor vice-almirante Viegas Filipe são totalmente inexequíveis", acusou.
Ora, o prazo acaba no final de Agosto e, tendo em conta o histórico da Steyr, será que o governo ainda acredita na capacidade do fabricante austríaco e do parceiro nacional? "Isto não é uma questão de fé. A nossa expectativa é que o fornecedor cumpra as suas obrigações. Não o tem feito." Assim sendo, o governo deverá mesmo manter-se fiel ao ultimato e romper o contrato, mesmo que Perestrello diga que a questão "ainda" não se põe. "Caso haja resolução do contrato entre Portugal e a GD, isso significa, sem sombra de dúvida, a impossibilidade da Fabrequipa continuar a laborar", sustenta Paula Lourenço, acusando o governo de incoerência: "Há vários casos, como o dos submarinos, em que os prazos não foram cumpridos." A Fabrequipa defende-se dos ataques do governo, e Paula Lourenço argumenta que o governo terá de perceber duas coisas: "Primeiro, sempre houve entregas dos Pandur, ainda que os prazos não tenham sido cumpridos à risca. E se não foram feitas as entregas nos termos que os militares queriam, a responsabilidade é de quem tem de fiscalizar os fornecimentos - Missão de Acompanhamento e Fiscalização, militares da Fabrequipa e Comissão de Contrapartidas. A segunda coisa é que no caso dos Pandur existe pela primeira vez transferência de know-how e criação de emprego em Portugal. A Fabrequipa, beneficiária das contrapartidas, investiu tendo como garantia a própria exigência contratual do Estado." Se Lisboa optar pela dissolução do contrato, Paula Lourenço acredita que isso se deve "à incompetência do governo - através dos seus organismos - em fazer a fiscalização dos fornecimentos e da execução das contrapartidas".
Até agora o Exército português recebeu 120 Pandur de sete versões de um total previsto de 240 blindados de 12 versões, num negócio avaliado em 364 milhões de euros. Além dos atrasos nas entregas do fornecedor, têm-se somado problemas técnicos e sinal disso mesmo, é que dos 120 blindados recebidos, apenas sobre 20 deles foi accionada a cláusula de garantia.
As Pandur, substitutas das Chaimites, representam claramente um salto tecnológico para o Exército e deveriam equipar a Brigada de Intervenção que integrará o European Battle Group. (Iol)
"Quando o senhor secretário de Estado diz que a Fabrequipa tem de pedir responsabilidades à General Dynamics, esquece-se que foi o Estado que exigiu - nos contratos de fornecimento e contrapartidas - que a GD transferisse para uma empresa portuguesa o know-how tecnológico e os direitos associados à produção dos Pandur. Foi uma exigência do Estado português. Agora é ele mesmo a querer mandar tudo para o lixo?" explica ao i a advogada da Fabrequipa, Paula Lourenço, em resposta às declarações do secretário de Estado da Defesa, Marcos Perestrello.
Ontem, e perante a notícia avançada pelo i de que o Estado português estaria a preparar-se para rasgar o contrato de fornecimento das Pandur arriscando uma guerra jurídica com um dos maiores fabricantes mundiais de armamento, o governante assumiu que a relação com a unidade austríaca de sistemas terrestres da GD tem sido marcada por "incumprimentos". No entanto, negou que o governo tenha alguma responsabilidade sobre o futuro da unidade do Barreiro. "O Estado português não tem nenhum contrato com a empresa portuguesa que está a fazer as viaturas Pandur. Esse contrato é entre o fornecedor austríaco, a Steyr, e uma empresa portuguesa."
A pouco menos de um mês - como o próprio Marcos Perestrello reconhece - de se ultrapassar o deadline imposto pelo Ministério da Defesa para que a construtora austríaca regularize a entrega dos Pandur, o governo tem todas as opções contratuais em aberto, incluindo a denúncia do acordo. "A relação contratual com a Steyr tem sido marcada por alguns incumprimentos por parte do fornecedor. O Estado português, na defesa dos interesses do país, usará todas as prerrogativas, quer contratuais, quer legais, para chegar a esse objectivo."
Fontes militares contactadas pelo i olham para a posição do governo como um esticar de corda que serve uma estratégia com um duplo objectivo: conquistar tempo, margem de manobra e flexibilidade orçamental num período em que os cofres nacionais não suportariam a acumulação simultânea de facturas de submarinos e blindados. Também nos círculos militares, ninguém acredita que as exigências feitas por Lisboa numa carta enviada à Steyr (ver texto ao lado) pelo director-geral de Armamento e Infra-estruturas, vice-almirante Viegas Filipe, possam ser cumpridas. Versão ontem confirmada à TSF por Francisco Pitta, proprietário da Fabrequipa, o parceiro nacional da Styer responsável pela construção de 220 Pandur em solo nacional. "As exigências feitas na carta pelo senhor vice-almirante Viegas Filipe são totalmente inexequíveis", acusou.
