(Correio Manhã)Este ano a Força Aérea assume a gestão e comando dos meios aéreos de combate a fogos. O número e o tipo de aeronaves foi definido pela Autoridade Nacional de Protecção Civil – serão 61 aparelhos, entre aviões e helicópteros, cujos concursos ainda estão em desenvolvimento, num processo dirigido pelos militares. Mas o Chefe do Estado Maior da Força Aérea não descarta vir a utilizar os seis Kamov que são propriedade do Estado, mas que estão todos inoperacionais.
De acordo com o general Joaquim Borrego, "os Kamov são excelentes helicópteros para o combate aos incêndios, mas temos de ver qual é o estado actual". "A Força Aérea não rejeita esses aparelhos, desde que estejam em condições para voar. Neste momento não têm essas condições", admitiu esta segunda-feira o oficial durante a cerimónia de entrega dos ‘brevets’ aos oito novos pilotos-aviadores formados pela Academia da Força Aérea, em Sintra.
Estes aparelhos estão envolvidos em polémica desde 2006, quando foram comprados pelo Estado – era José Sócrates primeiro-ministro e António Costa ministro da Administração Interna – por um valor superior a 42 milhões de euros, sendo que só chegaram dois anos depois do previsto. O Tribunal de Contas veio, anos depois, arrasar todo o negócio, sobretudo a parte da manutenção. Actualmente estão todos parados num hangar em Ponte de Sor, situação que se mantém desde o verão de 2018, quando o País ardia e mais de 100 pessoas morriam nas chamas. Não há previsão para quando serão reparados.
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19 de março de 2019
23 de outubro de 2018
Força Aérea começa a gerir meios aéreos do Estado para combate a incêndios
A Força Aérea vai iniciar de imediato o processo de operação, manutenção e gestão dos meios aéreos do Estado de combate a incêndios florestais, incluindo os helicópteros Kamov que estão parados, foi publicado em Diário da República esta terça-feira.
A resolução do Conselhos de Ministros sobre a transferência do comando e gestão centralizados dos meios aéreos de combate a incêndios rurais para a Força Aérea entra em vigor na quarta-feira.
A decisão do Governo determina que a Força Aérea "inicia no imediato os procedimentos para a operação, manutenção, a gestão e, quando necessário, a reposição da aeronavegabilidade das aeronaves do Estado", nomeadamente os helicópteros ligeiros, os Kamov e as "frotas de aeronaves, tripuladas ou não tripuladas, que futuramente venham a ser adquiridas".
Dos seis helicópteros pesados do Estado, um está acidentado desde 2012, outros dois estão para reparação desde 2015 e os restantes três Kamov estão parados desde o início do ano.
Para substituir estes três Kamov, o Governo fez este ano um contrato alternativo através de ajuste directo, que termina a 31 de Outubro.
Fazem ainda parte da frota do Estado, três helicópteros ligeiros.
A resolução hoje publicada em Diário da República determina também que os meios aéreos do Estado sejam transferidos para a Força Aérea "livres de ónus ou encargos, nomeadamente de natureza administrativa, financeira e jurídica".
Os meios aéreos transferidos devem ser igualmente "objecto de auditoria e avaliação, a realizar pela Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC), Autoridade Nacional de Protecção Civil [ANPC] e Força Aérea, sobre as condições de aeronavegabilidade e, se necessário, consequente plano técnico e financeiro para a reposição da condição de voo das aeronaves".
Também o processo de comando e gestão centralizada dos meios aéreos próprios do Estado devem ser transferidos da ANPC para a Força Aérea.
A Força Aérea deve também iniciar, "de imediato e em coordenação com a ANPC, os procedimentos pré-contratuais necessários à locação de meios aéreos e à aquisição de serviços relativos à operação, manutenção e gestão da aeronavegabilidade dos meios próprios do Estado, para o dispositivo de ataque inicial" a empenhar no dispositivo de combate a incêndios de 2019 e, "se possível, para os anos seguintes".
A Força Aérea vai assumir, a partir de 01 de Janeiro de 2019, os contratos feitos este ano pela ANPC de aluguer de meios aéreos de combate a incêndios e que se prolongam em 2019, designadamente oito aviões médios anfíbios, dois aviões pesados anfíbios, dois aviões de coordenação e 10 helicópteros ligeiros.
