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24 de fevereiro de 2011

DESTACAMENTO FUZILEIROS ESPECIAIS Nº 9 -----27 DE FEVEREIRO 1969 (III Parte)


APOIO DA FORÇA AÉREA

Houve grande dificuldade em localizar o DFE 9, devido ao acidentado do terreno.

Julga-se que os processos a difinir a posiçaõ de uma força no mato, não são extremamente eficientes.

Julga-se que a indicação do local em relação a acidentes de terreno ( pontos notáveis) próximos é mais eficaz que através de coordenadas, as quais muitas das vezes são difíceis de definir com precisão no terreno.

Vai passar a ser usado um heliógrafo. Levantaram-se algumas dúvidas no respeitante aos graus de azimute indicados: se georáficos se magnéticos.

Nesta zona qualquer sistema de sinalização do local, isívelde outros locais próximos, estavatacticamente excluido, o que dificultou ainda mais a possibilidade de localização da força.

APOIO DAS FORÇAS TERRESTRES

NIL

COMUNICAÇÕES

Efectuaram-se em extraordinária boas condições em T/R RACAL, com A.Cardoso ( Metangula) em fonia, embora a distância fosse enorme e entre os dois pontos se interpuzesse o Monte Txifuli.

Foram praticamente ineixistentes em PRC10 e PRC116 com o heli.

Desconheceu-se as causas.

O T/R RACAL provou mais uma vez ser um excelente equipamento, desde que,obviamente esteja equipado com antena horizontal "DIPOLO".

Era invulgar a nitidez com que se ouviu A,Cardoso em fonia.

RESULTADOS POSITIVOS

BAIXAS IN

Dustão Paulo Candeia (Secretári Base Central)........... morto (confirmado)

9 elementos armados .......................................... mortos (confirmados)

Chefe de Material................................................ ferido ( provável)

Comissário Político................................................ ferido ( provável)

Diversos elementos...............................................feridos (provável)

Henrique Samuel Catamaça( C. Dist. de sabotagem Base Gungunhana)..(capturado)

3 H, 8 M, 6 C......................................................... capturados.

ARMAMENTO, MATERIAL, DOCUMENTOS CAPTURADOS

Espingarda automát.Kalashnikov................................................... 4 ( quatro)

Carregadores de Kalash............................................................... 10 ( dez)

Carabina Simonov....................................................................... 2 ( duas)

Carabina Steyer.......................................................................... 2 ( duas)

Pistolas Tula Tukarev................................................................... 4 ( quatro)

Munições 7,62............................................................................diversas

Metralhadora ligeira com bi-pé 7,62.............................................. destruida

MATERIAL

Equipamento cartucheiras e alças ............................................... 1 ( uma )

Fardamento..............................................................................diverso

Roupa civil................................................................................. "

Catanas..................................................................................... "

Sabre....................................................................................... 1 ( um )

Sacoa mochila........................................................................... 4 ( quatro)

Sapatos....................................................................................diversos

Cerveja de lata..........................................................................diversas

Sabonetes................................................................................. diversos

T.S.F. ...................................................................................... 1 ( uma)


DOCUMENTOS APREENDIDOS AO IN

Correspondência oficial.................................................diversa

Correspondênciaparticular............................................ "

Atas de reuniões......................................................... "

Relatórios.................................................................... "

Livros de registo de efectivos da base ( detalhes)............. "

Livros de mentalização.................................................. "

Apontamentos de tática................................................ "

Livros de registo de material de guerra........................... "

Manuais de instrução................................................... "

Manuscritos................................................................ "

Prospectos propaganda IN........................................... "

Números de jornais IN (em português).......................... "

Circulares................................................................... "

Avisos........................................................................ "

Ordens...................................................................... "

Obras sobre guerra subversiva..................................... "

Não classificado.......................................................... "

DESTRUIÇÕES

NIL

RESULTADOS NEGATIVOS

Baixas Próprias

1 - 1º Grt. Sinaleiro FZE 1356/67 José Serpa da Rosa................... morto

1 - 1º Grt. FZE 598/68 Firmino Silveira Silva .............................. ferido grave

MATERIAL,ARMAMENTO E DOCUMENTOS PERDIDOS

Pistola Tula Tokarev................................................... 1 ( uma)

Limitações operacionais verificadas

Os meios de que dispunha o DFE 9 para atingir a Base Central- foram necessárias cerca de 15 h de marcha- ocasionou que o pessoal no momento do assalto se encontrava fisicamente esgotado.

