Portugal está a ser atacado com armas químicas e biológicas. Há relatos de explosões na área de Benfica e os serviços de inteligência têm informações de que o primeiro-ministro - que assiste a um jogo entre o Benfica e o FC Porto, no estádio da Luz - é um dos alvos dos terroristas. No parque de Monsanto, o ‘pulmão’ de Lisboa, os militares da Força Aérea que estão de turno no centro de comando e controlo não podem sair dos dois bunkers. Juntam-se militares dos outros ramos das Forças Armadas e minutos depois chega ao heliporto descaracterizado um EH-101 com António Costa a abordo. É a partir dali, que Portugal será comandado durante algumas horas ou vários dias.
Isto não aconteceu, mas poderá um dia ser realidade e várias fontes, que preferiram não ser identificadas, garantem que o país está preparado. O alerta para o risco de armas químicas e biológicas no espaço europeu foi dado em Novembro pelo primeiro-ministro francês, Manuel Valls.
Em situação de crise, os dois bunkers de Monsanto têm como objectivo principal o controlo e comando militar. No entanto, se isso for solicitado à Força Aérea, poderão ser adaptados em tempo recorde para receber as mais altas figuras do Estado, como o primeiro-ministro e o Presidente da República - transformando-se assim no cérebro militar e político do país. A Força Aérea, porém, só fará o resgate e abrigará grandes individualidades se isso lhe for expressamente solicitado pelas autoridades a quem cabe fazer a segurança.
“Não há nenhum plano de contingência escrito que refira que a Força Aérea tem de fazer um transporte em caso de estado de emergência ou que existe um espaço apenas dedicado ao Presidente da República ou ao primeiro-ministro, mas os bunkers podem ser usados para dar essa resposta, claro. Há sempre a possibilidade de haver planos secundários de activação do espaço”, explicou fonte das Forças Armadas que pediu para não ser identificada.
Estas são as únicas instalações do país desenhadas para ter “um certo coeficiente de sobrevivência em ‘situações NBQ’ (Nuclear, Biológicas e Químicas”.
Contactada pelo SOL, a PSP - responsável pela segurança do primeiro-ministro e do Presidente da República - disse não poder revelar informações sobre este assunto: “Relativamente às questões que nos coloca [sobre a possível utilização dos bunkers para protecção de altas figuras do Estado], estamos certos de que compreenderá que as mesmas se referem a matéria de natureza reservada e, como tal, a PSP não irá pronunciar-se sobre o assunto”.
A hipótese também não foi referida oficialmente pela Força Aérea: “A Força Aérea confirma a existência de instalações militares desta natureza, as quais visam a utilização operacional”.
Autonomia para 30 dias sem contacto com o exterior
Se a lotação não for superior a 40 pessoas, os dois espaços subterrâneos têm autonomia para garantir a sobrevivência de quem lá estiver durante 30 dias, sem contacto com o mundo exterior.
Ao que o SOL apurou, os dois espaços têm sistemas de telecomunicações e de filtragem de ar. Além disso, existem geradores e mantimentos: “Comida enlatada é o que está previsto para dar resposta a qualquer momento. Mas perante uma situação planeada pode pensar-se em outras soluções”.
Caso a opção estratégica passe por colocar mais pessoas dentro dos dois espaços, a Força Aérea não consegue garantir que a autonomia seja tão prolongada.
Um bunker operacional e outro para dormir
Os actuais bunkers resultam do aproveitamento do antigo bunker do Monsanto, que tinha como principal objectivo o abrigo em caso de crise. Um dos espaços é o centro de comando e controlo: é lá que está a área de relato e controlo, ou seja, onde chega toda a informação do tráfego aéreo, civil e militar, e toda a informação dos sensores de defesa aérea. Existe também uma sala de situação onde estão os controladores e se tomam as decisões no que respeita ao emprego operacional dos meios. Algumas destas salas, ao que o SOL sabe, terão entre 200 a 300 metros quadrados,
O outro bunker - conhecido entre os militares como “o buraco” - é onde estão as estruturas de apoio, como por exemplo os quartos. Aqui as divisões têm uma dimensão bastante mais reduzida.
Os militares que trabalham nestas instalações estão proibidos de levar telemóveis, computadores ou tablets. “Há hipótese de estes dispositivos serem preparados para captar comunicações e emitir dados”, explica ao SOL uma fonte conhecedora dos protocolos, adiantando: “O que se passa ali é o definido no padrão NATO”.
Portas só abrem com sensores biométricos e cartões
As instalações são discretas e nem o heliporto é identificável por vista aérea. Na verdade aquilo a que se chama heliporto secundário é um espaço amplo onde podem aterrar helicópteros como o EH-101 - modelo que transportou o Papa Bento XVI na visita oficial a Portugal e que é usado para busca e salvamento. Apesar de não ser comum isso acontecer, o SOL sabe que por várias vezes houve aparelhos a pousar naquele local.
Além disso, para se entrar nos bunkers as medidas de segurança são muito rigorosas. Além do controlo humano, há diversos tipos de sensores, entre os quais os biométricos, câmaras e ainda portas que só abrem quando tudo isto é conjugado com um cartão de acesso. Estas medidas existem não só à entrada dos bunkers, como nas ligações entre a área operacional e a de apoio.
Até hoje, as portas dos bunkers de Lisboa nunca tiveram de se fechar durante muito tempo ao exterior, a não ser em simulações. (Sol)
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23 de janeiro de 2016
17 de maio de 2015
Submergir de corpo e alma a bordo do Tridente
Chego à Base de Alfeite a meio de uma tarde que deambula entre a chuva e uns rasgos de sol. Recebi há dias a autorização da Marinha Portuguesa para viajar no submarino Tridente. A curiosidade é enorme.