Ora, o prazo acaba no final de Agosto e, tendo em conta o histórico da Steyr, será que o governo ainda acredita na capacidade do fabricante austríaco e do parceiro nacional? "Isto não é uma questão de fé. A nossa expectativa é que o fornecedor cumpra as suas obrigações. Não o tem feito." Assim sendo, o governo deverá mesmo manter-se fiel ao ultimato e romper o contrato, mesmo que Perestrello diga que a questão "ainda" não se põe. "Caso haja resolução do contrato entre Portugal e a GD, isso significa, sem sombra de dúvida, a impossibilidade da Fabrequipa continuar a laborar", sustenta Paula Lourenço, acusando o governo de incoerência: "Há vários casos, como o dos submarinos, em que os prazos não foram cumpridos." A Fabrequipa defende-se dos ataques do governo, e Paula Lourenço argumenta que o governo terá de perceber duas coisas: "Primeiro, sempre houve entregas dos Pandur, ainda que os prazos não tenham sido cumpridos à risca. E se não foram feitas as entregas nos termos que os militares queriam, a responsabilidade é de quem tem de fiscalizar os fornecimentos - Missão de Acompanhamento e Fiscalização, militares da Fabrequipa e Comissão de Contrapartidas. A segunda coisa é que no caso dos Pandur existe pela primeira vez transferência de know-how e criação de emprego em Portugal. A Fabrequipa, beneficiária das contrapartidas, investiu tendo como garantia a própria exigência contratual do Estado." Se Lisboa optar pela dissolução do contrato, Paula Lourenço acredita que isso se deve "à incompetência do governo - através dos seus organismos - em fazer a fiscalização dos fornecimentos e da execução das contrapartidas".
Até agora o Exército português recebeu 120 Pandur de sete versões de um total previsto de 240 blindados de 12 versões, num negócio avaliado em 364 milhões de euros. Além dos atrasos nas entregas do fornecedor, têm-se somado problemas técnicos e sinal disso mesmo, é que dos 120 blindados recebidos, apenas sobre 20 deles foi accionada a cláusula de garantia.
As Pandur, substitutas das Chaimites, representam claramente um salto tecnológico para o Exército e deveriam equipar a Brigada de Intervenção que integrará o European Battle Group. (Iol)
4 de agosto de 2010
Estado admite denunciar contrato de fornecimento de blindados "Pandur"
O secretário de Estado da Defesa, Marcos Perestrello, afirmou hoje que a relação contratual com a empresa de armamento Styer tem sido marcada por "incumprimentos" e admite denunciar o contrato de fornecimento dos blindados "pandur".
"A relação contratual com a Styer tem sido marcada por alguns incumprimentos por parte do fornecedor. O Estado português, na defesa dos interesses do país, usará todas as prerrogativas, quer contratuais, quer legais, para chegar a um objetivo, que é a defesa dos interesses nacionais", afirmou Marcos Perestrello aos jornalistas.
Numa declaração à imprensa no Ministério da Defesa, o secretário de Estado referiu que a denúncia do contrato é um cenário que "ainda não se coloca", mas "é uma das prerrogativas que está no contrato".
Para já, foi feita uma "uma advertência ao fornecedor, de que estando em incumprimento o Estado utilizaria todas as prerrogativas que o contrato prevê".
"Se isso acontecer, temos que ver a seguir o que vai acontecer", afirmou, referindo que não tem conhecimento que a empresa tenha dado qualquer resposta à advertência do Estado.
O jornal "I" avançou hoje que o Estado deverá romper o contrato de 364 milhões de euros para fornecimento e manutenção dos 260 blindados, tendo sido enviada uma carta "em forma de ultimato" à empresa austríaca Styer-Daimler-Puch.
"Convém ter a noção de que quem está em incumprimento não é o Estado português. O Estado português tem cumprido as suas obrigações e aquilo que espera é da parte dos fornecedores que sejam também capazes de cumprir as suas. Não havendo cumprimento por parte dos fornecedores, o Estado naturalmente utiliza todos os instrumentos ao seu dispor", sublinhou.
A data limite prevista para o cumprimento do contrato é o final de agosto, referiu Marcos Perestrello.
