Os dois aviões médios anfíbios disponibilizados à Suécia pelo Governo português partem na terça-feira de manhã para combater os incêndios neste país, em resposta ao pedido feito pelas autoridades suecas junto do Mecanismo Europeu de Protecção Civil.
Em comunicado, o Ministério da Administração Interna (MAI) adianta que os dois aviões partem às 10h00 do Centro de Meios Aéreos de Vila Real com destino ao aeroporto sueco de Orebro.
Além dos dois aviões, a Força Aérea Portuguesa disponibiliza também um voo de apoio (C295), que transportará cerca de 700 quilos de equipamentos para apoio à operação dos meios aéreos.
Segundo o MAI, a bordo deste voo seguem oito elementos da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), entre mecânicos, pilotos e técnicos de apoio, numa missão portuguesa chefiada por Miguel Cruz, adjunto do comando operacional nacional da ANPC.
Na passada sexta-feira, Portugal informou o Mecanismo Europeu de Protecção Civil da sua disponibilidade para enviar meios aéreos, humanos e terrestres, para apoiar as operações de combate aos incêndios florestais que atingem, há vários dias, aquele país do norte da Europa.
Na resposta, a Suécia fez saber que aceitava a ajuda portuguesa, tendo solicitado apenas apoio aéreo, refere o MAI.
Por duas vezes este verão, a Suécia pediu assistência a Bruxelas para fazer face às dezenas de incêndios florestais que continuam activos no país, onde só nos últimos dias arderam mais de 20.000 hectares, tendo os primeiros aviões de combate às chamas (oriundos de Itália) começado a operar na passada quarta-feira.
O secretário de Estado da Protecção Civil, José Artur Neves, assiste, em Vila Real, à partida da missão portuguesa. (RR)
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24 de julho de 2018
15 de setembro de 2016
Suécia volta a enviar exército para a Gotlândia
A Suécia enviou esta quarta-feira um destacamento militar permanente para a ilha da Gotlândia, no Mar Báltico, o que ocorre pela primeira vez desde 2005 e coincide com um debate interno sobre as capacidades da defesa sueca face à Rússia.
A medida foi decidida pelo parlamento em 2015, mas o destacamento só estava previsto para daqui a um ano.
"A situação geopolítica deteriorou-se com o tempo e decidi que precisamos de uma presença permanente, por isso adiantámos o calendário para as tropas de combate", disse à televisão pública sueca SVT o comandante supremo das Forças Armadas, Micael Byden.
"Não pensamos que haja uma ameaça de ataque, estamos apenas a reafirmar a soberania sueca, a enviar um sinal de que a Suécia responde à situação de segurança existente. Assistimos à anexação da Crimeia e ao aumento da pressão sobre os países bálticos", disse o ministro da Defesa, Peter Hultqvist.
O primeiro destacamento é constituído por 150 soldados de infantaria, que serão substituídos em Julho de 2017.
Em Junho de 2015, o centro de reflexão norte-americano Cepa publicou um relatório segundo o qual a Rússia fez exercícios militares com 33.000 tropas simulando uma invasão da Gotlândia, a maior ilha sueca, com cerca de 60.000 habitantes, e de outros locais.
Cerca de um ano antes, no outono de 2014, as autoridades suecas denunciaram a presença de um submarino nas suas águas, sugerindo sem o referir que era russo, embora meses mais tarde tenham descartado a prova principal, que eram fotografias tiradas por particulares.
Na altura o Governo sueco desvalorizou o relatório mas, em Junho de 2015, o Ministério da Defesa propôs, e o parlamento aceitou, reforçar a defesa para "preparar a Suécia para a guerra". (DN)
A medida foi decidida pelo parlamento em 2015, mas o destacamento só estava previsto para daqui a um ano.
"A situação geopolítica deteriorou-se com o tempo e decidi que precisamos de uma presença permanente, por isso adiantámos o calendário para as tropas de combate", disse à televisão pública sueca SVT o comandante supremo das Forças Armadas, Micael Byden.