Neste dia de Abril, a Primavera apresenta-se com o seu pior vestido. Há nuvens volumosas sobre o Tejo. Sou recebido por um oficial de distinta formalidade e simpatia. De malote atravessado ao peito, percorro a extensa base. É como uma cidade ao serviço da marinha, abrigada por muros dos olhares indiscretos dos civis. O Cristo Rei pisca-lhe o olho, de braços abertos, no Alto do Pragal.
Ao lado das fragatas impecavelmente cuidadas, destaca-se o lugre Creoula, um antigo bacalhoeiro, branco como a neve que cobria as paragens onde tantas vezes atracou. Está a aguardar pelas marés do Verão.
Esta é uma paisagem rara para os meus olhos. Apenas em jogos de computador ou em exposições de modelismo vi este tipo de beleza. O submarino destaca-se pelos seus 68 metros de comprimento. É negro como o carvão. Os mastros e a ponta do periscópio vincam a sua identidade.
Vou agora
Envio o último SMS antes de o telemóvel ficar sem rede. Desço umas escadas em ferro com cerca de seis metros para chegar ao corpo de avante. Belisco-me para confirmar que não se trata de um sonho. O sol ficou lá fora - deu lugar à luz artificial que me vai iluminar nos próximos dois dias.
Cabe aqui uma guarnição de sete oficiais, dez sargentos e 16 praças, todos fardados a preceito. Hirtos de rigor militar, sabem o que fazer e onde estar, de forma coordenada, com bordadas (turnos) de seis horas. Parece uma colmeia. A movimentação faz-se ao comprido neste tubo estreito. Quando duas pessoas se cruzam, alguém tem de ceder passagem.
Só posso circular entre a sala de controlo e a sala de convívio. Recebo indicações para não recolher imagens de determinados equipamentos. Respeito e guardo só para mim o que vi. Na verdade os meus olhos estão esgazeados de tanto fascínio, que nem tento perceber o que me coibiram de fotografar. Existem torneiras, botões e tubos por todo o lado. Até nas duas únicas casas de banho. O submarino não é uma embarcação de recreio. É uma máquina de trabalho ao serviço da nação, que tem a peculiaridade de não ser visível quando está submersa. Daí a austeridade do interior.
“O senhor Comandante convida-o a subir à torre”, comunica-me um oficial. Subo as escadas até ficar com o Tejo à vista. O vento bate-nos na face. Parece que o sol afinal chegou para ficar. Vamos a uma velocidade moderada, de peito cheio. Sinto-me tão orgulhoso por estar aqui como se sentem os submarinistas por pertencerem à 5.ª Esquadrilha.
À medida que vamos deixando a Base para trás, passamos por baixo da ponte 25 de Abril. Estão todos a postos e em permanente comunicação. Cruzamo-nos com cacilheiros e veleiros, que nos dão prioridade. Entretanto começo a sentir que estamos em alto-mar, depois de avistar o farol de São Lourenço do Bugio. Cascais esfuma-se no horizonte e a Costa da Caparica transforma-se numa linha ténue, lá bem ao fundo. Continuamos ainda à superfície a deslizar ao de leve nas águas do Atlântico. Fumamos um cigarro e conversamos sobre tudo um pouco. Sinto o corpo a baloiçar suavemente. O submarino é acariciado pela corrente do mar enquanto está parado. Esta viagem servirá de preparação para uma operação de 15 dias, conjunta com um submarino alemão que se encontra nas nossas águas. Vão testar o lançamento dos torpedos que o submarino carrega.
Na torre, junto-me a um punhado de submarinistas. Uns fumam, outros enviam SMS, outros conversam. O espírito de camaradagem está bem patente. Há quem relembre momentos passados a bordo deste mesmo submersível. “Uma vez fomos aos EUA. A discrição do submarino é de tal ordem que conseguimos estar ao lado de um porta-aviões americano sem que se apercebessem da nossa chegada. Somos invisíveis debaixo de água”.
Noite
Quando nos aproximamos das 20 horas, as luzes no interior do submarino começam a baixar de intensidade. É a única forma de distinguirmos o dia da noite. Não existem janelinhas redondas com vista para o exterior, como vemos nos desenhos animados. A Sala dos Comandos está crivada de monitores e painéis de controlo. A guarnição fala entre si sem que eu entenda patavina. Subentendo que os gráficos desenhados em alguns dos monitores correspondem aos sons registados pelo sonar. Conseguem distinguir os tipos de embarcações a partir do som que as suas hélices produzem. Os sensores são de tal forma potentes e exactos que permitem identificar muitas espécies marinhas, como camarões ou cardumes de sardinha. O submarino vai às escuras pelas águas oceânicas. É como se estivéssemos num quarto sem luz.
Enquanto uns controlam os monitores, outros escrevem o Diário de Bordo do submarino, à mão e com aprimorado rigor. Entretanto vou dar uma volta, ver como está o ambiente na sala de convívio. Passo pela pequena cozinha. Dois cozinheiros preparam arroz de lulas ao som de uma música africana que sai da coluna de um telemóvel.
Janto na sala dos oficiais. Os turnos também se aplicam nas horas das refeições. Não comem todos juntos, nem sequer ao mesmo tempo. A conversa prolonga-se e começo a perceber que dentro do submarino estão representadas quase todas as regiões do país. Um é dos Açores, outro do Porto e por aí adiante.
Antes de submergirmos subimos à torre para fumar um cigarro. O mar está uma 'sopa', sem agitação. “Você trouxe sorte. Há dois anos que não apanhamos um tempo assim”, diz-me o comandante. Lá ao fundo pisca o farol do Cabo Espichel. O céu está estrelado. “Está a ver ali? É planeta Vénus alinhado com a cintura de Orion”. Pergunto-lhes se estudam os astros e respondem-me que sim.