A resolução atribui à Força Aérea o comando e a gestão centralizados dos meios aéreos no âmbito das missões de proteção civil, nomeadamente os integrados no Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR).
Por sua vez, a ANPC vai continuar, em coordenação com a Força Aérea, a definir o dispositivo de meios aéreos em relação à sua tipologia, número, localização e período da operação.
A ANPC também vai ficar responsável pelo despacho de meios aéreos e a sua utilização na resposta aos incêndios rurais, bem como no seu accionamento nas restantes missões de Protecção Civil.
A decisão do Governo determina igualmente que seja atribuído à Força Aérea "financiamento específico e autónomo para suportar todos os encargos relacionados com a edificação, sustentação e operação do novo modelo de comando e gestão centralizados de meios aéreos em missões de proteção civil, incluindo a reposição da condição de voo de aeronaves, bem como a construção de infraestruturas e o recrutamento e formação de pessoal".
Também à ANPC deve ser "atribuído financiamento específico e autónomo para suportar todos os encargos", nomeadamente a operacionalidade das bases permanentes e os centros de meios aéreos, se estes não forem unidades da Força Aérea. (JN)
A resolução do Conselhos de Ministros sobre a transferência do comando e gestão centralizados dos meios aéreos de combate a incêndios rurais para a Força Aérea entra em vigor na quarta-feira.
A decisão do Governo determina que a Força Aérea "inicia no imediato os procedimentos para a operação, manutenção, a gestão e, quando necessário, a reposição da aeronavegabilidade das aeronaves do Estado", nomeadamente os helicópteros ligeiros, os Kamov e as "frotas de aeronaves, tripuladas ou não tripuladas, que futuramente venham a ser adquiridas".
Dos seis helicópteros pesados do Estado, um está acidentado desde 2012, outros dois estão para reparação desde 2015 e os restantes três Kamov estão parados desde o início do ano.
Para substituir estes três Kamov, o Governo fez este ano um contrato alternativo através de ajuste directo, que termina a 31 de Outubro.
Fazem ainda parte da frota do Estado, três helicópteros ligeiros.
A resolução hoje publicada em Diário da República determina também que os meios aéreos do Estado sejam transferidos para a Força Aérea "livres de ónus ou encargos, nomeadamente de natureza administrativa, financeira e jurídica".
Os meios aéreos transferidos devem ser igualmente "objecto de auditoria e avaliação, a realizar pela Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC), Autoridade Nacional de Protecção Civil [ANPC] e Força Aérea, sobre as condições de aeronavegabilidade e, se necessário, consequente plano técnico e financeiro para a reposição da condição de voo das aeronaves".
Também o processo de comando e gestão centralizada dos meios aéreos próprios do Estado devem ser transferidos da ANPC para a Força Aérea.
A Força Aérea deve também iniciar, "de imediato e em coordenação com a ANPC, os procedimentos pré-contratuais necessários à locação de meios aéreos e à aquisição de serviços relativos à operação, manutenção e gestão da aeronavegabilidade dos meios próprios do Estado, para o dispositivo de ataque inicial" a empenhar no dispositivo de combate a incêndios de 2019 e, "se possível, para os anos seguintes".
A Força Aérea vai assumir, a partir de 01 de Janeiro de 2019, os contratos feitos este ano pela ANPC de aluguer de meios aéreos de combate a incêndios e que se prolongam em 2019, designadamente oito aviões médios anfíbios, dois aviões pesados anfíbios, dois aviões de coordenação e 10 helicópteros ligeiros.
A resolução atribui à Força Aérea o comando e a gestão centralizados dos meios aéreos no âmbito das missões de proteção civil, nomeadamente os integrados no Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR).
Por sua vez, a ANPC vai continuar, em coordenação com a Força Aérea, a definir o dispositivo de meios aéreos em relação à sua tipologia, número, localização e período da operação.
A ANPC também vai ficar responsável pelo despacho de meios aéreos e a sua utilização na resposta aos incêndios rurais, bem como no seu accionamento nas restantes missões de Protecção Civil.
A decisão do Governo determina igualmente que seja atribuído à Força Aérea "financiamento específico e autónomo para suportar todos os encargos relacionados com a edificação, sustentação e operação do novo modelo de comando e gestão centralizados de meios aéreos em missões de proteção civil, incluindo a reposição da condição de voo de aeronaves, bem como a construção de infraestruturas e o recrutamento e formação de pessoal".