Impressões recolhidas

A Base Central ou Ichimba ou Vila Cabral ou Mepotxe, vem mencionado, há muito,em local bastante afastado daquele onde,efectivamente,estava situado.

Realmente encontra-se localizada perto das nascentes do Rio Fubué, simplesmente o R. Fubué não tem traçado assinalado na carta, mas outro bastante diverso, já mencionado em relatórios de operações anteriores. Foi esta Ba por nós procurada durante muitas operações, tendo-se últimamente a convicçãoque se encontrava localizada muito mais para o interior do que se pensava, e as coordenadas indicadas poderiam sugerir. Em operações anteriores tinha-se verificado que o núcleo da confluência das nascentes dos rios Fubué,Vazamombé e Mepotx, estava protegido por patrulhas permanentes, nos planaltos de Miandica e Itumba e na planície do Namatumba tornando práticamente impossível a penetração a uma força, na zona, sem ser detectada.

A única hipótese possível era fazer o trajecto seguido durante um dia e uma noite,de luar,obviamente

Tendo o COMSECA fornecido um guia que dizia conhecer a Ba. Central, foi dicidido aproveitar o periodo de noites de luar. Assim, saindo da Foz do Rio Limbué ao amanhecer do dia 26, era possível atingir o começo das zonas de patrulha ao anoitecer, e percorrer o trajecto até á Base, durante a noite, período em que que não se efectuam patrulhas de reconhecimento.

Foi escolhido,também, a zona de acesso de menor espera; passando pela povoação Batamila, controlada pela Base e conhecida do guia.Da povoação seguia um trilho até á Base, trilho esse não armadilhado, pois percorrido, diariamente, por elementos da PF que levavam alimentos á Base.

Segundo o guia, todos os outros locais de acesso encontravam-se armadilhados.Este mesmo dispunha de sentinela,perto da base, que era necessário evitar. O quadro de dados e hipóseses que nexessitavam de se conjugar favoravelmente, era demasiado complexo para que o acesso á Base, em total surpresa, fosse realizável.

Foi perante estas conjecturas que se iniciou a operação.

Os ultimos metros de aproximação da Base,evitando as inúmeras armadilhas camufladas no terreno, só foi possível com as indicações rigorosas e exactas do guia que nos acompanhou.

A passagem pela sentinela-com um pequeno desvio- também só foi possivel com as indicações fornecidas. Assim se atingiu, em plena surpresa, e aos primeiros alvores, a Base Central, que segundo informações do capturado era consideradapelo IN inexpugnável, devido á sua localização e sistema de alarme.

A particular configuração da Base e distribuição das cubatas foi um factor primordial nas causas dos relativamente fracos resultados em mortos, capturados IN e material.

Logo que me aproximei da Base, verifiquei que a mesma tinha sido construida com uma disposição conscientemente desordenada de habitaçãoes.

Assim,ao primeiro relance não foi possível abranger a totalidade da área ocupada pela Base, mais de 100 metros de frente, nem adoptar um dispositivo de assalto eficiente.

A distância entre cubatas era grande,e as mesmas não se dispunham em qualquer seguimento geométrico.

Este facto permitiu que aos primeiros contactos de fogo com as máis próximas cubatas, os ocupantes das últimas pudessem ter tempo de debandar.

A mesma disposição da Base ocasionou que parte das cubatas não abrangidas ficassem fora dos limites da "linha de assalto" com o grave risco de fogo IN pela retaguarda.

Os cerca de 50 elementos do DFE 9, em assalto á Base, não permitia de modo algum um assalto eficáz e rápido.

Não foi possível, também,uma perseguição dos elementos IN em fuga, o que ocasionaria uma demasiada dispersão das forças empenhadas no golpe de mão. A retirada da base- a fim de evitar um possível cerco- foi pois uma manobra decidida rapidamente.

Num primeiro interrogatório ao capturado ( Henrique Samuel Catamaça, Com. Distrital de Sabotagens "Base Gungunhana" ) Ainda perto da Base e já depois de ser assistido aos ferimentos. Forneceu estas indicações importantes sobre o actual dispositivo IN na zona.

Assim soube que o IN tinha concentrado todas as Bases fixas da zona, na Base Central. Cerca de 92 elementos. Não existiam assim, de momento, as Bases de Tchia,Mepotxe e Namatumba.

As mesmas foram substituidas por " seguranças de movimento" que têm as caracteristicas de todas as noites se fixarem em locais diferentes.