Chegada a hora de recolher, volto a descer as escadas. É fechada a escotilha. A partir de agora estou selado. Esta cápsula gigante vai submergir. Não entra água aqui. Não pode.
Encaminho-me para a minha cama, uma maca montada no corredor, mesmo sobre a mesa onde logo de manhã será servido o pequeno-almoço. Estou deitado. Por cima de mim está um futuro cozinheiro. Só podem ser submarinistas aqueles que se comprometem a permanecer nos quadros da Marinha. O conhecimento adquirido nesta embarcação é demasiado precioso para se formar militares de passagem. Os quartos estão reservados para os graduados, que têm outras responsabilidades. Merecem umas horas de sono tranquilas para preservar as suas competências. Sinto a cama a inclinar e alguns estalinhos nos ouvidos. É o submarino a submergir. Oiço dizer que atingimos os cento e tal metros de profundidade.
Sou embalado por um zunido grave das ventilações que renovam o oxigénio. Lá ao fundo, continua a trabalhar a guarnição que está de serviço, enquanto outra, como eu, dorme para daqui a seis horas entrar em acção.
Bom dia
Acordo em sobressalto, de novo inclinado, a sentir alguma vibração como se fosse um terramoto. Ouve-se o barulho de motores mas nenhum sinal da guarnição. Acho que o militar que está a dormir na cama por cima de mim nem abriu a pestana. Já conhece isto de frente para trás.
Entretanto o ambiente estabiliza e percebo que estamos a vir à superfície. São seis da manhã. O sol nasce às 07h15. Levanto-me, arrumo o saco de cama e preparo-me para mais um dia. Acorda mais gente. Vão entrar em serviço. Uns dizem 'bom dia', outros dirigem-se para a casa de banho em silêncio. Vou à cozinha queixar-me de que a água está fria. O cozinheiro faz-me o favor de a tornar quente. Tomo banho num dos dois chuveiros e visto-me para começar a trabalhar. Tomo o pequeno almoço com um dos oficiais e subo para a torre. Deparo-me com um nascer do sol como nunca tinha visto. Os tons alaranjados espalham-se em reflexos ao longo do oceano. Aproveito cada minuto como se fosse o último.
Entrego o corpo e a alma a cada clique da máquina fotográfica. Só vejo mar à minha volta. Explicam-me que, com a extensão da plataforma continental, o nosso país atingiu os 4 milhões de km2. Hoje somos 97% de mar e 3% de terra. Estou a flutuar sobre Portugal. Afinal não é assim tão pequeno. (Sol)
Neste dia de Abril, a Primavera apresenta-se com o seu pior vestido. Há nuvens volumosas sobre o Tejo. Sou recebido por um oficial de distinta formalidade e simpatia. De malote atravessado ao peito, percorro a extensa base. É como uma cidade ao serviço da marinha, abrigada por muros dos olhares indiscretos dos civis. O Cristo Rei pisca-lhe o olho, de braços abertos, no Alto do Pragal.
Ao lado das fragatas impecavelmente cuidadas, destaca-se o lugre Creoula, um antigo bacalhoeiro, branco como a neve que cobria as paragens onde tantas vezes atracou. Está a aguardar pelas marés do Verão.
Esta é uma paisagem rara para os meus olhos. Apenas em jogos de computador ou em exposições de modelismo vi este tipo de beleza. O submarino destaca-se pelos seus 68 metros de comprimento. É negro como o carvão. Os mastros e a ponta do periscópio vincam a sua identidade.
Vou agora
Envio o último SMS antes de o telemóvel ficar sem rede. Desço umas escadas em ferro com cerca de seis metros para chegar ao corpo de avante. Belisco-me para confirmar que não se trata de um sonho. O sol ficou lá fora - deu lugar à luz artificial que me vai iluminar nos próximos dois dias.
Cabe aqui uma guarnição de sete oficiais, dez sargentos e 16 praças, todos fardados a preceito. Hirtos de rigor militar, sabem o que fazer e onde estar, de forma coordenada, com bordadas (turnos) de seis horas. Parece uma colmeia. A movimentação faz-se ao comprido neste tubo estreito. Quando duas pessoas se cruzam, alguém tem de ceder passagem.
Só posso circular entre a sala de controlo e a sala de convívio. Recebo indicações para não recolher imagens de determinados equipamentos. Respeito e guardo só para mim o que vi. Na verdade os meus olhos estão esgazeados de tanto fascínio, que nem tento perceber o que me coibiram de fotografar. Existem torneiras, botões e tubos por todo o lado. Até nas duas únicas casas de banho. O submarino não é uma embarcação de recreio. É uma máquina de trabalho ao serviço da nação, que tem a peculiaridade de não ser visível quando está submersa. Daí a austeridade do interior.
“O senhor Comandante convida-o a subir à torre”, comunica-me um oficial. Subo as escadas até ficar com o Tejo à vista. O vento bate-nos na face. Parece que o sol afinal chegou para ficar. Vamos a uma velocidade moderada, de peito cheio. Sinto-me tão orgulhoso por estar aqui como se sentem os submarinistas por pertencerem à 5.ª Esquadrilha.