Também à ANPC deve ser "atribuído financiamento específico e autónomo para suportar todos os encargos", nomeadamente a operacionalidade das bases permanentes e os centros de meios aéreos, se estes não forem unidades da Força Aérea. (JN)
2 de fevereiro de 2017
Força Aérea Portuguesa entra no combate aos incêndios
A Força Aérea vai passar a combater os incêndios florestais e a operar os meios aéreos que estão sob a alçada da Autoridade Nacional de Protecção Civil, avança hoje o Jornal de Notícias. O ministro da Agricultura, Capoulas santos, adiantou ao jornal que a proposta que esteve para consulta pública no âmbito da reforma das florestas reuniu consenso.
De acordo com Capoulas Santos, apesar de ser esta a orientação do Governo, o contrato que existe actualmente com a Everjets será cumprido até ao fim, ou seja, até ao início de 2019. Durante esse período, haverá oportunidade para preparar a transição apara a Força Aérea.
Com a extinção da Empresa de Meios Aéreos, em Outubro de 2014, a Autoridade Nacional de Protecção Civil ficou responsável pela gestão dos contratos de operação e manutenção dos meios aéreos próprios do Estado.
Em Fevereiro de 2015, a empresa Everjets ganhou o concurso público internacional de operação e manutenção dos helicópteros Kamov do Estado para quatro anos, num valor superior a 46 milhões de euros.
Anteriormente era a Heliportugal a empresa responsável. Durante o processo de transferência, verificou-se "uma série de não conformidades graves no estado das aeronaves", estando apenas operacionais, na altura, um dos seis helicópteros. (DN)
De acordo com Capoulas Santos, apesar de ser esta a orientação do Governo, o contrato que existe actualmente com a Everjets será cumprido até ao fim, ou seja, até ao início de 2019. Durante esse período, haverá oportunidade para preparar a transição apara a Força Aérea.
Com a extinção da Empresa de Meios Aéreos, em Outubro de 2014, a Autoridade Nacional de Protecção Civil ficou responsável pela gestão dos contratos de operação e manutenção dos meios aéreos próprios do Estado.
Em Fevereiro de 2015, a empresa Everjets ganhou o concurso público internacional de operação e manutenção dos helicópteros Kamov do Estado para quatro anos, num valor superior a 46 milhões de euros.
Anteriormente era a Heliportugal a empresa responsável. Durante o processo de transferência, verificou-se "uma série de não conformidades graves no estado das aeronaves", estando apenas operacionais, na altura, um dos seis helicópteros. (DN)
14 de julho de 2015
Em sete anos, cinco acidentes com os Helicópteros Kamov
Desde que foram comprados pelo Estado português em 2007, os helicópteros Kamov de combate aos incêndios já tiveram cinco acidentes. Além do de Setembro de 2012, que deixou uma das aeronaves russas paradas, o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA), que apura as causas dos desastres da aviação em território nacional, já foi chamado a investigar outros quatros incidentes.
O primeiro aconteceu poucos meses depois de os helicópteros começarem a voar em Portugal. Na manhã de 20 de Fevereiro de 2008, um dos Kamov descolou do aeroporto de Loulé com cinco tripulantes para uma missão de treino de salvamento no mar: a cerca de duas milhas náuticas a sul de Vilamoura, o helicóptero tentava resgatar três vítimas com um guincho. Mas quando já se encontravam salvas e em suspensão, a cerca de quatro metros acima da água, “o cabo parou o movimento de subida e começou a descer à velocidade normal”. Consequência: as vítimas foram novamente atiradas à água, ficando submersas. O piloto instrutor estabilizou o helicóptero e passou o comando a um aluno, que voltou a tentar subi-las. Novamente sem sucesso: o cabo desenrolou-se outra vez, “até as vítimas mergulharem novamente na água”. Só à terceira tentativa é que a operação foi abortada.
O relatório do GPIAA detectou que a integração do guincho no Kamov não tinha sido certificada e encontrou um problema no sistema de retenção e travagem do cabo. Ainda assim, os técnicos concluíram que também contribuíram para o incidente a “operação irregular do equipamento”, a “insistência em operar um equipamento depois de se terem manifestado diversos sinais de incapacidade para continuar a operação” e a “falta de procedimentos para operação do equipamento”. Mais: foram igualmente “detectados sinais indicativos de falta de preparação adequada do pessoal para a operação e manutenção do guincho”.