"Não pensamos que haja uma ameaça de ataque, estamos apenas a reafirmar a soberania sueca, a enviar um sinal de que a Suécia responde à situação de segurança existente. Assistimos à anexação da Crimeia e ao aumento da pressão sobre os países bálticos", disse o ministro da Defesa, Peter Hultqvist.
O primeiro destacamento é constituído por 150 soldados de infantaria, que serão substituídos em Julho de 2017.
Em Junho de 2015, o centro de reflexão norte-americano Cepa publicou um relatório segundo o qual a Rússia fez exercícios militares com 33.000 tropas simulando uma invasão da Gotlândia, a maior ilha sueca, com cerca de 60.000 habitantes, e de outros locais.
Cerca de um ano antes, no outono de 2014, as autoridades suecas denunciaram a presença de um submarino nas suas águas, sugerindo sem o referir que era russo, embora meses mais tarde tenham descartado a prova principal, que eram fotografias tiradas por particulares.
Na altura o Governo sueco desvalorizou o relatório mas, em Junho de 2015, o Ministério da Defesa propôs, e o parlamento aceitou, reforçar a defesa para "preparar a Suécia para a guerra". (DN)
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24 de outubro de 2014
Tensão no Báltico reabre debate sobre a NATO na Suécia e na Finlândia
Sucedem-se os incidentes militares no Mar Báltico, que ameaça tornar-se num novo teatro de atrito político-militar na Europa. Como consequência, surge uma pergunta: vão a Suécia e a Finlândia abandonar a sua histórica neutralidade e aderir à NATO? De momento é improvável mas o debate foi reaberto.
A Estónia, a Letónia e a Lituânia, embora pertencendo à NATO, são os países com maior sentido de vulnerabilidade, temendo ser o próximo alvo de Moscovo. Mas também a Suécia e a Finlândia se inquietam. A tensão no Báltico cresceu nos últimos anos e disparou com a conquista da Crimeia pela Rússia.
Isolados, os incidentes não teriam relevância. O que “enerva” é a repetição. Exemplo: segundo a BBC, aviões da NATO interceptaram esta quinta-feira um “avião espião russo”. UmIlyushin-20 foi impedido de entrar no espaço aéreo da Dinamarca por dois F-16 dinamarqueses, depois interceptado por caças suecos, entrando a seguir no espaço aéreo da Estónia, onde passou a ser escoltado por dois F-16 portugueses até reentrar no espaço internacional.
O submarino fantasma
O caso do “submarino fantasma” de Estocolmo dominou a semana. A Marinha sueca desencadeou uma operação de “perseguição e caça” a um misterioso submarino, supõe-se que russo, ao largo da capital. O aparato fez relembrar cenas da Guerra Fria: em 1981, os suecos retiveram durante dez dias um submarino soviético, com armas nucleares, junto da sua maior base naval.
A operação, com navios e helicópteros, foi lançada no sábado. Na segunda-feira, o diário sueco Expressen dedicou-lhe 20 páginas. Moscovo desmentiu as acusações. Os especialistas acreditam tratar-se de um “submarino-miniatura” que, na miríade de ilhas e baías ao largo de Estocolmo, facilmente encontraria esconderijo. Mais do que a intrusão, é a impotência militar que preocupa os suecos. Venderam em 2008 a frota de helicópteros anti-submarino e só em 2017 terão outra.
O mais traumatizante episódio remonta a 29 de Março de 2013. Bombardeiros intercontinentais e caças russos fizeram um exercício em que simulavam um ataque surpresa contra Estocolmo e alvos militares no Sul da Suécia. A Força Aérea sueca foi incapaz de reagir de imediato.
A Suécia dispôs de um dos mais poderosos exércitos do mundo. O fim da Guerra Fria e a crise económica dos anos 1990 levaram à sua drástica redução. Estocolmo apostou nas missões internacionais e descurou a defesa do território. Em Dezembro de 2012, o comandante das Forças Armadas chocou o país ao declarar que, em caso de ataque, o exército só poderia defender o país durante uma semana.