À medida que vamos deixando a Base para trás, passamos por baixo da ponte 25 de Abril. Estão todos a postos e em permanente comunicação. Cruzamo-nos com cacilheiros e veleiros, que nos dão prioridade. Entretanto começo a sentir que estamos em alto-mar, depois de avistar o farol de São Lourenço do Bugio. Cascais esfuma-se no horizonte e a Costa da Caparica transforma-se numa linha ténue, lá bem ao fundo. Continuamos ainda à superfície a deslizar ao de leve nas águas do Atlântico. Fumamos um cigarro e conversamos sobre tudo um pouco. Sinto o corpo a baloiçar suavemente. O submarino é acariciado pela corrente do mar enquanto está parado. Esta viagem servirá de preparação para uma operação de 15 dias, conjunta com um submarino alemão que se encontra nas nossas águas. Vão testar o lançamento dos torpedos que o submarino carrega.
Na torre, junto-me a um punhado de submarinistas. Uns fumam, outros enviam SMS, outros conversam. O espírito de camaradagem está bem patente. Há quem relembre momentos passados a bordo deste mesmo submersível. “Uma vez fomos aos EUA. A discrição do submarino é de tal ordem que conseguimos estar ao lado de um porta-aviões americano sem que se apercebessem da nossa chegada. Somos invisíveis debaixo de água”.
Noite
Quando nos aproximamos das 20 horas, as luzes no interior do submarino começam a baixar de intensidade. É a única forma de distinguirmos o dia da noite. Não existem janelinhas redondas com vista para o exterior, como vemos nos desenhos animados. A Sala dos Comandos está crivada de monitores e painéis de controlo. A guarnição fala entre si sem que eu entenda patavina. Subentendo que os gráficos desenhados em alguns dos monitores correspondem aos sons registados pelo sonar. Conseguem distinguir os tipos de embarcações a partir do som que as suas hélices produzem. Os sensores são de tal forma potentes e exactos que permitem identificar muitas espécies marinhas, como camarões ou cardumes de sardinha. O submarino vai às escuras pelas águas oceânicas. É como se estivéssemos num quarto sem luz.
Enquanto uns controlam os monitores, outros escrevem o Diário de Bordo do submarino, à mão e com aprimorado rigor. Entretanto vou dar uma volta, ver como está o ambiente na sala de convívio. Passo pela pequena cozinha. Dois cozinheiros preparam arroz de lulas ao som de uma música africana que sai da coluna de um telemóvel.
Janto na sala dos oficiais. Os turnos também se aplicam nas horas das refeições. Não comem todos juntos, nem sequer ao mesmo tempo. A conversa prolonga-se e começo a perceber que dentro do submarino estão representadas quase todas as regiões do país. Um é dos Açores, outro do Porto e por aí adiante.
Antes de submergirmos subimos à torre para fumar um cigarro. O mar está uma 'sopa', sem agitação. “Você trouxe sorte. Há dois anos que não apanhamos um tempo assim”, diz-me o comandante. Lá ao fundo pisca o farol do Cabo Espichel. O céu está estrelado. “Está a ver ali? É planeta Vénus alinhado com a cintura de Orion”. Pergunto-lhes se estudam os astros e respondem-me que sim.
Chegada a hora de recolher, volto a descer as escadas. É fechada a escotilha. A partir de agora estou selado. Esta cápsula gigante vai submergir. Não entra água aqui. Não pode.
Encaminho-me para a minha cama, uma maca montada no corredor, mesmo sobre a mesa onde logo de manhã será servido o pequeno-almoço. Estou deitado. Por cima de mim está um futuro cozinheiro. Só podem ser submarinistas aqueles que se comprometem a permanecer nos quadros da Marinha. O conhecimento adquirido nesta embarcação é demasiado precioso para se formar militares de passagem. Os quartos estão reservados para os graduados, que têm outras responsabilidades. Merecem umas horas de sono tranquilas para preservar as suas competências. Sinto a cama a inclinar e alguns estalinhos nos ouvidos. É o submarino a submergir. Oiço dizer que atingimos os cento e tal metros de profundidade.
Sou embalado por um zunido grave das ventilações que renovam o oxigénio. Lá ao fundo, continua a trabalhar a guarnição que está de serviço, enquanto outra, como eu, dorme para daqui a seis horas entrar em acção.
Bom dia
Acordo em sobressalto, de novo inclinado, a sentir alguma vibração como se fosse um terramoto. Ouve-se o barulho de motores mas nenhum sinal da guarnição. Acho que o militar que está a dormir na cama por cima de mim nem abriu a pestana. Já conhece isto de frente para trás.
Entretanto o ambiente estabiliza e percebo que estamos a vir à superfície. São seis da manhã. O sol nasce às 07h15. Levanto-me, arrumo o saco de cama e preparo-me para mais um dia. Acorda mais gente. Vão entrar em serviço. Uns dizem 'bom dia', outros dirigem-se para a casa de banho em silêncio. Vou à cozinha queixar-me de que a água está fria. O cozinheiro faz-me o favor de a tornar quente. Tomo banho num dos dois chuveiros e visto-me para começar a trabalhar. Tomo o pequeno almoço com um dos oficiais e subo para a torre. Deparo-me com um nascer do sol como nunca tinha visto. Os tons alaranjados espalham-se em reflexos ao longo do oceano. Aproveito cada minuto como se fosse o último.
Entrego o corpo e a alma a cada clique da máquina fotográfica. Só vejo mar à minha volta. Explicam-me que, com a extensão da plataforma continental, o nosso país atingiu os 4 milhões de km2. Hoje somos 97% de mar e 3% de terra. Estou a flutuar sobre Portugal. Afinal não é assim tão pequeno. (Sol)
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5 de abril de 2014
31 de outubro de 2013
CNN faz reportagem com militares portugueses
Os homens da Força Aérea Portuguesa que participam nas operações de vigilância das proximidades da ilha de Lampedusa, em Itália, são esta quarta-feira notícia na CNN. A estação norte-americana de televisão acompanhou os militares da Esquadra 502 Elefantes sediada na Base Aérea do Montijo que, a bordo de uma aeronave C-295M, efectuam missões de patrulha ao largo da ilha italiana. O patrulhamento serve para travar os naufrágios com embarcações de imigrantes africanos, como o que provocou mais de 300 mortos no início de Outubro.