Nem um mês depois, acontecia o segundo acidente. A 7 de Março, um outro Kamov embateu contra linhas de média tensão durante o combate a um fogo no Parque Natural da Peneda Gerês. De acordo com o relatório da investigação, o helicóptero transportava um balde com capacidade para cinco mil litros de água e a missão previa que fosse usada a albufeira de Touvedo, localizada no rio Lima e próximo de Ponte da Barca, para o reabastecimento.
“A tripulação sobrevoou a albufeira para verificação do local, e não tendo detectado a presença de obstáculos, prosseguiu com a aproximação à superfície da água onde efectuou o enchimento do balde até à sua capacidade máxima”, contam os técnicos. Depois de abastecer, e já na fase de descolagem, “a tripulação detectou a presença de três cabos eléctricos muito próximos do helicóptero e decidiu prosseguir sem efectuar qualquer tipo de manobra evasiva ou procedimento de emergência”. O descuido saiu caro: o balde do Kamov bateu nos cabos eléctricos – fixados a 10 metros da água e propriedade da EDP – e partiu-os. Ainda assim, a actuação dos pilotos teve uma atenuante: as linhas não estavam balizadas e os postes de apoio, nas margens da albufeira, encontravam-se no meio da vegetação. Assim, o relatório, datado de 18 de Abril de 2008, concluiu que a causa do acidente foi a tripulação não ter detectado atempadamente a presença dos cabos. Mas indica como “causas contributivas” o “pouco contraste dos cabos com o meio ambiente e a falta de balizagem dos cabos eléctricos”. A EDP acabou instada a “caracterizar a sinalizar as linhas de média tensão como obstáculos à navegação aérea”.
Em plena época de incêndios de 2009, o mesmo helicóptero que embateu nas linhas eléctricas do Gerês voltou a sofrer um acidente. O heliporto da Guarda é usado, no Verão, como base para os meios aéreos de combate aos fogos e, a 31 de Agosto, um pequeno helicóptero Eurocopter estava estacionado a 40 metros da pista de aterragem. Quando um Kamov foi chamado, às 8h da manhã, para apagar um fogo em Ribeira da Nave, no Sabugal, o “pior” aconteceu: “Durante o processo de descolagem, o downwash do Kamov provocou o movimento violento das pás do rotor principal do Eurocopter, que embateram na protecção traseira do rotor de cauda, provocando um rasgo na sua skin. As pás do rotor ficaram danificadas, bem como a starflex”, descreve o relatório do GPIAA. Traduzindo, a deslocação da massa de ar provocada pela descolagem do Kamov fez as pás do Eurocopter mexerem-se, embatendo no helicóptero russo e danificando-o.
Mais tarde, no início de Setembro de 2012, deu-se o acidente do Parque de Merendas de Espite, em Ourém. O Kamov tinha acabado de se reabastecer de água numa albufeira e, durante a subida, um motor falhou repentinamente. O segundo motor entrou em modo de emergência, mas o heli despenhou-se e sofreu “danos substanciais”. O piloto comandante não sofreu ferimentos, mas o co-piloto partiu o dedo de um pé. Os motores ainda não foram enviados para a Rússia e, três anos depois, as causas da falha continuam a ser um mistério. A seguir ao acidente, a frota inteira parou por precaução, mas voltou a voar. À excepção do helicóptero acidentado, que continua guardado num hangar.
Mais recentemente, o motor de um outro Kamov voltou a dar problemas de forma repentina. A 30 de Dezembro do ano passado, em São Brás de Alportel, decorria um treino com guincho sobre o mar quando o piloto comandante “ouviu um ruído e sentiu uma vibração”. A missão durava há já 40 minutos e não havia, no painel de instrumentos, qualquer aviso ou sinal de desconformidade. Terá entretanto começado, segundo o relatório preliminar, a sair “fumo intenso” do motor direito. A tripulação decidiu seguir imediatamente para o aeroporto de Faro, com o combustível que alimentava o motor afectado cortado. O Kamov aterrou em segurança e as causas da falha continuam por apurar. A operação do Kamov, diz o GPIAA, foi suspensa após “inspecção efectuada também ao motor esquerdo”. Jornal I
O primeiro aconteceu poucos meses depois de os helicópteros começarem a voar em Portugal. Na manhã de 20 de Fevereiro de 2008, um dos Kamov descolou do aeroporto de Loulé com cinco tripulantes para uma missão de treino de salvamento no mar: a cerca de duas milhas náuticas a sul de Vilamoura, o helicóptero tentava resgatar três vítimas com um guincho. Mas quando já se encontravam salvas e em suspensão, a cerca de quatro metros acima da água, “o cabo parou o movimento de subida e começou a descer à velocidade normal”. Consequência: as vítimas foram novamente atiradas à água, ficando submersas. O piloto instrutor estabilizou o helicóptero e passou o comando a um aluno, que voltou a tentar subi-las. Novamente sem sucesso: o cabo desenrolou-se outra vez, “até as vítimas mergulharem novamente na água”. Só à terceira tentativa é que a operação foi abortada.