Além destas "bases de movimento" existem patrulhas que saiem diariamente da Base Central e patrulham os acessos á mesma, observando os possíveis movimentos das NF.

São estas patrulhas compostas por cerca de 8 elementos.

Têm, também, por função, controlar os povos que trabalham nas machambas,para alimentação da Base Central. e destebpara a Base Gungunhana.

Informou-nos ainda que nas bases a fome era grande, tendo ultimamente havido bastantes deserções tanto de elementos combatentes, como de PF.

Informou-nos que, como resultado das últimas operações da "TROPA DE MARINHA",

(DFE9) na zona, tinha sido morto o chefe da então Base de segurança de Namatumba- Ernesto Afonso e mais 6 elementos armados.


O Comandante do DFE 9
Pedro Salgado Baptista Coelho
1º Tenente FZE- SE

Exemplares distribuidos

CONSECA- EMA- CNM/AV

CDMPLN- CDMPPA.

COMSUBSEDAME

EF- DFE 9


"A PÁTRIA HONRAI QUE A PATRIA VOS CONTEMPLA"

Créditos de : FZE Lucena Pinto

DESTACAMENTO FUZILEIROS ESPECIAIS Nº 9 -----27 DE FEVEREIRO 1969 (II Parte)


Logo se confirmou que a base se estendia muito para a nossa frente. das cubatas, ao longe, saiam elementos IN que ripostavam ao fogo.Em breve a frente de fogo IN obrigava a um avanço cauteloso.

Na ala esquerda, tinham sido também abatidos mais elementos IN ainda dentro das cubatas.

O IN tinha entretanto instalado uma metrelhadora ligeira que varria as nossas posições.

Depois de uma ligeira resistência debandaram, julgo que, com muitos feridos. Foram avistados alguns elementos IN , ao longe que caiam e se levantavam novamente.

Entretanto na ala direita a metralhadora IN tinha causado 1 morto e um ferido grave ás NF's de uma equipa que, corajosamente,tinha avançado para ela, fazendo-a por fim calar. O 1º Grt. FZE 455/68 Salema, empunhando a MG/42, fazendo fogo, de pé,mostrou-se um elemento de excepcionais qualidades de sangue frio e energia.

De uma das cubatas saíu então, um IN de braços levantados que falando em português, se rendeu. Era Henrique Manuel Catamaça, comandante distrital das sabotagens da Base Gungunhana. Foi algemado. Apresentava alguns ferimentos tendo sido imediatamente curado.

A perseguição dos grupos IN em fuga, tornava-se difícil pela grande distância a que se encontravam.

No centro da nossa linha de fogo, foram abatidos mais 5 elementos IN que tentavam a fuga.

Foram obtidas algumas informações, pelo prisioneiro.

Soube, assim que o comandante da Base se encontrava fora com um grupo em patrulha, que o 1º IN morto era o secretário; o chefe de material fugiu muito ferido que na Base se encontrava o comissário político que também gravemente ferido fugiu.

Soube,também,que em toda a zona limitada pela picada de Miandica só existia, actualmente, a Base Central, à qual se tinham fundido as Bases Tchia, Mepotxe E Namatumba, que existiam Bases de Movimento em Namatumba, Tchia e Mepotxe, que todas as noites mudavam de local, e eram compostas por grupos de 8 elementos, que existiam ainda vários pequenos grupos em patrulha espalhados na área e controlando as populações e machambas.

Confirmou ainda a total surpresa do ataque, afirmando que na Base se considerava impossível um ataque pelas NT, devido á sua localização.

Entretanto recolhiam-se as armas deixadas no terreno,documentos,em grande quantidade,especialmente na cubata do secretário e chefe de material,fardamento e equipamento de combate.

Entrtanto um grupo IN flagelou-nos pela retaguarda.

Era necessário recuar que serviria de pista de aterragem para o heli procurar uma posição de defesa a fim de pedir a evacuação do morto e do ferido grave. Os vários grupos "móveis" da zona, julgo que, convergiam para o local. Feita a comunicação iniciou-se marcha de regresso, ao rumo geral SUL. O terreno apresentava grandes desvantagens táticas para uma força como a nossa, em longa coluna, marcha muito lenta e com inúmeras paragens para mudar os elementos que transportavam a maca com o corpo do nosso camarada morto, muito acidentado e totalmente despido de vegetação.

Desde logo notei que pequenos grupos IN se podiam aproveitar da situação, flagelando-nos de longe morro-a-morro.