A CNN refere que, com a disponibilização do meio aéreo para a Operação Herme, a Força Aérea Portuguesa corresponde a um pedido da Agência Europeia de Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas dos Estados-Membros da União Europeia (Frontex), que solicitou a Portugal o apoio à vigilância daquela área.
«O avião militar Português C- 295M descola de uma pista na Sicília e percorre os céus acima do Mediterrâneo, vasculhando lá em baixo os mares azuis em busca de sinais de vida», refere o repórter da CNN, para sublinhar que o objectivo das missões não é apenas detectar, seguir e identificar alvos suspeitos que tentem entrar na União Europeia de forma ilegal e sem autorização. O objectivo é também auxiliar embarcações que se encontrem em dificuldades e salvar vidas.
O tráfico de seres humanos na região é um grande negócio. Por isso, a equipa da CNN não foi autorizada a identificar qualquer um dos membros da tripulação do C-295M por medo de que possam tornar-se alvo de quadrilhas de contrabandistas.
«Nas missões, em cada semana, encontramos três ou quatro alvos de interesse», refere à CNN o capitão da aeronave. «O objectivo principal é detectar alvos de interesse de que a Frontex [nos dá as coordenadas]... Vamos lá e verificamo-los e, em seguida, transmitimos tudo à Frontex», acrescenta.
Os barcos de pesca são frequentemente alvos de interesse, porque às vezes são usados para traficar pessoas da África para a Europa. Em alguns casos, também as embarcações a vela são usadas para o mesmo propósito.
Durante o voo que a equipa da CNN acompanhou, a tripulação da aeronave portuguesa avistou um barco de borracha abandonado, que ali pode ter sido deixado por pessoas que tentavam atingir uma praia da Europa.
A aeronave C-295M está equipada com um sistema de vigilância, composto por sensores infravermelhos e câmaras de alta precisão que permitem identificar e rastrear alvos a grandes distâncias. A tripulação vai olhar para as embarcações que possuem um número invulgarmente elevado de pessoas a bordo, mas também irá verificar se um navio se move de forma estranha na água, um possível sinal de que está sobrecarregado com migrantes debaixo do convés.
No âmbito da FRONTEX, a Força Aérea Portuguesa realizou, entre 2011 e 2013, 274 missões, resultando no salvamento de 733 pessoas. No total, foram percorridos mais de 14 milhões de quilómetros quadrados, em cerca de 1400 horas de voo. (TVI)
A CNN refere que, com a disponibilização do meio aéreo para a Operação Herme, a Força Aérea Portuguesa corresponde a um pedido da Agência Europeia de Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas dos Estados-Membros da União Europeia (Frontex), que solicitou a Portugal o apoio à vigilância daquela área.
«O avião militar Português C- 295M descola de uma pista na Sicília e percorre os céus acima do Mediterrâneo, vasculhando lá em baixo os mares azuis em busca de sinais de vida», refere o repórter da CNN, para sublinhar que o objectivo das missões não é apenas detectar, seguir e identificar alvos suspeitos que tentem entrar na União Europeia de forma ilegal e sem autorização. O objectivo é também auxiliar embarcações que se encontrem em dificuldades e salvar vidas.
O tráfico de seres humanos na região é um grande negócio. Por isso, a equipa da CNN não foi autorizada a identificar qualquer um dos membros da tripulação do C-295M por medo de que possam tornar-se alvo de quadrilhas de contrabandistas.
«Nas missões, em cada semana, encontramos três ou quatro alvos de interesse», refere à CNN o capitão da aeronave. «O objectivo principal é detectar alvos de interesse de que a Frontex [nos dá as coordenadas]... Vamos lá e verificamo-los e, em seguida, transmitimos tudo à Frontex», acrescenta.
Os barcos de pesca são frequentemente alvos de interesse, porque às vezes são usados para traficar pessoas da África para a Europa. Em alguns casos, também as embarcações a vela são usadas para o mesmo propósito.
Durante o voo que a equipa da CNN acompanhou, a tripulação da aeronave portuguesa avistou um barco de borracha abandonado, que ali pode ter sido deixado por pessoas que tentavam atingir uma praia da Europa.
A aeronave C-295M está equipada com um sistema de vigilância, composto por sensores infravermelhos e câmaras de alta precisão que permitem identificar e rastrear alvos a grandes distâncias. A tripulação vai olhar para as embarcações que possuem um número invulgarmente elevado de pessoas a bordo, mas também irá verificar se um navio se move de forma estranha na água, um possível sinal de que está sobrecarregado com migrantes debaixo do convés.
No âmbito da FRONTEX, a Força Aérea Portuguesa realizou, entre 2011 e 2013, 274 missões, resultando no salvamento de 733 pessoas. No total, foram percorridos mais de 14 milhões de quilómetros quadrados, em cerca de 1400 horas de voo. (TVI)
14 de dezembro de 2012
REPORTAGEM DA SIC SOBRE OS COMANDOS
Na sequência do 50º aniversário da criação dos “Comandos”, a jornalista Joana Latino, da SIC, realizou uma reportagem onde reúne episódios históricos com a perspectiva da preparação de uma das tropas especiais do Exército Português para o desempenho das missões que actualmente lhe são atribuídas.
Com o testemunho de vários militares que servem no Centro de Tropas Comando, a reportagem está disponível para visualização nos sites do Exército.(Exército)
Ver reportagem aqui !