A nova Rússia de Vladimir Putin e a pressão que ela exerce sobre os vizinhos, designadamente sobre os três Estados bálticos, força os suecos a repensar uma neutralidade de dois séculos: “Nenhuma aliança militar em tempo de paz, neutralidade em tempo de guerra.”
A semi-neutralidade
A neutralidade da Suécia e da Finlândia já não é o que era durante a Guerra Fria. Entraram na União Europeia. Não fazem parte da NATO mas aderiram à sua Parceria para a Paz, em 1994. São “parceiros disfarçados da NATO”. Participam em exercícios da Aliança e em missões no Kosovo e no Afeganistão. Estocolmo teve um activo papel nas operações aéreas na Líbia em 2011. Em Junho, as marinhas russas e da NATO fizeram manobras navais paralelas e, entre as forças da Aliança, estavam navios suecos e finlandeses.
Até agora, ambos os países acreditavam na “solidariedade” — da UE e da NATO — em matéria de segurança. Mas sabem que a garantia perante um ataque militar só se aplica aos membros da NATO. Dinamarqueses e noruegueses avisaram a Suécia de que, em caso de agressão, só a ajudarão no quadro da NATO. Por isso a questão passou a ser objecto de debates parlamentares.
Escreveu em Março o diário sueco Aftonbladet: “Na verdade não há alternativa à NATO. Uma adesão retiraria a Suécia do vazio que caracteriza actualmente a sua política de segurança.” Em Abril, Martti Ahtisaari, antigo presidente finlandês, defendeu a entrada do seu país na NATO. Mas a opinião pública resiste. Para 50% dos suecos e 58% dos finlandeses, os seus países devem permanecer fora da Aliança.
Anota o britânico The Guardian que, se os suecos perderem a confiança nas suas Forças Armadas para garantirem a segurança do país, “a longo prazo, a lógica da posição geoestratégica da Suécia tornará a adesão à NATO quase inevitável”.
Perguntam-se os nórdicos: até onde está Moscovo disposta a ir? Para o ex-MNE sueco Carl Bildt, que defende uma linha dura perante Moscovo, “o Báltico será o grande teste à relação entre Ocidente e Rússia”.
Qual é a lógica das “provocações” de Moscovo, que não tem interesse em hostilizar a Suécia e a Finlândia? Responde Tomas Ries especialista de segurança no Colégio de Defesa Nacional, de Estocolmo: “A Rússia está a enviar uma mensagem ao mundo exterior dizendo que ‘a velha Europa’ acabou. (...) A Rússia quer criar um novo statu quo na Europa.”
Moscovo não tem interesse em antagonizar a Suécia e a Finlândia. O que lhes diz é que terão mais problemas de segurança se continuarem a aproximação à NATO. (Fonte: Público )
A Estónia, a Letónia e a Lituânia, embora pertencendo à NATO, são os países com maior sentido de vulnerabilidade, temendo ser o próximo alvo de Moscovo. Mas também a Suécia e a Finlândia se inquietam. A tensão no Báltico cresceu nos últimos anos e disparou com a conquista da Crimeia pela Rússia.
Isolados, os incidentes não teriam relevância. O que “enerva” é a repetição. Exemplo: segundo a BBC, aviões da NATO interceptaram esta quinta-feira um “avião espião russo”. UmIlyushin-20 foi impedido de entrar no espaço aéreo da Dinamarca por dois F-16 dinamarqueses, depois interceptado por caças suecos, entrando a seguir no espaço aéreo da Estónia, onde passou a ser escoltado por dois F-16 portugueses até reentrar no espaço internacional.
O caso do “submarino fantasma” de Estocolmo dominou a semana. A Marinha sueca desencadeou uma operação de “perseguição e caça” a um misterioso submarino, supõe-se que russo, ao largo da capital. O aparato fez relembrar cenas da Guerra Fria: em 1981, os suecos retiveram durante dez dias um submarino soviético, com armas nucleares, junto da sua maior base naval.