O relatório do GPIAA detectou que a integração do guincho no Kamov não tinha sido certificada e encontrou um problema no sistema de retenção e travagem do cabo. Ainda assim, os técnicos concluíram que também contribuíram para o incidente a “operação irregular do equipamento”, a “insistência em operar um equipamento depois de se terem manifestado diversos sinais de incapacidade para continuar a operação” e a “falta de procedimentos para operação do equipamento”. Mais: foram igualmente “detectados sinais indicativos de falta de preparação adequada do pessoal para a operação e manutenção do guincho”.
Nem um mês depois, acontecia o segundo acidente. A 7 de Março, um outro Kamov embateu contra linhas de média tensão durante o combate a um fogo no Parque Natural da Peneda Gerês. De acordo com o relatório da investigação, o helicóptero transportava um balde com capacidade para cinco mil litros de água e a missão previa que fosse usada a albufeira de Touvedo, localizada no rio Lima e próximo de Ponte da Barca, para o reabastecimento.
“A tripulação sobrevoou a albufeira para verificação do local, e não tendo detectado a presença de obstáculos, prosseguiu com a aproximação à superfície da água onde efectuou o enchimento do balde até à sua capacidade máxima”, contam os técnicos. Depois de abastecer, e já na fase de descolagem, “a tripulação detectou a presença de três cabos eléctricos muito próximos do helicóptero e decidiu prosseguir sem efectuar qualquer tipo de manobra evasiva ou procedimento de emergência”. O descuido saiu caro: o balde do Kamov bateu nos cabos eléctricos – fixados a 10 metros da água e propriedade da EDP – e partiu-os. Ainda assim, a actuação dos pilotos teve uma atenuante: as linhas não estavam balizadas e os postes de apoio, nas margens da albufeira, encontravam-se no meio da vegetação. Assim, o relatório, datado de 18 de Abril de 2008, concluiu que a causa do acidente foi a tripulação não ter detectado atempadamente a presença dos cabos. Mas indica como “causas contributivas” o “pouco contraste dos cabos com o meio ambiente e a falta de balizagem dos cabos eléctricos”. A EDP acabou instada a “caracterizar a sinalizar as linhas de média tensão como obstáculos à navegação aérea”.
Em plena época de incêndios de 2009, o mesmo helicóptero que embateu nas linhas eléctricas do Gerês voltou a sofrer um acidente. O heliporto da Guarda é usado, no Verão, como base para os meios aéreos de combate aos fogos e, a 31 de Agosto, um pequeno helicóptero Eurocopter estava estacionado a 40 metros da pista de aterragem. Quando um Kamov foi chamado, às 8h da manhã, para apagar um fogo em Ribeira da Nave, no Sabugal, o “pior” aconteceu: “Durante o processo de descolagem, o downwash do Kamov provocou o movimento violento das pás do rotor principal do Eurocopter, que embateram na protecção traseira do rotor de cauda, provocando um rasgo na sua skin. As pás do rotor ficaram danificadas, bem como a starflex”, descreve o relatório do GPIAA. Traduzindo, a deslocação da massa de ar provocada pela descolagem do Kamov fez as pás do Eurocopter mexerem-se, embatendo no helicóptero russo e danificando-o.
Mais tarde, no início de Setembro de 2012, deu-se o acidente do Parque de Merendas de Espite, em Ourém. O Kamov tinha acabado de se reabastecer de água numa albufeira e, durante a subida, um motor falhou repentinamente. O segundo motor entrou em modo de emergência, mas o heli despenhou-se e sofreu “danos substanciais”. O piloto comandante não sofreu ferimentos, mas o co-piloto partiu o dedo de um pé. Os motores ainda não foram enviados para a Rússia e, três anos depois, as causas da falha continuam a ser um mistério. A seguir ao acidente, a frota inteira parou por precaução, mas voltou a voar. À excepção do helicóptero acidentado, que continua guardado num hangar.