Com o testemunho de vários militares que servem no Centro de Tropas Comando, a reportagem está disponível para visualização nos sites do Exército.(Exército)
Ver reportagem aqui !
16 de novembro de 2012
.Reportagem sobre o NRP Arpão
No próximo domingo, dia 18 de Novembro, o submarino Arpão vai estar em destaque na TVI 24 no programa "SOS - Serviço de Alerta" que é transmitido às 21h30.
A NÃO PERDER !!!
15 de novembro de 2012
REPORTAGEM DA RTP NA ESCOLA PRÁTICA DE ARTILHARIA – MUDAR DE VIDA
No período entre os dias 5 e 13 de Novembro, a Escola Prática de Artilharia recebeu uma equipa da Rádio e Televisão de Portugal (RTP), constituída pela jornalista e Subdiretora de Informação, Rosário Salgueiro e pelos repórteres de imagem Carla Quirino e Rui Rodrigues, com a finalidade de realizarem uma reportagem no âmbito do programa “Mudar de Vida”, que será transmitido no canal 1 da RTP1, à segunda-feira após o telejornal.
Esta iniciativa nasceu da intenção da jornalista Rosário Salgueiro ser incorporada como militar numa unidade do Exército e “mudar de vida” durante um período de tempo colhendo a experiência de um cidadão que deseje ingressar nas fileiras do Exército como militar contratado.
A experiência de passar um período de tempo nas fileiras do Exército Português será contada na primeira pessoa no próximo dia 19 de novembro, mas, no entanto, adiantamos que o ambiente foi sempre de cooperação e de cordialidade entre a equipa de reportagem e os militares da Escola Prática de Artilharia. (Exército)
Esta iniciativa nasceu da intenção da jornalista Rosário Salgueiro ser incorporada como militar numa unidade do Exército e “mudar de vida” durante um período de tempo colhendo a experiência de um cidadão que deseje ingressar nas fileiras do Exército como militar contratado.
A experiência de passar um período de tempo nas fileiras do Exército Português será contada na primeira pessoa no próximo dia 19 de novembro, mas, no entanto, adiantamos que o ambiente foi sempre de cooperação e de cordialidade entre a equipa de reportagem e os militares da Escola Prática de Artilharia. (Exército)
24 de setembro de 2012
Destacamento de Acções Especiais "A força de elite dos fuzileiros portugueses"
São a versão portuguesa dos Navy Seal, a força de elite que Barack Obama chamou para encerrar o capítulo “Bin Laden”. O treino a que assistimos, tal como todas as acções do Destacamento de Acções Especiais (DAE), está pensado ao pormenor e desenrola-se como se de uma missão real se tratasse. A noção de que se corre risco de vida é permanente, daí que os primeiros momentos da operação aconteçam em poucos segundos – o efeito de surpresa é vital. É uma pequena amostra daquilo que esta força especial é convocada para fazer. A identidade é secundária – são ossos do ofício.
A MISSÃO No “navio-alvo” viajam meia dúzia de piratas dos tempos modernos. Podíamos estar ao largo da Somália, noite cerrada – cenário em que decorreria uma abordagem real do DAE dos Fuzileiros –, mas a simulação faz-se com vista para Lisboa, no Tejo, em plena luz do dia. Numa operação real, a bordo do navio, para além do estrondo das ondas a rebentar contra o casco e o rugido contínuo dos motores, pouco se conseguiria ouvir.
E mesmo aqui, quase sem ondulação, só com um ouvido atento se torna perceptível o som de hélices de um helicóptero. À luz do dia, é visível a sua aproximação, mas de noite passaria completamente despercebido. Desde o momento em que é ouvido pela primeira vez, e até que o helicóptero esteja a sobrevoar o navio, não passam mais de 12 segundos. Depois da aproximação relâmpago, o piloto imita o balancear do navio para conseguir uma posição estável, a uns sete metros de altura. Cá em baixo, duas embarcações semi-rígidas com cinco militares cada, equipados com o fato escuro das operações de abordagem, já se posicionaram de um e do outro lado do alvo, armas apontadas ao interior da embarcação para garantir a protecção de quem se aproxima pelo ar.
Passaram pouco mais de 30 segundos e a aeronave ganhou posição. Do helicóptero é lançada uma corda negra, por onde descem cinco homens para o convés do navio. Logo a seguir sobem os que se aproximaram de lancha. “No momento em que estamos a abordar a embarcação é quando estamos mais vulneráveis. Para quem vem na lancha, o momento em que nos agarramos à embarcação para subir é aquele em que sentimos o pico máximo de tensão”, conta um dos elementos do DAE, com oito anos de experiência na unidade, 11 de operações especiais. “O tipo de missões que aqui se fazem tem uma natureza diferente. Acredito que qualquer militar queira chegar ao topo na carreira, e este, para mim, é o ponto mais alto”.
Com toda a equipa a bordo, a progressão no interior do navio é feita metro a metro, ao ritmo a que vão sendo “anulados” os “objectivos” que aqui se encontrem, e até que esteja garantida a segurança de cada recanto, uma tarefa que pode prolongar-se por horas. “Num navio de grandes dimensões, com três ou mais andares e a carregar todo o peso do equipamento, é uma acção que se torna desgastante”, admite um dos elementos de topo do DAE. Quinze militares a bordo, a concentração é total, a margem de tolerância para erros, mínima. 15 minutos e o navio está tomado. Seis piratas foram dominados e houve uma baixa militar registada, com um ferimento de bala na perna.