Era necessário procurar um local para a evacuação. Foi escolhido um morro, relativamente isolado, e montada a protecção em redor. Foram abatidas três árvores para abrir uma boa clareira que serviria de pista de aterragem para o heli.

As comunicações com Augosto Cardoso ( Metangula) efectuaram-se em RACAL, em óptimas condições, em fonia, com antena horizontal Dipolo.

Eram cerca das 8,30 h.

Até ás 11 h tentou-se entrar em contacto com o heli e o "caça T-6 " de apoio, porém, sem resultados.

Os mesmos não conseguiam também localizar-nos, embora tivesse sido dada a nossa posição do DFE 9, em relação a três pontos dominantes: os montes Txifuli, Bembe e Chissindo. Já perto das 11 h , e com o heli em terceira tentativa, foi a nossa posição flagelada por duas vezes. O local não apresentava qualquer defesa e, assim, decidi mudar-me.

O IN continuava, aproveitando o terreno, a fazer fogo de longe, bem abrigado. A continuação para W,se o caminho mais perto para o Lago Niassa, continuava sendo desfavorável para a nossa força,em marcha lenta e com pouca mobilidade.

Urgia evacuar o ferido grave e o morto.

Todo o pessoal do DFE 9, denotava já o extremo cansaço de um dia e uma noite de marcha, seguido de um violento golpe de mão.

Sem descançar, entrava-se agora no segundo dia de marcha.

O ferido tinha perdido sangue, e necessitava de descanço e cuidados médicos.

Decidi, assim, mudar o rumo, e continuando para SUL, embrenhamo-nos em zona de densa vegetação, onde era possível a ocultação da força,à visão, de longe, dos grupos IN. Estes moviam-se no terreno,com extrema rapidez e ocultação.

Fomos flagelados mais duas vezes,até que finalmente ambrenhamo-nos no denso arvoredo.

Estavamos a entrar na zona do Rio Necomborera

Uma tentativa de perseguição dos grupos IN não era aconselhável. Não só era urgente a nossa chegada a um posto de apoio, como o estado geral do pessoal não permitia movimentos supérfluos.

Foram encontrados, á medida que avançavamos para Sul, inúmero núcleos de palhotas, em bom estado de conservaçºão e com sinais recentes de utilização.

O guia informou-nos que pertenciam ao povo NECONBORERA.

Efectivamente, encontravamo-nos perto das nascentes do Rio Mepotxe.

Este povo, controlado pelo IN, cultivava as machambas do Micalanga e Zumbezi, na planície do Rio Lunho, para onde se deslocavam todas as manhãs e, donde regressavam ao fim da tarde, sempre acompanhados dos elementos IN, armados. Seguem uma rede de trilhos, secundários de um troço único; o trilho que liga as antigas povoações de Miandica e Namatumba.

Continuamos marcha, agora no planalto, em terreno plano e com densa vegetação. Foram encontrados mais alguns trilhos batidos. Continuamos.

Nesta zona era impossível obter comunicações com Augusto Cardoso ( Metangula)

Cerca das 15:15 h e já no limite do planalto o heli passou pela nossa vertical, tendo, finalmente, entrado em contacto conosco.

Foi feita a evacuação, em local aproximado 12º 30' 34º 54'. Ao longe um grupo IN flagelou-nos, pois o heli tinha indicado, ao descer, a nossa posição.

Reagiu-se, alguns elementos, aligeirados, livres do seu camarada morto e do ferido grave, que tinham sido evacuados . Avançou e a rajadas de MG/42 e de tiros de G3 encostada ao ombro sempre a correr na direcção do IN pos o mesmo em debandada, tendo deixado mais dois mortos.Estavamos seguindo o limite do planalto, num rumo, portanto definido e previsível.

O IN continuava mostrando agressividade, o que não é muito vulgar na zona. Possivelmente a concentração de vários grupos deu-lhes segurança e confiança.

A continuação da marcha, no limite do planalto levava-nos a uma verdadeira ratoeira, onde o IN certamente emboscado, e conhecendo o nosso rumo, tentaria um contacto com nítidas vantagens. Foi decidido, assim,alterar, bruscamente, para Sul.

Desceu-se á planície.

Eram cerca das 16 h.

Estava a terminar o segundo dia de marcha. Todo o pessoal se comportava bem, mas o cansaço era notório.

Avançavamos já em direcção a Nova Coimbra. Pouco depois o IN, do planalto, dando conta tardio do nosso movimento de diversão, flagelou-nos por duas vezes, de longe com LGF.