Mais recentemente, o motor de um outro Kamov voltou a dar problemas de forma repentina. A 30 de Dezembro do ano passado, em São Brás de Alportel, decorria um treino com guincho sobre o mar quando o piloto comandante “ouviu um ruído e sentiu uma vibração”. A missão durava há já 40 minutos e não havia, no painel de instrumentos, qualquer aviso ou sinal de desconformidade. Terá entretanto começado, segundo o relatório preliminar, a sair “fumo intenso” do motor direito. A tripulação decidiu seguir imediatamente para o aeroporto de Faro, com o combustível que alimentava o motor afectado cortado. O Kamov aterrou em segurança e as causas da falha continuam por apurar. A operação do Kamov, diz o GPIAA, foi suspensa após “inspecção efectuada também ao motor esquerdo”. Jornal I
18 de junho de 2015
Protecção Civil não garante que todos os Kamov estejam operacionais
A Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) informou hoje que apenas um dos cinco helicópteros Kamov da frota do Estado está operacional e não garante a entrada de outras duas aeronaves no dispositivo de combate a incêndios deste ano.
"Neste momento está apenas em condições de plena operacionalidade um dos cinco Kamov da frota do Estado", refere a ANPC, adiantando que duas aeronaves vão ser reparadas num "curto espaço de tempo" e as outras duas requerem intervenções mais profundas, "não sendo possível garantir a sua entrada no actual dispositivo".
Para compensar a falta destes meios, a Protecção Civil sublinha que foram adoptadas medidas alternativas que "passam pela antecipação da entrada de meios aéreos no dispositivo, nomeadamente helicópteros ligeiros e aviões bombardeiros médios".
Em comunicado, a ANPC garante que está a diligenciar no sentido de reforçar ainda mais o dispositivo com meios aéreos que permitam "minimizar o impacto da indisponibilidade dos helicópteros Kamov".
Esta situação com os helicópteros deve-se, segundo a ANPC, com o processo de transferência, iniciado em Março, dos Kamov para a empresa Everjets, que ganhou o concurso público de operação e manutenção dos aparelhos para os próximos quatro anos.
Durante este processo, a ANPC detectou "não conformidades graves no estado das aeronaves", que ditaram "a impossibilidade de os helicópteros estarem em plena condição de serem operados".
A Protecção Civil realça que todos os aparelhos "inspeccionados necessitaram ou necessitam de intervenções técnicas".
"Dada a gravidade da matéria apurada, esta Autoridade irá agir por todos os meios ao seu dispor para defesa e garantir do interesse patrimonial do Estado", sustenta.
Fonte oficial da ANPC disse à Lusa que "no limite" poderá ser interposta uma acção judicial, mas não especificou contra que entidade.
No comunicado, a ANPC refere também que o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF) prevê um total de 49 meios aéreos para a época mais crítica em fogos, entre 01 de Julho e 30 de Setembro.
A fase "Bravo", que está a decorrer até 30 de Junho, prevê o empenhamento de 30 meios aéreos desde 15 de Junho, segundo o DECIF.
A agência Lusa contactou a ANPC sobre o número de meios aéreos actualmente operacionais no combate aos fogos, mas não obteve, até ao momento, qualquer resposta. (Porto Canal)
"Neste momento está apenas em condições de plena operacionalidade um dos cinco Kamov da frota do Estado", refere a ANPC, adiantando que duas aeronaves vão ser reparadas num "curto espaço de tempo" e as outras duas requerem intervenções mais profundas, "não sendo possível garantir a sua entrada no actual dispositivo".
Para compensar a falta destes meios, a Protecção Civil sublinha que foram adoptadas medidas alternativas que "passam pela antecipação da entrada de meios aéreos no dispositivo, nomeadamente helicópteros ligeiros e aviões bombardeiros médios".
Em comunicado, a ANPC garante que está a diligenciar no sentido de reforçar ainda mais o dispositivo com meios aéreos que permitam "minimizar o impacto da indisponibilidade dos helicópteros Kamov".
Esta situação com os helicópteros deve-se, segundo a ANPC, com o processo de transferência, iniciado em Março, dos Kamov para a empresa Everjets, que ganhou o concurso público de operação e manutenção dos aparelhos para os próximos quatro anos.