Esta abordagem é apenas um entre os múltiplos e sempre imprevisíveis cenários em que o grupo opera. Nas acções de combate ao narcotráfico, na costa portuguesa, são uma presença frequente, ainda que em missão paralela e de apoio a investigações da Polícia Judiciária. A inactivação de explosivos, o resgate de altas individualidades ou de meros civis num país em plena convulsão social, ou as missões humanitárias – nestes e em muitos outros cenários, o DAE é chamado a intervir, porque faz o que nenhuma outra força do país consegue fazer.
A ENTRADA “Quem entra tem de treinar bastante para passar na selecção, e quem concorre já está acima da média. Mas quando chega cá dentro, quando encontra o nível de desempenho interno, é nesse momento que vê como é difícil chegar ao nível médio de performance da unidade. Só aí nos apercebemos do valor” do grupo, confessa o comandante da unidade, há alguns meses à frente do grupo.
A base de recrutamento de novos elementos é – regra de ouro – o grupo de homens que integram o corpo de fuzileiros, uma força só por si considerada a elite da Marinha. A abertura de concurso depende directamente da “gestão da carreira do número de efectivos da unidade”, explica o comandante. “Quando há necessidade de formar mais elementos para o DAE, abre-se o concurso para as operações especiais da Marinha e decorre depois um curso interno”.
Testes médicos, avaliações psicotécnicas e uma prova de aptidão – etapas com passagem obrigatória para os candidatos a integrar a força de elite. Seguem-se dois anos de formação intensiva, durante os quais os militares frequentam, entre outros, os cursos de mergulho de combate e o curso de pára-quedismo militar. Ao mesmo tempo, vão sendo integrados na unidade do DAE. Esta “formação de entrada no DAE”, o primeiro passo na carreira, permite interiorizar duas coisas: uma, a garantia de que um militar desta unidade não vai nunca poder fazer planos para amanhã; e outra, a consciência de que chegou onde muitos poucos conseguiram chegar.
“Para cada curso que abrimos tem havido uma média de 50 candidatos”, refere o comandante do DAE. Desses, apenas 20 - os melhores do grupo - vão ser seleccionados para frequentar o curso. “A taxa global de selecção, desde 1985, é de cerca de 10-15%”, e em cerca de 700 candidatos, menos de 100 alcançaram o objectivo final. O fim do serviço militar obrigatório não teve consequências no número de candidatos, nem levou a que o nível de exigência nos testes de admissão tivesse baixado: “As missões, lá fora, também não foram ficando mais fáceis”, resume o responsável.
Quem entra “tem de demonstrar um equilíbrio entre a capacidade intelectual, ou seja, o desempenho cognitivo, e a capacidade física, porque vai ter sempre um índice físico de base muito elevado”. A unir estes dois elementos surge a capacidade de resistir, a resiliência: “Como qualquer actividade profissional complexa, ela não vai correr sempre de feição. Surgem imprevistos, a incerteza é permanente e vai ser sempre preciso mostrar uma capacidade de adaptação sob stress e cansaço, resolver tarefas em simultâneo. O desempenho de muito elevado nível vai-lhes ser exigido em qualquer momento, e tem de continuar a ser apresentado, mesmo sob todos esses stressores”, explica o comandante do DAE.
O TREINO De duas pequenas colunas, colocadas provisoriamente a um canto e ligadas a um leitor MP3, saem acordes de guitarra eléctrica de um metal que preenche o ambiente e que dá ânimo para mais uma série de elevações de barra. Num espaço em cimento de cerca de 90 metros quadrados, na base dos Fuzileiros, que integra a base naval do Alfeite, em Almada, está montado um circuito de treino. Cinco pneus negros, de várias dimensões – os maiores, de tractor, a pesarem largas dezenas de quilos. A barra de elevações. Uma correia grossa de ferro entrançado com mais de dois metros de comprimento e uma corda para colocar à cintura, arrastada ao longo de uns 10 metros com algum esforço. E também uma barra de ferro com pesos montados.
Os exercícios são feitos individualmente, mas o treino é realizado em equipa. Hoje treinam juntos cinco colegas, com idades entre os 25 e os 35 anos. A passagem de testemunho dos militares mais experientes para os elementos que vão chegando à unidade é valorizada no grupo, tanto para minimizar erros como para reforçar o espírito de equipa. “Há alturas em que não consigo acompanhar os mais novos numa corrida, e nessa altura são eles que me agarram e puxam por mim”, diz um militar com quase duas décadas de DAE, que hoje se dedica à planificação de missões de treino. “Mas é importante quando intervenho e sinto que ouvem aquilo que digo, quando valorizam o que tenho para lhes transmitir”.
Finalizada a série num dos exercícios, passa-se ao ponto seguinte. A vertente de treino físico é complementada com a prática de desportos como o Jiu-Jitsu brasileiro, o boxe, a corrida ou natação. “Desenvolvemos sempre um treino funcional, para que cada exercício possa ter uma aplicação prática no âmbito de missões em que participamos”, explica o comandante. “Estão todos preparados para nadar pelo menos três milhas (quase cinco quilómetros)”. 50 metros de apneia fazem-se sem qualquer problema e não há operacional que faça menos de 20 elevações de braços (o recorde da unidade está nas 67 seguidas). São máquinas de performance físico exemplar e em constante aperfeiçoamento, que dispõem de força explosiva, resistência em velocidade (1000 metros em menos de três minutos) e “endurance” (natação ininterrupta durante quatro horas).