A agressividade do IN, não lhe dá, ainda, porém, para se aproximar. Todas as flagelações foram de longe. A nossa marcha pela planície, embora não facilmente detectada da planície, já o era, porém, do limite do planalto sobranceiro, local onde se encontrava um grupo IN.Decidi entrar no leito do rio, afluente do Rio Zumbezi, onde avançamos, com água de 20 cm, coberto pelo denso arvoredo que fazia com que o rio corresse num verdadeiro túnel de vegetação.

Deste modo avançamos até cerca das 18 h.

Nas margens estendiam-se machambas de milho, sucessivamente, durante horas de marcha.

Perto das 18,30 h, 1 IN que certamente vigiava uma das machambas, deu o sinal da nossa presença, com uma rajada de espingarda metralhadora.

O crepúsculo aproximava-se, e, em breve a noite cairia, repentinamente,como só em Àfrica acontece.

Saimos do leito do rio.

Atravessamos uma machamba, e ás 19 h estacionamos para descançar, em local aproxi. 12º 32' 34º 54'.

Perto, foi capturada mais uma mulher. Até ás 23 h a noite passou-se sem novidade. O IN iludido pelos movimentos de diverssão, e pressentindo a noite, tinha abandonado o campo.

Às 23,30 h do dia 27 retomou-se a marcha, na planicie de Namatumba, em direcção a Nova Coimbra. Durante o percurso um dos elementos comunicou que tinha deixado no estacionamento uma das pistolas capturadas. Não achei conveniente voltar a trás.

Às 1,30 h do dia 28 atingia-se o Rio Micalanga

Às 5,30 h estacionou-se para descansar.

Ás 7 h atingiamos o Rio Lunho, que foi atravessado com uma abatiz, tendo necessidade de passar um cabo á cintura das pessoas PF.

Às 8 h chegavamos a Nova Coimbra.

Às 15 h em coluna auto, chegavamos a A:Cardoso ( Metangula).

Às 19 h do dia 28, na LFP MERCÚRIO, chegavamos ao Cobué.

Tinham sido percorridos, no terreno 120 Km's.

Foi, nesta operação, efectuado um golpe de mão, e 9 contactos de fogo directo. (Continua)

DESTACAMENTO FUZILEIROS ESPECIAIS Nº 9 -----27 DE FEVEREIRO 1969 (I Parte)

A partir de hoje, o blogue "Defesa Nacional", vai publicar um conjunto de textos, onde retrata todo o dia a dia do Destacamento Fuzileiros Especiais 9 . O blogue "Defesa Nacional , agradece a cedência destes maravilhosos textos, pelo FZE Lucena Pinto.


Em 1968, o 22º curso de FZE começou em 28/10/68 até 8/3/69 , 211 alunos dos quais só 177 acabaram o curso. Todos antes tinhamos 7 meses de marinha.

A instrução de combate como zona de Inverno e durante quinze dias, levou-nos para S.Jacinto ( Aveiro). A Ria, para quem não conhece desagua em delta. Ilhas ilhéus, ilhotas com arame farpado era "mato". Abandonados tês dias, a chover torrencialmente, com ração para dois dias etc.

Descansamos no vibaque, ao fim de termos andado perdidos no meio da Ria. Á noite ,por volta das 4 / 5 horas, um estrondo e tremideira. Terramoto. Vamos para a borda de água, para ver como se comporta. Nada grave.


DESTACAMENTO DE FUZILEIROS ESPECIAIS 9
Moçambique 1969/71
Operação : localizar e destruir bases e grupos inimigos na zona sector A
Ordem de 25/2/1970 REINTEDEF.
O DFE embarca a 3 GA na LF Mercúrio.
Formação de comando-- Com. 2º Ten. Baptista Coelho +2 = 3
1º Grupo de Assalto --1º Sarg. Colaço +18 = 19
2º " " --2º Sarg. Miranda +18 = 19
3º " " -- S/Tenente Ismael Monteiro + 18 = 19
TOTAL--------------------------------------------------------------- 60
carregadores nativos ----8
Guias de combate --------2
O DFE 9 a 3 GA, embarcou no Cobué na LFP Mercúrio a 26/2 - 3,30 h, tendo desembarcado a sul da Foz do Rio Limbué ás 6,00 h.

Depois de desembarcar em botes ZebroIII, ás 6,30 h, iniciamos marcha, ao rumo geral ENE, passando por locais já nossos conhecidos.

Cerca das 14 h, atravessamos o Rio Matamatxi, afluente do rio Fubué.