O secretário de Estado rejeitou que a eventual denúncia do contrato coloque em causa 200 postos de trabalho, sublinhando que "o que eventualmente põe em causa os postos de trabalho é o incumprimento por parte do fornecedor das suas obrigações com os seus fornecedores".
"O Estado português não tem nenhum contrato com a empresa portuguesa que está a fazer parte das viaturas 'pandur', esse contrato é um contrato entre o fornecedor austríaco, a Styer, e uma empresa portuguesa", argumentou.
Questionado sobre a utilização de eventuais critérios distintos por parte do Estado para com os fornecedores, nomeadamente no caso dos submarinos, Marcos Perestrello afirmou que nesse caso "o prazo não foi alargado".
"Neste caso concreto (dos 'pandur') é que o prazo foi renegociado no ano passado, foi acordado entre as partes no ano passado uma prorrogação do prazo e mesmo esse novo prazo prorrogado não está a ser cumprido nas suas alíneas intermédias", disse.
"Neste contrato, como no contrato dos submarinos, o Estado utiliza as prerrogativas que estão no contrato e na lei. No contrato dos submarinos não houve incumprimentos que permitissem ao Estado usar uma prerrogativa desta natureza", acrescentou.
Marcos Perestrello afirmou que "já houve 'pandur' entregues e a forma como o contrato está elaborado significa que nas pandur entregues já há cumprimento, essas viaturas já estão do lado do Estado português".
A denúncia do contrato "implicará penalidades para quem não cumprir o contrato" e caso se verifique "que o Estado português venha a ter perdas e danos, naturalmente que isso está salvaguardado no âmbito da lei", referiu.
Marcos Perestrello disse que não está para já previsto nenhum encontro com a empresa, sendo que "as diligências que são feitas entre o Estado português e os seus fornecedores são feitas no âmbito das relações contratuais normais".
Questionado sobre a forma como têm decorrido os contratos para aquisição de equipamentos para as Forças Armadas, o secretário de Estado reconheceu que "há contratos que têm corrido melhor, há contratos que têm corrido menos bem".
"No caso dos submarinos, o problema tem se colocado essencialmente na forma como está a ser executado o contrato de contrapartidas e não tanto o contrato de aquisição dos equipamentos", acrescentou.(Sic N)
"A relação contratual com a Styer tem sido marcada por alguns incumprimentos por parte do fornecedor. O Estado português, na defesa dos interesses do país, usará todas as prerrogativas, quer contratuais, quer legais, para chegar a um objetivo, que é a defesa dos interesses nacionais", afirmou Marcos Perestrello aos jornalistas.
Numa declaração à imprensa no Ministério da Defesa, o secretário de Estado referiu que a denúncia do contrato é um cenário que "ainda não se coloca", mas "é uma das prerrogativas que está no contrato".
Para já, foi feita uma "uma advertência ao fornecedor, de que estando em incumprimento o Estado utilizaria todas as prerrogativas que o contrato prevê".
"Se isso acontecer, temos que ver a seguir o que vai acontecer", afirmou, referindo que não tem conhecimento que a empresa tenha dado qualquer resposta à advertência do Estado.
O jornal "I" avançou hoje que o Estado deverá romper o contrato de 364 milhões de euros para fornecimento e manutenção dos 260 blindados, tendo sido enviada uma carta "em forma de ultimato" à empresa austríaca Styer-Daimler-Puch.
"Convém ter a noção de que quem está em incumprimento não é o Estado português. O Estado português tem cumprido as suas obrigações e aquilo que espera é da parte dos fornecedores que sejam também capazes de cumprir as suas. Não havendo cumprimento por parte dos fornecedores, o Estado naturalmente utiliza todos os instrumentos ao seu dispor", sublinhou.
A data limite prevista para o cumprimento do contrato é o final de agosto, referiu Marcos Perestrello.
O secretário de Estado rejeitou que a eventual denúncia do contrato coloque em causa 200 postos de trabalho, sublinhando que "o que eventualmente põe em causa os postos de trabalho é o incumprimento por parte do fornecedor das suas obrigações com os seus fornecedores".
"O Estado português não tem nenhum contrato com a empresa portuguesa que está a fazer parte das viaturas 'pandur', esse contrato é um contrato entre o fornecedor austríaco, a Styer, e uma empresa portuguesa", argumentou.
Questionado sobre a utilização de eventuais critérios distintos por parte do Estado para com os fornecedores, nomeadamente no caso dos submarinos, Marcos Perestrello afirmou que nesse caso "o prazo não foi alargado".