Noutro âmbito treina-se a teoria. Saber inactivar explosivos, planificar a abordagem de uma missão, usar tecnologia de comunicações ou calcular a influência do vento num tiro de longa distância. “De nada me serve um operacional que não saiba usar um computador e um telefone satélite”, diz o comandante. O atirador de longa distância (ou sniper) mais experiente trabalha com as mesmas armas há mais de oito anos. No capítulo de valências técnicas do currículo pessoal poderia constar a capacidade de destruir, por exemplo, o motor de uma embarcação a 1000 metros do objectivo. A 2 km, uma antena radar ou uma viatura são alvo fácil, e sobre um corpo humano, a precisão do disparo teria as mais elevadas probabilidades de sucesso a 600 metros do alvo.
“Não há exercício ou missão em que não sintamos que a nossa segurança física está nas mãos de algum colega de equipa”, refere o comandante. Para que se desenvolva essa confiança é preciso muito treino, com uma repetição exaustiva dos exercícios. E tempo. Os militares do DAE integram a unidade, por norma, depois dos 25 anos. A partir desse momento, a dedicação é absoluta, sem que haja grande margem para fazer planos a longo prazo, porque a incerteza sobre quando vai surgir uma missão é absoluta e permanente.
OS HOMENS “Há alguns anos, estive durante vários meses seguidos a saltar de missão em missão, com intervalos de poucas semanas para regressar ao país”, recorda um dos elementos mais experientes do unidade, actualmente encarregue de funções de planeamento. A isto, somam-se semanas e semanas a fio de treino para, por vezes durante largos meses, responder a uma única missão onde não há margem para erros. “Faz parte da rotina, passamos um ano inteiro a treinar e uma vez por ano talvez ponhamos em prática aquilo que estamos a treinar. Mas habituamo-nos a aceitar essa realidade. É óbvio que gostaríamos de poder fazer mais missões de âmbito internacional, mas é a realidade que temos”, diz um saltador operacional de grande altitude (um tipo de salto feito a partir de aviões acima dos 10 mil pés, a altitudes ditas não fisiológicas).
O modo como se deslocam na base é reflexo daquilo que transportam para a vida pessoal. Discrição, sem referências na farda que envergam que permita distingui-los dos restantes fuzileiros – mais que um traço de personalidade, é uma filosofia que aceitaram respeitar a partir do momento em que integraram o Destacamento de Acções Especiais. “A principal ideia é a de realização profissional. Tenho uma unidade só de líderes que é difícil de comandar, mas que oferece uma realização profissional difícil de encontrar noutro lugar”, assume o comandante. (IOL)
10 de fevereiro de 2012
TVI 24 - Programa "Take-off Ordem para descolar"
13 de outubro de 2011
SIC - Reportagem "Operações Especiais"
Hoje, no Jornal da Noite da SIC
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21 de fevereiro de 2011
15 de julho de 2010
Reportagem "Barracuda - A última missão"
Para que servem os submarinos? Numa altura em que Portugal se prepara para gastar mil milhões de euros em dois novos submarinos, uma equipa da RTP embarcou no Barracuda, o único submarino da Marinha. Aos 42 anos, o Barracuda é o submarino mais velho do mundo em operações. Mergulhe com os marinheiros portugueses numa missão de alto risco em que tudo pode acontecer. "Barracuda - A última missão" é uma reportagem do jornalista Armando Seixas Ferreira, com imagem de Paulo Oliveira e edição de Paulo Nunes para ver no programa Linha da Frente na RTP1, a seguir ao Telejornal, no dia 18 de Julho.(RTP)
A não perder !
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29 de março de 2010
Repórter TVI: «Cumprir Além do Dever»
O serviço militar já não é obrigatório mas há muitos jovens que escolhem seguir uma vida militar. Uns por vocação, outros por necessidade. A Força Aérea Portuguesa é uma arma tecnologicamente muito avançada e, por isso, uma das mais concorridas.
Foi a pensar nos jovens que escolhem dedicar a sua vida a servir o país que a Força Aérea Portuguesa abriu a porta de armas da base aérea da Ota a uma equipa de reportagem da TVI.
«Cumprir Além do Dever» é o lema da base aérea da Ota e também o nome desta reportagem da jornalista Susana Pinto, com imagem de Carlos Rodrigues e montagem de Pedro Cordeiro. Será emitida esta segunda-feira, dia 29 de Março, a seguir ao Jornal Nacional no Repórter TVI.(Iol)
24 de março de 2010
Reportagem "O CEMITÉRIO DOS IMPÉRIOS"
Dia 24 de Março às 21:00
...Ao longo de vários dias o jornalista Luís Castro e o repórter de imagem Paulo Oliveira acompanham as tropas norte-americanas no combate aos Talibãs, no Sul do Afeganistão.
A equipa da RTP esteve no Vale de Argandhab, em operações militares de alto risco, na busca de rebeldes.
O Linha da Frente, também esteve em Kabul, junto dos militares portugueses. Ficou a saber que são reconhecidos pelo exército afegão e que
estiveram por detrás da resposta do exército do Afeganistão, a quando do último atentado dos Talibãs à capital.
“O CEMITÉRIO DOS IMPÉRIOS” é uma reportagem de Luís Castro, com imagem de Paulo oliveira e edição de imagem de Alexandre Leandro. (Rtp)
A equipa da RTP esteve no Vale de Argandhab, em operações militares de alto risco, na busca de rebeldes.
O Linha da Frente, também esteve em Kabul, junto dos militares portugueses. Ficou a saber que são reconhecidos pelo exército afegão e que
estiveram por detrás da resposta do exército do Afeganistão, a quando do último atentado dos Talibãs à capital.
“O CEMITÉRIO DOS IMPÉRIOS” é uma reportagem de Luís Castro, com imagem de Paulo oliveira e edição de imagem de Alexandre Leandro. (Rtp)
23 de janeiro de 2010
Grande Reportagem "Mama Sumae"
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