O terreno tornava-se gradualmente mais montanhoso. O nosso rumo era agora quase ESTE.
Às 18 h estacionamos.

Segundo as indicações do guia ( tinha sido apanhado dias antes por uma Cia do Exército), estavamos perto das nascentes do Rio Fubué.

Estacionamos em local aprox. 12º 24' - 34º 49', das 18 ás 22 h.

Às 22,30 h , com uma lua ainda pálida e encoberta, continuamos marcha, lentamente, devido ao acidentado do terreno.Descemos.
Do fundo, do vale, chegava até nós o barulho da água corrente; era o Rio Fubué.

Por um pequeno carreiro que o guia conhecia, fomos descendo ( de outra forma mesmo de dia não era quase possível) o guia avançando á frente, garantiu-me que o trilho não estava armadilhado. E assim, andando, escorregando,num emaranhado de capim, arbustos e silvas, chegamos ao Fubué.

A partir desse momento, o silêncio era imprescindível. A marcha tornava-se ainda mais lenta,avançamos pelo leito do rio a favor da corrente, com água pelos joelhos.
A zona e o terreno era para nós desconhecido.

Segundo indicações do guia, já perto, encontravam-se as primeiras palhotas da povoação Batamica, controlada pela Base Central.

As duas primeiras cubatas, eram ocupadas por elementos PF ( população fugida) armada, que vigiava os acessos Norte da povoação, mas que segundo as previsões ...dormiam aquela hora ( cerca de meia noite).

Avançamos cautelosamente, e, então, encaixadas nas vertentes do vale e ocultas por denso arvoredo, apareceram as habitações.

Os elementos PF foram capturados de surpresa,em silêncio, e apreendidas armas: 1 Simonov, 1 Steyer. Foram aparecendo mais palhotas.

O número de PF capturados era já numeroso e incómodo,atendendo á missão a cumprir: atacar a Base Central. Esta nossa passagem pela povoação era,segundo indicações do guia, o caminho menos previsível para atingir a Base. Seguiram assim connosco, os elementos PF, pois deixados no local poderiam alertar a Base.

O DFE e "incorporados", Formavam já uma coluna de 90 elementos aproximadamente.
Depois de atingido outro braço do Rio Fubué. Subimos para o planalto, e, ao rumo geral NE, seguimos uma picada que ligava a povoação de Batamica á Base Central.

Os elementos capturados, nada acrescentaram ao que já se sabia, embora tivessem afirmado haver muito movimento na Base .

A noite, agora, com lua descoberta, facilitava um avanço rápido. Aliás, urgia despacharmo-nos, pois era já cerca das 1,00 h, e tinhamos de chegar á Base aos primeiros alvores.
O terreno começava a tornar-se novamente muito acidentado; o trilho seguia contornando cumeadas de encostas abruptas, as horas iam passando,e sempre em marcha mais acelarada aproximavamo-nos da Base.

A ideia de chegar á base já depois do alvorecer, obsecava-me.
Todo o pessoal começava a mostrar fadiga consequente de um dia e uma noite de marcha seguida, intercalada de pequenos descansos.

Avisou-se todo o pessoal da proximidade da sentinela, e saindo do trilho, fizemos um desvio contornando alguns morros para Sul da sentinela.

Às 4,50 h apareciam já perto as primeiras cubatas da Base. Foi deixado um pequeno grupo guardando o equipamento e os prisioneiros, e cerca de 40 Fuzileiros avançaram aligeirados em linha para a Base.

O silêncio era completo. Apareciam no horizonte os primeiros alvores do dia 27.

O primeiro pormenor que me saltou á vista era a grande área onde se espalhavam, a perder de vista, numa desordem propositada, dezenas e dezenas de cubatas de vários tamanhos e feitios, bastante afastadas umas das outras, e todas debaixo de denso arvoredo, ligadas entre elas por trilhos muito batidos. Continuamos a avançar em linha. De um lado ao outro, algumas cubatas não eram abrangidas pela frente de assalto. A imensidão da área, preocupava-me bastante.
A primeira equipa entrou numa cubata. Na cama, deitado, um homem levanta-se sobressaltado e pega na arma. É abatido. Era o secretário geral da Base Central ( Dustão Paulo Candeia).
Assim se iniciou, em total surpresa, o assalto á Base Central, também chamada Ichinga, Vila Cabral ou Mepotxe.

As 3 Mgs abriram fogo em simultãneo, varrendo toda a área em zonas sobre postas.(Continua)