Durante este processo, a ANPC detectou "não conformidades graves no estado das aeronaves", que ditaram "a impossibilidade de os helicópteros estarem em plena condição de serem operados".
A Protecção Civil realça que todos os aparelhos "inspeccionados necessitaram ou necessitam de intervenções técnicas".
"Dada a gravidade da matéria apurada, esta Autoridade irá agir por todos os meios ao seu dispor para defesa e garantir do interesse patrimonial do Estado", sustenta.
Fonte oficial da ANPC disse à Lusa que "no limite" poderá ser interposta uma acção judicial, mas não especificou contra que entidade.
No comunicado, a ANPC refere também que o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF) prevê um total de 49 meios aéreos para a época mais crítica em fogos, entre 01 de Julho e 30 de Setembro.
A fase "Bravo", que está a decorrer até 30 de Junho, prevê o empenhamento de 30 meios aéreos desde 15 de Junho, segundo o DECIF.
A agência Lusa contactou a ANPC sobre o número de meios aéreos actualmente operacionais no combate aos fogos, mas não obteve, até ao momento, qualquer resposta. (Porto Canal)
23 de maio de 2015
Helicópteros Kamov em terra
Os cinco helicópteros Kamov, utilizados no combate aos incêndios florestais, estão parados, devido ao processo de transferência para a empresa que ganhou o concurso público de operação e manutenção dos aparelhos, indicou a Protecção Civil.
Fonte da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) disse à Lusa que, neste momento, não há helicópteros pesados para combater os incêndios florestais, estando a paragem relacionada com o processo de consignação das aeronaves para a empresa Everjets, que ganhou o concurso público de operação e manutenção dos aparelhos para os próximos quatro anos.
"O processo obriga a uma paragem dos meios para que sejam avaliados pela nova empresa", afirmou, adiantando que há questões processuais e administrativas que inviabilizam a operação das aeronaves.
A ANPC garantiu que os cinco Kamov vão estar disponíveis a 1 de Julho, quando se inicia a época crítica em incêndios florestais, sublinhando que, nas próximas semanas, devem estar no terreno um ou dois aparelhos.
Actualmente, o dispositivo de combate a incêndios florestais conta com seis helicópteros ligeiros, situados na Guarda, Castelo Branco, Monchique, Aveiro, Braga e Porto, indica a ANPC.
Sobre o incêndio florestal em Ponte de Lima, que está a ser combatido por um helicóptero ligeiro, a Protecção Civil esclarece que as estas aeronaves são utilizadas em combate inicial e o fogo já começou há mais de 24 horas.
De acordo com a ANPC, os helicópteros ligeiros são utilizados em combate inicial e têm um raio de autonomia que não excede os 40 quilómetros.
Em ataque ampliado, como é o caso deste incêndio, utilizam-se meios mais pesados, mas, devido à inexistência desses meios aéreos, o fogo de Ponte de Lima foi reforçado com meios terrestres, sublinhou à Lusa a fonte da ANPC.
A Everjets é responsável pela operação e manutenção dos helicópteros Kamov do Estado, nos próximos quatro anos, depois de ter vencido o concurso público de valor superior a 46 milhões de euros, tendo a ANPC assinado o contrato com esta empresa, no início de Fevereiro.
Além da operação e manutenção dos seis helicópteros Kamov, a Everjets é também responsável pelos trabalhadores da Empresa de Meios Aéreos (EMA), que foi extinta no final de Outubro do ano passado. (RR)
Fonte da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) disse à Lusa que, neste momento, não há helicópteros pesados para combater os incêndios florestais, estando a paragem relacionada com o processo de consignação das aeronaves para a empresa Everjets, que ganhou o concurso público de operação e manutenção dos aparelhos para os próximos quatro anos.
"O processo obriga a uma paragem dos meios para que sejam avaliados pela nova empresa", afirmou, adiantando que há questões processuais e administrativas que inviabilizam a operação das aeronaves.
A ANPC garantiu que os cinco Kamov vão estar disponíveis a 1 de Julho, quando se inicia a época crítica em incêndios florestais, sublinhando que, nas próximas semanas, devem estar no terreno um ou dois aparelhos.
Actualmente, o dispositivo de combate a incêndios florestais conta com seis helicópteros ligeiros, situados na Guarda, Castelo Branco, Monchique, Aveiro, Braga e Porto, indica a ANPC.