A operação, com navios e helicópteros, foi lançada no sábado. Na segunda-feira, o diário sueco Expressen dedicou-lhe 20 páginas. Moscovo desmentiu as acusações. Os especialistas acreditam tratar-se de um “submarino-miniatura” que, na miríade de ilhas e baías ao largo de Estocolmo, facilmente encontraria esconderijo. Mais do que a intrusão, é a impotência militar que preocupa os suecos. Venderam em 2008 a frota de helicópteros anti-submarino e só em 2017 terão outra.
O mais traumatizante episódio remonta a 29 de Março de 2013. Bombardeiros intercontinentais e caças russos fizeram um exercício em que simulavam um ataque surpresa contra Estocolmo e alvos militares no Sul da Suécia. A Força Aérea sueca foi incapaz de reagir de imediato.
A Suécia dispôs de um dos mais poderosos exércitos do mundo. O fim da Guerra Fria e a crise económica dos anos 1990 levaram à sua drástica redução. Estocolmo apostou nas missões internacionais e descurou a defesa do território. Em Dezembro de 2012, o comandante das Forças Armadas chocou o país ao declarar que, em caso de ataque, o exército só poderia defender o país durante uma semana.
A nova Rússia de Vladimir Putin e a pressão que ela exerce sobre os vizinhos, designadamente sobre os três Estados bálticos, força os suecos a repensar uma neutralidade de dois séculos: “Nenhuma aliança militar em tempo de paz, neutralidade em tempo de guerra.”
A neutralidade da Suécia e da Finlândia já não é o que era durante a Guerra Fria. Entraram na União Europeia. Não fazem parte da NATO mas aderiram à sua Parceria para a Paz, em 1994. São “parceiros disfarçados da NATO”. Participam em exercícios da Aliança e em missões no Kosovo e no Afeganistão. Estocolmo teve um activo papel nas operações aéreas na Líbia em 2011. Em Junho, as marinhas russas e da NATO fizeram manobras navais paralelas e, entre as forças da Aliança, estavam navios suecos e finlandeses.
Até agora, ambos os países acreditavam na “solidariedade” — da UE e da NATO — em matéria de segurança. Mas sabem que a garantia perante um ataque militar só se aplica aos membros da NATO. Dinamarqueses e noruegueses avisaram a Suécia de que, em caso de agressão, só a ajudarão no quadro da NATO. Por isso a questão passou a ser objecto de debates parlamentares.
Escreveu em Março o diário sueco Aftonbladet: “Na verdade não há alternativa à NATO. Uma adesão retiraria a Suécia do vazio que caracteriza actualmente a sua política de segurança.” Em Abril, Martti Ahtisaari, antigo presidente finlandês, defendeu a entrada do seu país na NATO. Mas a opinião pública resiste. Para 50% dos suecos e 58% dos finlandeses, os seus países devem permanecer fora da Aliança.
Anota o britânico The Guardian que, se os suecos perderem a confiança nas suas Forças Armadas para garantirem a segurança do país, “a longo prazo, a lógica da posição geoestratégica da Suécia tornará a adesão à NATO quase inevitável”.
Perguntam-se os nórdicos: até onde está Moscovo disposta a ir? Para o ex-MNE sueco Carl Bildt, que defende uma linha dura perante Moscovo, “o Báltico será o grande teste à relação entre Ocidente e Rússia”.
Qual é a lógica das “provocações” de Moscovo, que não tem interesse em hostilizar a Suécia e a Finlândia? Responde Tomas Ries especialista de segurança no Colégio de Defesa Nacional, de Estocolmo: “A Rússia está a enviar uma mensagem ao mundo exterior dizendo que ‘a velha Europa’ acabou. (...) A Rússia quer criar um novo statu quo na Europa.”
Moscovo não tem interesse em antagonizar a Suécia e a Finlândia. O que lhes diz é que terão mais problemas de segurança se continuarem a aproximação à NATO. (Fonte: Público )
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