"Neste caso concreto (dos 'pandur') é que o prazo foi renegociado no ano passado, foi acordado entre as partes no ano passado uma prorrogação do prazo e mesmo esse novo prazo prorrogado não está a ser cumprido nas suas alíneas intermédias", disse.
"Neste contrato, como no contrato dos submarinos, o Estado utiliza as prerrogativas que estão no contrato e na lei. No contrato dos submarinos não houve incumprimentos que permitissem ao Estado usar uma prerrogativa desta natureza", acrescentou.
Marcos Perestrello afirmou que "já houve 'pandur' entregues e a forma como o contrato está elaborado significa que nas pandur entregues já há cumprimento, essas viaturas já estão do lado do Estado português".
A denúncia do contrato "implicará penalidades para quem não cumprir o contrato" e caso se verifique "que o Estado português venha a ter perdas e danos, naturalmente que isso está salvaguardado no âmbito da lei", referiu.
Marcos Perestrello disse que não está para já previsto nenhum encontro com a empresa, sendo que "as diligências que são feitas entre o Estado português e os seus fornecedores são feitas no âmbito das relações contratuais normais".
Questionado sobre a forma como têm decorrido os contratos para aquisição de equipamentos para as Forças Armadas, o secretário de Estado reconheceu que "há contratos que têm corrido melhor, há contratos que têm corrido menos bem".
"No caso dos submarinos, o problema tem se colocado essencialmente na forma como está a ser executado o contrato de contrapartidas e não tanto o contrato de aquisição dos equipamentos", acrescentou.(Sic N)
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Pandur,
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13 de setembro de 2009
General Dynamics garante cumprimento de entrega de blindados
A General Dynamics (GD) reiterou estar a cumprir o contrato de fornecimento de 260 viaturas blindadas Pandur e o programa de contrapartidas associado, desmentindo ter equacionado deslocalizar a sua montagem de Portugal como forma de pressão.
De acordo com a direcção da empresa norte-americana, até ao momento foram entregues 77 viaturas blindadas ao exército português e serão entregues outras 95 ate final de 2009.
"Vamos produzir as restantes 124 viaturas até 2010", disse um representante da empresa que pediu anonimato, explicando que deverá verificar-se no final do contrato um atraso "não significativo" de um trimestre de responsabilidade da empresa e do próprio cliente, que pediu sucessivas alterações ao projecto inicial.
Confrontada com informações sobre ajustamentos que terão de ser feitos em 34 viaturas produzidas inicialmente na Áustria, o responsável da GD disse tratar-se de pequenas alterações que serão remediadas em quatro semanas pela empresa Salvador Caetano, logo que o Ministério da Defesa aprove a negociação, sem custos adicionais para Portugal, e já feita entre as duas empresas.
"O MDN ainda não deu luz verde para a Salvador Caetano começar a fazer esses pequenos ajustes", diz a fonte, que garantiu que as restantes viaturas continuarão a ser produzidas pela parceira local portuguesa Fabrequipa.
Portugal adquiriu 16 versões diferentes dos blindados Pandur, 11 delas para o exército e cinco para a marinha.
As Pandur vão substituir as Chaimite ao serviço do exército nos últimos 40 anos, e que passaram por teatros operacionais tão distantes como a Guerra de África, Bósnia, e até como símbolo do 25 de Abril.
O custo total das 260 viaturas ascende a 344,211 milhões de euros, para além de outros 20 milhões de euros em contrato de sobressalentes.
O programa de aquisição das 260 novas viaturas Pandur, 20 das quais para a Armada, inscrito na Lei de Programação Militar, tem como finalidade "dotar o exército e a marinha de viaturas modernas, com elevada capacidade e versatilidade de emprego operacional e níveis adequados de segurança e protecção".
O lançamento do concurso, com selecção de propostas para negociação destinado à aquisição de Viaturas Blindadas de Rodas 8x8, para equipar o exército e a marinha foi anunciado em Agosto de 2003.
No entanto só a 15 de Fevereiro de 2005 o Ministério da Defesa assinou, com o grupo Steyr-Daimler-Puch, o contrato de fornecimento das novas viaturas blindadas de rodas (VBR) para o Exército e Marinha.
Em paralelo foi assinado um contrato de contrapartidas directas e indirectas, no valor de 516 milhões de euros.
O contrato prevê que a EID - Empresa de Investigação e Desenvolvimento de Electronica SA - a holding pública Empordef, produza os sistemas de comunicações, intercomunicação e de comando e controlo das VBR. (D.D/Lusa)
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