Sobre o incêndio florestal em Ponte de Lima, que está a ser combatido por um helicóptero ligeiro, a Protecção Civil esclarece que as estas aeronaves são utilizadas em combate inicial e o fogo já começou há mais de 24 horas.
De acordo com a ANPC, os helicópteros ligeiros são utilizados em combate inicial e têm um raio de autonomia que não excede os 40 quilómetros.
Em ataque ampliado, como é o caso deste incêndio, utilizam-se meios mais pesados, mas, devido à inexistência desses meios aéreos, o fogo de Ponte de Lima foi reforçado com meios terrestres, sublinhou à Lusa a fonte da ANPC.
A Everjets é responsável pela operação e manutenção dos helicópteros Kamov do Estado, nos próximos quatro anos, depois de ter vencido o concurso público de valor superior a 46 milhões de euros, tendo a ANPC assinado o contrato com esta empresa, no início de Fevereiro.
Além da operação e manutenção dos seis helicópteros Kamov, a Everjets é também responsável pelos trabalhadores da Empresa de Meios Aéreos (EMA), que foi extinta no final de Outubro do ano passado. (RR)
6 de fevereiro de 2015
Protecção Civil e a Everjets assinam contracto para operação e manutenção dos Kamov
A Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) assinou hoje o contrato com a empresa Everjets para a manutenção e operação dos helicópteros Kamov do Estado para os próximos quatro anos.
A Everjets foi a vencedora do concurso público internacional para a operação e manutenção dos helicópteros pesados para os próximos quatro anos, no valor superior a 46 milhões de euros.
Em comunicado, a Protecção Civil refere que foi hoje assinado, entre a ANPC e a Empresa Everjets, o contrato para a aquisição dos serviços de operação dos meios aéreos pesados para missões do Ministério da Administração Interna, envolvendo os seis helicópteros Kamov.
Apesar de o contrato prever a operação e manutenção dos seis Kamov, neste momento estão três operacionais, estando dois em manutenção e um acidentado desde o verão de 2012, segundo informações prestadas anteriormente à Lusa pela ANPC.
A Protecção Civil garante estar “a desenvolver todos os esforços” para que fiquem operacionais cinco Kamov.
Além da operação e manutenção dos seis helicópteros Kamov, a Everjets vai também ficar com a responsabilidade dos 25 trabalhadores da extinta Empresa de Meios Aéreos (EMA), dos quais cinco são pilotos e três co-pilotos.
Em 2013, a Everjets ganhou também o concurso de aluguer de 25 helicópteros ligeiros de combate a incêndios florestais por um período de cinco anos.
A EMA foi extinta no final de Outubro do ano passado, tendo os trabalhadores transitado para a ANPC, até à conclusão do concurso público internacional.
A ANPC é também responsável pela gestão dos contractos de operação e manutenção dos meios aéreos próprios do Estado. (I)
A Everjets foi a vencedora do concurso público internacional para a operação e manutenção dos helicópteros pesados para os próximos quatro anos, no valor superior a 46 milhões de euros.
Em comunicado, a Protecção Civil refere que foi hoje assinado, entre a ANPC e a Empresa Everjets, o contrato para a aquisição dos serviços de operação dos meios aéreos pesados para missões do Ministério da Administração Interna, envolvendo os seis helicópteros Kamov.
Apesar de o contrato prever a operação e manutenção dos seis Kamov, neste momento estão três operacionais, estando dois em manutenção e um acidentado desde o verão de 2012, segundo informações prestadas anteriormente à Lusa pela ANPC.
A Protecção Civil garante estar “a desenvolver todos os esforços” para que fiquem operacionais cinco Kamov.
Além da operação e manutenção dos seis helicópteros Kamov, a Everjets vai também ficar com a responsabilidade dos 25 trabalhadores da extinta Empresa de Meios Aéreos (EMA), dos quais cinco são pilotos e três co-pilotos.
Em 2013, a Everjets ganhou também o concurso de aluguer de 25 helicópteros ligeiros de combate a incêndios florestais por um período de cinco anos.
A EMA foi extinta no final de Outubro do ano passado, tendo os trabalhadores transitado para a ANPC, até à conclusão do concurso público internacional.
A ANPC é também responsável pela gestão dos contractos de operação e manutenção dos meios aéreos próprios do Estado. (I)
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